Páginas

Mostrando postagens com marcador francisco alves. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador francisco alves. Mostrar todas as postagens

domingo, 9 de outubro de 2022

Francisco Alves: Nervos de Aço

Lupicínio Rodrigues
Amores impossíveis, paixões desesperadas, mulheres volúveis, infiéis, tudo isso faz parte do mundo explorado por Lupicínio Rodrigues em sua obra. Ninguém melhor do que ele cantou a dor-de-cotovelo em nossa música popular. O exemplo maior de seu estilo é o samba "Nervos de Aço", uma história de traição amorosa e de protesto contra o conformismo de pessoas traídas.

Só que o protesto é passivo, pois o protagonista também não age, limitando-se a se queixar: "Eu só sinto que quando a vejo / me dá um desejo de morte e de dor". Na realidade, este samba surgiu de uma grande desilusão de Lupicínio, quando a mulata Inah, a paixão de sua vida, abandonou-o após seis anos de romance. Razão do abandono: o poeta prometia, mas não se decidia a casar...

Nervos de aço (samba, 1947) - Lupicínio Rodrigues

Disco 78 rpm / Título: Nervos de aço / Autoria: Rodrigues, Lupicinio, 1914-1974 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1947 / Álbum 12796 / Gênero: Samba canção

D                D#°           Em
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
                    D
Ter loucura por uma mulher
                       Em
E depois encontrar esse amor, meu senhor
     A7                   D
Nos braços de um outro qualquer 
                  D#°           Em
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
F#7               Bm   B7
E por ele quase morrer
    G                     D
E depois encontrá-lo em um braço
Bm           E7      A7        D
Que nem um pedaço do seu pode ser
F#7 Bm                  F#7
Há pessoas de nervos de aço
                 B7     Em
Sem sangue nas veias e sem coração
                  F#7              Bm
Mas não sei se passando o que eu passo
                  C#             F#7
Talvez não lhes venha qualquer reação
      Bm                      F#7
Eu não sei se o que trago no peito 
             B7                 Em
É ciúme, despeito, amizade ou horror
                          D
Eu só sei é que quando a vejo
           C#       F#7         Bm  A D
Me dá um desejo de morte ou de dor


A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Francisco Alves: Izaura

Herivelto Martins
Tudo o que Herivelto Martins compunha nos anos quarenta era logo gravado e, quase sempre, transformado em sucesso. Houve até carnavais, como o de 45, em que ele teve mais de uma composição - "Izaura" e "Que Rei Sou Eu" - entre as preferidas do público. E essa preferência justificava-se, pois as composições eram animadas e bem feitas, como "Izaura" que, em 1977, mereceu uma revisitação de João Gilberto.

Este samba, que tem estribilho de Roberto Roberti , trata do dilema de um indivíduo que reluta em ficar com uma mulher, porque teme perder a hora do trabalho ("Se eu cair em seus braços / não há despertador que me faça acordar"). Mas na segunda parte - só de Herivelto - o sujeito parece optar pelo trabalho, embora admita uma alternativa: "Se você quiser eu fico / mas vai me prejudicar...".

Izaura (samba, 1945) - Herivelto Martins e Roberto Roberti

Disco 78 rpm / Título da música: Isaura / Autoria: Martins, Herivelto (Compositor) / Roberti, Roberto (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1944 / Nº Álbum 12530

F7+     Gb0     Gm7   C7/-9
Ai,  ai,  ai    Izaura
F7+       F0         Gm7   C7/-9
Hoje eu não posso ficar
F7       F7/5+          Bb7+
Se eu cair nos seus braços
    B0        A7/13  D7/-9 G7 C7/-9  F7+
Não há despertador que me faça acordar
              F0
Eu vou trabalhar


Am7/4  Ab7/-5  Gm7/4   Gb7/-5
Ai,  ai,  ai,         Isaura
Am7        Ab0       Gm7    C7/-9
Hoje eu não posso ficar
F7    F7/5+             Bb7+
Se eu cair nos seus braços
        B0         A7/13 D7/-9 G7 C7/-9 F7+
Não há despertador que me faça acordar


