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sexta-feira, 14 de outubro de 2022

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Mário Reis e Mariah: Joujoux e Balangandans


Joujoux e balangandans (marcha/carnaval, 1939) - Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Joujoux e balangandans / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Mariah (Intérprete) / Mário Reis (Intérprete) / Kolman, I (Acompanhante) / Orquestra do Cassino da Urca (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 26/07/1939 / Nº Álbum 55199 / Gênero musical: Marcha

Intro: E7/9- 

   A6       F#5+/7
Jou Jou, Jou Jou
Bm7 Fº A7+ F#5+/7 Bm7 Fº
Que é meu Balangandan 
 F#5+/7
Aqui estou eu 
B7/9     F#m
Aí estás tu
       B7/9
Minha Jou Jou
         Bm5-/7 E7/9-
Meu Balangandan
    A6 F#5+/7 Bm7 Fº A7+   F#m7    Bm7  Fº
Nós dois depois no sol do amor de manhã
    F#7    F#5+/7     Bm7 Dm7
De braços dados, dois namorados
   A7+
Já sei
    E6/7
Jou Jou
     A7+
Balangandan
Bm7      E7/9 A7+     A6
Seja em Paris ou nos Brasis
 F#7    F#5+/7   D7+/9
Mesmo distantes somos constantes
D#5-/7   G#5+/7   C#m7   F#7
Tudo nos une, que coisa rara
    Bm7        E6/7  A7+
É o amor, nada nos separa

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Carmen Miranda e Mário Reis: Chegou a Hora da Fogueira

Ao contrário dos balões - que, mesmo proibidos, continuam subindo -, as marchas juninas desapareceram do repertório musical. Mas, para animar os festejos dos três santos (Pedro, Antônio e João), restaram os clássicos, na maioria lançados na década de 1930, que eram assinados por compositores como João de Barro, Alberto Ribeiro, Benedito Lacerda, Ary Barroso e Lamartine Babo, este último o mais prolífico no gênero.

Dele é "Chegou a Hora da Fogueira" ("Chegou a hora da fogueira / é noite de São João..."), gravado inicialmente pela dupla Carmen Miranda e Mário Reis, sustentada por um arranjo excepcional de Pixinguinha (Fonte: A Canção no Tempo - 85 Anos de Músicas Brasileiras, Vol 1: 1901-1957 / Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello. - São Paulo: Ed. 34, 1997).

Chegou a Hora da Fogueira (marcha, 1933) - Lamartine Babo - Intérpretes: Carmen Miranda e Mário Reis

Disco 78 rpm / Título da música: Chegou a Hora da Fogueira / Lamartine Babo (Compositor) / Carmen Miranda (Intérprete) / Mário Reis (Intérprete) / Gravadora: Victor / Ano: 1933 / Nº Álbum: 33.671-A / Lado A / Gênero musical: Marcha junina.


Tom: D  

D                 C
Chegou a hora da fogueira
G7              C
É noite de São João

O céu fica todo iluminado
D
Fica o céu todo estrelado
                C
Pintadinho de balão..
A7
Pensando na cabocla a noite inteira
D                                A7    D
também fiz uma fogueira dentro do meu coração..


A7                            D
Quando eu era pequenino de pé no chão
C                               D
Eu cortava papel fino pra fazer balão..
A7                                       D
E o balão ia subindo lá no azul da imensidão..

A7                                     D
Hoje em dia o meu destino não vive em paz..
 C                                 
O balão de papel fino
 A7         D
já não sobe mais..
A7            D     
O balão da ilusão
         D7    A7    D
levou pedra e foi ao chão...

Castro Barbosa: O Teu Cabelo Não Nega!...

A marchinha carnavalesca já existia desde a década de 1920, com características definidas por seus sistematizadores. O prestígio do gênero, porém, somente se consolidou a partir de 1932, com o lançamento de "O Teu Cabelo Não Nega", uma das maiores marchas de todos os tempos. A história de "O Teu Cabelo Não Nega" é curiosa. Em sua forma original - um frevo intitulado "Mulata", dos irmãos pernambucanos Raul e João Valença -, a composição foi oferecida à gravadora Victor para eventual aproveitamento em disco.

Aprovando em parte a melodia, mas achando que a letra tinha um teor excessivamente regional, a direção da gravadora encarregou, então, Lamartine Babo de adaptar "Mulata" ao gosto carioca. Especialista na arte de melhorar canções alheias, ele logo pôs mãos à obra, transformando o frevo na vitoriosa marchinha.