     F0             Gm7           C7/-9         F7+
O trabalho é um dever    /    Todos devem respeitar
      F6                 F7      F7/5+             Bb7+
Oh,  Izaura, me desculpe   /   No domingo eu vou voltar
               Bbm6                            Am7
Seu carinho é muito bom   /  Ninguém pode contestar
      Dm7             G7                       Gm7
Se você quiser,  eu fico  /   Mas vai me prejudicar
            C7/-9
Eu vou trabalhar


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Francisco Alves: Bahia Com "H"

Denis Brean
Bahia com H (samba, 1948) - Denis Brean

Disco 78 rpm / Título: Bahia com "h" / Autoria: Brean, Denis (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 29/08/1947 / Nº Álbum 12810 / Gênero: Samba

Em7                     A7/9
Dá licença, dá licença meu senhor
D7                          D6/7 D5+/7 G7+
Dá licença, dá licença pra Ioiô
    Fm5+/7   F#m5-/7       B7/9- Em7
Eu sou amante da gostosa Bahia porém
            A7/9
Pra saber seus segredos serei baiano também
     Em7                         A7/9
Dá licença de gostar um pouquinho só
  D7                          D6/7 D5+/7 G7+
A Bahia eu não vou roubar, tem dó
          Fm5+/7  F#m7                 B7/9-
Já disse o poeta que terra mais linda não há
         Em                              A7/9  D7+
Isso é velho, do tempo em que já se escrevia Bahia com H
         Em7                   
Deixa eu ver, com meus olhos de amante saudoso
                  A7/9
a Bahia do meu coração
      D7+
Deixa ver Baixa do Sapateiro,
Chaio, Barroquinha, Calçada, Taboão
                Fm5+/6                     Em7
Sou amigo que volta feliz pra teus braços abertos Bahia
                        A7/9              F#m7  B7/9
Sou poeta e não quero ficar assim longe da tua magia
       Em7
Deixa ver teus sobrados, igrejas, teus santos
                  A7/9
Ladeiras e montes tal qual um postal
         D7                 G7+
Dá licença de rezar pro Senhor do Bonfim
               Gm6           F#m7            B7/9
Salve a Santa Bahia imortal, Bahia dos sonhos mil
             Em7              A7/9                D7+
Eu fico contente da vida em saber que a Bahia é Brasil

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Francisco Alves: Chuvas de Verão

Fernando Lobo
A obra de Fernando Lobo - ex-violinista da legendária Jazz Band Acadêmica de Pernambuco - pertence a uma fase importante da música brasileira, a fase dos sambas-canção de mesa de bar.

Renomado cronista do Rio, Fernando e seus companheiros de boemia, como Ary Barroso e Antônio Maria, colheram inspiração para muitas de suas músicas na efervescente vida noturna que levavam.

Essa vivência boêmia era, pode-se dizer, um prolongamento das atividades jornalísticas, suas e de outras figuras da noite, como Sérgio Porto, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Lúcio Rangel. "Chuvas de Verão" reflete esse clima de confissões que prolongavam ou encerravam romances iniciados no ambiente das boates.

Lançada por Francisco Alves em 1949, talvez jamais se tornasse um clássico (isso era reconhecido pelo próprio Fernando), não fora a versão de Caetano Veloso, quase vinte anos depois. Naturalmente, a beleza da composição sempre existiu, mas Caetano soube aproveitar melhor o clima do rompimento amoroso, com uma delicadeza de tratamento que faltou à gravação original. Composta no modo menor (uma característica dos frevos-de-bloco do Recife, onde nasceu o autor), a canção tem seu momento culminante no verso que repete o título, definindo com lirismo e precisão a transitoriedade dos romances de ocasião.

Chuvas de verão (samba, 1949) - Fernando Lobo

Disco 78 rpm / Título: Chuvas de verão / Autoria: Lobo, Fernando, 1915-1996 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Panicali, Lírio (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 17/08/1948 / Nº Álbum 12923 / Gênero: Samba canção

Dm        Dm7             Bb7   A7
Podemos ser amigos simplesmente
 Bb7      A7          Dm  Bb7   A7
Coisas do amor, nunca mais
 Dm          Dm/C        Am
Amores do passado, no presente
  E7                        A7
Repetem velhos temas tão banais
Dm             Dm/C           Bb7
Ressentimentos passam como o vento
                 A7
São coisas do momento
    Am            D7
São chuvas de verão
    Am7      D7               Gm
Trazer uma aflição dentro do peito
       C7           F
É dar  vida a um defeito
     E7          A7     Dm
Que se extingue com a razão
C7
Estranha no meu peito
F
Estranha na minha alma
C7
Agora eu tenho calma
F              A7
Não te desejo mais . . . .
Dm            Dm/C            Bb7
Podemos ser amigos, simplesmente
Gm          A7           Dm
Amigos, simplesmente e nada mais.


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Francisco Alves: Luar do Sertão

A toada "Luar do Sertão" é um dos maiores sucessos de nossa música popular em todos os tempos. Fácil de cantar, está na memória de cada brasileiro, até dos que não se interessam por música. Como a maioria das canções que fazem apologia da vida campestre, encanta principalmente pela ingenuidade dos versos e simplicidade da melodia. Embora tenha defendido com veemência pela vida afora sua condição de autor único de "Luar do Sertão", Catulo da Paixão Cearense deve ser apenas o autor da letra.

A melodia seria de João Pernambuco ou, mais provavelmente, de um anônimo, tratando-se assim de um tema folclórico - o côco "É do Maitá" ou "Meu Engenho é do Humaitá" -, recolhido e modificado pelo violonista. Este côco integrava seu repertório e teria sido por ele transmitido a Catulo, como tantos outros temas. Pelo menos, isso é o que se deduz dos depoimentos de personalidades como Heitor Villa-Lobos, Mozart de Araújo, Sílvio Salema e Benjamin de Oliveira, publicados por Almirante no livro No tempo de Noel Rosa.

Há ainda a favor da versão do aproveitamento de tema popular, uma declaração do próprio Catulo (em entrevista a Joel Silveira) que diz: "Compus o Luar do Sertão ouvindo uma melodia antiga (...) cujo estribilho era assim: 'É do Maitá! É do Maitá"'. A propósito, conta o historiador Ary Vasconcelos (em Panorama da música popular brasileira na belle époque) que teve a oportunidade de ouvir "Luperce Miranda tocar ao bandolim duas versões do 'É do Maitá': a original e 'outra modificada por João Pernambuco', esta realmente muito parecida com Luar do sertão".

Homem humilde, quase analfabeto, sem muita noção do que representavam os direitos de uma música célebre, João Pernambuco teve dois defensores ilustres - Heitor Villa-Lobos e Henrique Foreis Domingues, o Almirante - que, se não conseguiram o reconhecimento judicial de sua condição de autor de Luar do Sertão, pelo menos deram credibilidade à reivindicação. Ainda do mesmo Almirante foi a iniciativa de tornar o Luar do Sertão prefixo musical da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a partir de 1939.

Luar do Sertão (toada, 1914) - João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Francisco Alves


--------G ----------Em -------Am --------D7-------- G----- D7
Não há, ó gente, oh não luar / Como este do sertão (bis)

--------------G------- Em------------ Am--------------------------- D7
Oh que saudade do luar da minha terra / Lá na serra branquejando
------------------------G D7------- G--------- Em---------- Am
Folhas secas pelo chão / Esse luar cá da cidade, tão escuro
--------------------------D7------------------- G------- D7
Não tem aquela saudade / Do luar lá do sertão (refrão)

--------------G --------Em ---------Am--------------------------- D7
A gente fria desta terra sem poesia / Não se importa com esta lua
-----------------------G D7------------- G--------- Em------- Am
Nem faz caso do luar / Enquanto a onça, lá na verde capoeira
------------------------D7-------------------- G------ D7
Leva uma hora inteira, / Vendo a lua a meditar (refrão)

-----------------G--------------- Em---------- Am
Ai, quem me dera que eu morresse lá na serra
------------------------D7---------------------- G------- D7
Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez
-------------G------------- Em --------Am
Ser enterrado numa grota pequenina
------------------------D7 ----------------G -------D7
Onde à tarde a surunina chora sua viuvez (refrão).


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Francisco Alves: Dama das Camélias

Francisco Alves
Dama das Camélias (marcha/carnaval, 1940) - João de Barro e Alcir Pires Vermelho

Disco 78 rpm / Título: Dama das camélias / Autoria: Pires Vermelho, Alcyr, 1906-1994 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra (Acomp.) / Gnattali, Radamés (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1939 / Álbum 55169 / Gênero: Marcha

(A)                 Dbm 
A sorrir você me apareceu
                           D
E as flores que você me deu
                            A  
Guardei no cofre da recordação
                      C
Porém depois você partiu
                        Em   
Prá muito longe e não voltou
                  F
E a saudade que ficou
                          E7   
Não quis abandonar meu coração
Am                 Dm
A minha vida se resume
     E7          Am  
Oh! Dama das Camélias
                      Dm
Em duas flores sem perfume
        E7         Am
Oh! Dama das Camélias.

Francisco Alves: Confete

Sucesso absoluto no carnaval de 1952, o último que Francisco Alves (foto) obteve na folia de Momo. Gravada na Odeon em 9 de novembro de 1951, com lançamento em janeiro de 52 (13211-A, matriz 9187), esta marchinha é na verdade apenas de Jota Júnior (Joaquim Antônio Candeias Júnior), que só deu parceria a David Nasser. Paraense de Belém, Jota Júnior foi para o Rio de janeiro aos 4 anos de idade e era coronel reformado (Samuel Machado Filho - YouTube).

Confete (marcha/carnaval, 1952) - David Nasser e Jota Júnior

Disco 78 rpm / Título: Confete / Autoria: Nasser, David, 1917-1980 (Compositor) / Jota Júnior (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 09/11/1951 / Nº Álbum 13211-A / Gênero: Marcha



--------Am
Confete
-------------------E7
Pedacinho colorido de saudade
------------Am
Ai, ai, ai, ai,

-------Dm -------------------Am
Ao te ver na fantasia que usei

--------E7
Confete
--------------------Am
Confesso que chorei
-----G7
Chorei porque lembrei
------------C
Do carnaval que passou
-------B7 ----------------------E7
Daquela Colombina que comigo
Brincou

Dm---------- Am
Ai, ai, confete
--------E7--------------------- Am
Confesso o amor que se acabou

Dalva de Oliveira e Francisco Alves: Valsa da Despedida

Valsa da despedida (valsa, 1941) - Robert Burns (versão: Alberto Ribeiro e João de Barro) - Interpretações de Francisco Alves e Dalva de Oliveira

Disco 78 rpm / Título da música: Valsa da despedida (Farewall waltz) / Ribeiro, Alberto, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Burns, Robert (Compositor) / Oliveira, Dalva de (Intérprete) / Alves, Francisco, 1898-1952 (Intérprete) / Orquestra de Salão (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 02/02/1941 / Nº Álbum: 15020 / Gênero musical: Valsa.


D     Bm      Em     A7
Adeus, amor, eu vou partir
D    D7     G    Ab0
Ouço ao longe um clarim
D        Bm  Em     A7
Mas onde eu for irei sentir
D        A7        D     A7
Os teus passos junto a mim

D       Bm      Em       A7
Estando em luta, estando a sós
D       A7  D   A7
Ouvirei a tua voz
D        Bm       Em    A7
A luz que brilha em teu olhar
D    D7    G    Ab0
A certeza me deu
D     Bm      Em    A7
De que ninguém pode afastar
D     A7     D     A7
O meu coração do teu
D      Bm     Em   A7
No céu na terra aonde for
D       A7     D
Viverá o nosso amor

domingo, 2 de outubro de 2022

Francisco Alves: Nancy

Francisco Alves
Nancy (valsa, 1933) - Luiz Lacerda e Bruno Arelli

Disco 78 rpm / Título da música: Nancy / Autoria: Arelli, Bruno (Compositor) / Lacerda, Luiz (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1945 / Nº Álbum 12626 / Gênero musical: Valsa


(D)
Busquei ansioso um pensamento
-----------Em
Que pudesse traduzir
----------------A7
O que minh’alma fez por ti
-----------------D
Dentro em meu peito assim senti
Tudo que pode oferecer
-----------D7 ------------G
A alma que vibra em mim
--------------Ab°--------- D
É uma canção que idealizei
----------E7 -----A7----- D---- A7/5+
Para poder cantar assim
------D --------------------Em
Ouve esta canção que eu fiz
----------------A7

Pensando em ti

------Em-------- A7--------- D
É uma veneração, Nancy
---------------Em------ A7
Somente poderia a musa traduzir
---------Em----------- A7
Um nome que é poesia
-------D ------D7
Nancy
G------- Ab°--------- D
É a mais linda história de amor
-------------D7
Que conheci
------G---------- Ab°--- D ---------B7
Quando o teu nome assim eu repeti
---Em----- A7 ------D----- A7
Nancy, Nancy, Nancy

------D
Ouve esta canção
------------------Em------------- A7
Que eu mesmo fiz pensando em ti
------Em --------A7 -----D Gm D
É uma veneração, Nancy

Francisco Alves: Juriti

Joubert - 1930
Jurity (maxixe-canção, 1927) - Joubert de Carvalho - Intérprete: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Juriti / Carvalho, Joubert de (Compositor) / Alves, Francisco Alves (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1927 / Nº Álbum 10078 / Lado A / Gênero musical: Maxixe.



Nesta gaiola / trouxe pra ti
Meu coração / a juriti
Que apanhei / lá no sertão...


Ó juriti / ó pombinha do amô
Bem-te-vi / quando voô...


O soluçá da juriti / é a confissão
Quando por ti / linda morena tenho paixão


Ó juriti / ó pombinha do amô
Bem-te-vi / quando voô...


E a gaiolinha / deixô escapá
A avezinha / pra nunca mais
Podê cantá / meus tristes ais.


...........................................................

Outra versão, talvez a original, em ritmo de canção:

Juriti que arrulha triste, / Põe tristeza na amplidão,
E minh'alma não resiste, / Chora com meu coração.

Juriti, que tanto arrulhas, / Por que choras tanto assim,
Se são mágoas que debulhas, / Vem chorar, junto de mim.

Juriti... Juriti, / Onde vai teu arrulhar,
E a saudade que maltrata, / De que vale soluçar,


Deixa o ninho, deixa a mata, / Vem aqui me consolar,
Juriti... Juriti, / Vem aqui me consolar.

sábado, 1 de outubro de 2022

Francisco Alves: Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda

O irreverente Lalá - Lamartine Babo, 1949, Coleção Jorge Murad, Acervo MIS.

Admirador da opereta, Lamartine Babo teria por certo se dedicado ao gênero se houvesse nascido na Europa no século XIX. Daí a presença, em sua obra, de composições como "Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda", que ele pretendia incluir numa opereta inacabada, intitulada "Viva o Amor". Compositor e letrista, como Lamartine, Francisco Matoso é o autor da bela melodia desta valsa.

Segundo Almirante, Matoso mostrou-a, ainda sem letra, a Lamartine, que se apaixonou pela canção. Convidado a concluí-la, modificou algumas notas, como era de seu feitio, e colocou uma letra tão adequada que a composição ficou parecendo ser de autoria de uma só pessoa. "Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda" foi lançada por Francisco Alves em outubro de 41. Na ocasião, Matoso se encontrava bastante enfermo (morreria em 14.12.41, aos 28 anos de idade), não chegando a conhecer o seu sucesso.

Eu sonhei que tu estavas tão linda - (valsa, 1941) - Lamartine Babo e Francisco Matoso

Disco 78 rpm / Título da música: Eu sonhei que tu estavas tão linda! / Autoria: Matoso, Francisco (Compositor) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Fon-Fon, 1908-1951 (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1941 / Nº Álbum 12051 / Gênero musical: Valsa


D    Em             A7         D7+ D#°
Eu sonhei que tu estavas tão linda
Em       A7      D7+
Numa festa de raro esplendor
F#m       C#7          F#m
Teu vestido de baile lembro ainda
A             E7        A   A7
Era branco, todo branco, meu amor
D                       D
A orquestra tocou uma valsa dolente
Tomei-te aos braços
B7
Fomos dançando
Em   B5+/7
Ambos silentes
Em        B5+/7        Em
E os pares que rodeavam entre nós
D
Diziam coisas
Ab7
Trocavam juras
D/F# D
A meia voz
        D
Violinos enchiam o ar de emoções
B7          Em
De mil desejos uma centena de corações
G            Gm
Pra despertar teu ciúme
F#m7            Bm
Tentei flertar alguém
Em        A7        F#m5-/7 B7
Mas tu não flertaste ninguém
Em            Gm
Olhavas só para mim
F#m7             Bm
Vitória de amor cantei
Em            A7          D
Mas foi tudo um sonho... acordei!

Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Francisco Alves: Boa Noite, Amor

A presença de Francisco Alves no rádio está marcada por esta valsa, prefixo e sufixo de suas audições. Além de gravada por ele duas vezes - em 1936 e 1950 -, a canção tem, na condição de prefixo, outras gravações suas de programas radiofônicos, como o realizado no Largo da Concórdia em São Paulo, em 26.09.52, que foi o último de sua vida.

No dia seguinte, um sábado, um caminhão que trafegava pela Via Dutra, à altura de Pindamonhangaba, chocou-se violentamente com seu automóvel, um Buick azul, tendo o cantor morte instantânea. Chico, que não gostava de viajar de avião, estava com uma certa pressa de chegar ao Rio, a fim de se apresentar descansado em seu programa na Rádio Nacional, domingo ao meio-dia. (Curioso o horário desse programa, sempre anunciado pomposamente pela locutora Lúcia Helena: "Ao se encontrarem os ponteiros na metade do dia...").

"Boa Noite Amor" é a mais conhecida composição da dupla José Maria de Abreu e Francisco Matoso, sendo típica de um pianista (Abreu), como se percebe pelo detalhe harmônico nos compassos 13 a 16 ("Se eu souber que o sonho teu / foi o mesmo sonho meu...") de preparação à idéia principal, que é explorada de três maneiras diferentes. Tem também uma introdução cantada, o recitativo, marcante na obra de José Maria de Abreu e provavelmente herdada da música americana.

Já a letra, de Francisco Matoso, sobre uma despedida apaixonada, não foge ao trivial romântico da época. "Boa Noite Amor" teve uma gravação importante em 1972, que encerra emocionalmente o disco do ano de Elis Regina, em brilhante arranjo de César Camargo Mariano (ao piano), com orquestra de cordas. Embora pouca gente saiba, "Boa Noite Amor" possui uma letra em inglês, de Maria C. Rego, editada pela Vitale ("Good-night sweetheart / my love divine / my dreams belong to you...").

Boa noite amor (valsa, 1936) - José M. de Abreu e Francisco Matoso

Disco 78 rpm / Título da música: Boa noite amor / Autoria: Matoso, Francisco (Compositor) / Abreu, José Maria de, 1911-1966 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1936 / Nº Álbum 34052 / Gênero musical: Valsa



Gbm-------- B7 -----E
Quando a noite descer
Dbm----- Gbm -----B7--------- E---- Dbm
Insinuando ------um triste adeus
Gbm ------B7--------- E
Olhando nos olhos teus
Gb7---------- B--------- Gb7---- B7
Hei de, beijando teus dedos, dizer:
---------Am ----B7
Boa noite, amor
-----------D ------B7
Meu grande amor
-------E ----Db7---- Gbm
Contigo eu sonharei
---------Bm ----Ab7--- Dbm
E a minha dor esquecerei
-------------Gb7
Se eu souber que o sonho teu
----C7------------------ B7
Foi o mesmo sonho meu . . .

---------Am---- B7
Boa noite, amor
-------D------- B7
E sonha, enfim,
---------E -------E7 -------A ------Db7
Pensando sempre em mim,
----------A----------- B7
Na carícia de um beijo
---------E--------- Db7
Que ficou no desejo
--------Am ----------B7 -----E---- C7---- E
Boa noite, meu grande amor !


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Francisco Alves: A Voz do Violão


Em julho de 28, a Companhia Trololó, de Jardel Jercolis, estreou no Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, a revista Não É Isso Que Eu Procuro. Muito ruim, a peça saiu logo de cartaz, deixando, porém, uma canção, "A Voz do Violão", da maior importância no repertório de seu criador, Francisco Alves. Esta composição nasceu quase por acaso, a partir de uns versos de Horácio Campos, libretista da peça, que chegaram ao conhecimento de Chico através de Jardel. Entusiasmado com o poema, o cantor pegou o violão e só sossegou quando dias depois aprontou a melodia, por sinal muito boa.

Aliás, em que pese o fato de ter comprado sambas no início da carreira, Francisco Alves deixou algumas boas canções realmente de sua autoria. "A Voz do Violão" foi gravada comercialmente por Alves quatro vezes: a primeira na Parlophon, em 1928, e as três seguintes na Odeon, sendo a última em 1951. Há ainda uma quinta gravação, realizada num programa da Rádio Nacional que foi editada em disco pela empresa Collector's.

A voz do violão (valsa-canção, 1928) - Francisco Alves e Horácio Campos

Disco 78 rpm / Título: A voz do violão / Autoria: Alves, Francisco (Compositor) / Campos, Horácio (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1928 / Nº Álbum 12823


------------E ------------B7-------------- E------- D7(3a.casa)--- Db7----------- Gbm
Não queiras, meu amor, saber da mágoa/Que sinto quando a relembrar-te estou
-----A --------------Ebo ----B7 ----------E------ D7------ Db7
Atestam-te os meus ---olhos rasos d’água
------Gb7 ------------B7----------=- E
A dor que a tua ausência me causou.

-----E ----------B7------------- E---------D7--------------- Db7-------------- Gbm
Saudades infinitas me devoram, / --Lembranças do teu vulto que . . . nem sei!
------------A -------Eb0----- B7----- E -D7--Db7 ------Gb7-------- B7----------- E
Meus olhos incessantemente choram /---- ------As horas de prazer que já gozei

-------Ab7------------------------ Dbm-------- Gb7----------- B7------ E
Porém neste abandono interminável / No espinho de tão negra solidão
---------D7------------ Db7--------- Gb7 -----------Ebo---------- B7---------- E
Eu tenho um companheiro inseparável /---- Na voz do meu plangente violão

--------E ---------B7------------- E------- D7 ---------Db7---------- Gbm
Deixaste-me sozinho e lá distante, / Alheio à imensidão de minha dor,
--------A ---------Ebo---- B7 -----------------E D7 Db7 -------Gb7-------- B7------ E
Esqueces que ainda existe um peito amante / --Que chora o teu carinho sedutor

--------E---------------- B7--------- E--- D7------------- Db7------- Gbm
No azul sem fim do espaço iluminado / ------Ao léo do vento se desfaz
--------A ------Ebo----- B7------- E -D7- Db7 ----------Gb7---------- B7--------- E
A queixa deste amor desesperado /------- Que o peito em mil pedaços me desfaz
(estribilho)



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.