Conforme análise do maestro Roberto Gnattali, que comparou as partituras, o trabalho de Lamartine Babo pode ser resumido no seguinte: "Na primeira parte a letra é a mesma, sendo as notas quase todas iguais, salvo as quatro últimas do verso final que Lamartine, muito sabidamente, ao invés de descer, como no original, subiu, encerrando a estrofe para cima. O ritmo é semelhante, mas o adaptador lhe deu mais balanço, através de antecipações rítmicas, quebrando a quadratura do original. A harmonia é idêntica, estando as melodias construídas com apenas dois acordes: tônica e dominante. Na segunda parte, letra e música são diferentes, com exceção de cinco notas do 9° para o 10° compasso (início da segunda frase musical) que Lamartine aproveitou. Aliás, é o melhor momento da música dos Valença nesta parte (mulata, mulatinha meu amor..), sendo a do Lamartine toda boa... A harmonia é praticamente a mesma (pelo menos nos pontos chave, nas cadências). As introduções são completamente diferentes".

Como se vê, Lamartine aproveitou o que tinha de aproveitar - como o excelente estribilho -, substituindo o que não prestava. Por exemplo, não há termo de comparação entre o humor pobre dos versos desprezados ("Tu nunca morre de fome / que os home / te dá sapato de sarto / bem arto / pra tu abalançá o gererê...") e a letra de Lamartine ("Quem te inventou / meu pancadão / teve uma consagração / a lua te invejando fez careta / porque mulata tu não és deste planeta..."). "Pancadão" e "não é do planeta" eram gírias da época, significando, respectivamente, "mulherão" e "pessoa ou coisa excepcionalmente valiosa". Concluída a marchinha, o compositor ofereceu-a à dupla Jonjoca e Castro Barbosa, que gravava na Victor. A propósito, conta João de Freitas, o Jonjoca: "'O Teu Cabelo Não Nega' nos foi mostrada por Lamartine num encontro, casual na Cinelândia. Achamos uma beleza. Então ele disse: 'É de vocês podem gravá-la!' Dias depois, como íamos gravar também o 'Bandonô', de minha autoria, ocorreu-me a infeliz idéia de propor: 'Ô Castro, vamos gravar essas músicas individualmente. Você fica com uma e eu com a outra'. Quanto à escolha, decidimos num cara ou coroa. Deu cara e eu fiquei com `Bandonô'...".

Quem também se interessou pelo "O Teu Cabelo Não Nega" foi Almirante. Depois de conhecer a marcha através do cantor Minona Carneiro, ele chegou a pedir à direção da Victor para gravá-la. Mas era tarde, o disco já fora gravado no dia 21 de dezembro de 1931 por Castro Barbosa, acompanhado pelo Grupo da Guarda Velha, na ocasião composto de piano, dois saxofones, trompete, banjo, baixo, prato, cabaça, omelê, tantã e coro de seis vozes masculinas e uma feminina. O arranjo e a direção musical eram de Pixinguinha. As primeiras tiragens do disco omitiram, por culpa da gravadora, a co-autoria dos Irmãos Valença na composição. O fato gerou uma questão judicial, com repercussão na imprensa, que acabou por fazer valer os direitos dos reclamantes.

O Teu Cabelo Não Nega (marcha / carnaval, 1932) - Lamartine Babo e Irmãos Valença

Disco 78 rpm / Título da música: O teu cabelo não nega!... / Autoria: Valença, Irmãos (Compositor) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Barbosa, Castro (Intérprete) / Coro (Acompanhante) / Grupo da Guarda Velha (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 21/12/1931 / Nº Álbum 33514 / Gênero musical: Marcha

 E7             A   
O teu cabelo não nega mulata
  E7                 A
Porque és mulata na cor...
      E7             A     
Mas como a cor não pega mulata
  E7                 A
Mulata eu quero o teu amor

 A               B7    
Tens um sabor / Bem do Brasil
E7                 A
Tens a alma cor de anil
  A7                     D          B7
Mulata, mulatinha, meu amor / Fui nomeado
                   E7
Teu tenente interventor 

ESTRIBILHO

   A               B7
Quem te inventou / Meu pancadão
   E7             A
Teve uma consagração.....
    A7                     D
A lua te invejando fez careta
          B7                     E7
Porque mulata, tu não és deste planeta 

ESTRIBILHO

  A               B7
Quando meu bem / Vieste à terra
E7                  A
Portugal declarou guerra
         A7                  D
A concorrência então foi colossal
          B7                      E7
Vasco da Gama contra o batalhão naval 


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Mário Reis: Uma Andorinha Não Faz Verão

Esta andorinha teve dois verões. O primeiro em 1931, com letra e música de João de Barro, gravada por Alvinho, e o segundo em 1934, quando Lamartine Babo entrou na parceria e a marchinha tornou-se sucesso na voz de Mário Reis.

A reunião dos dois maiores autores de marchas carnavalescas deu-se por iniciativa de Lamartine que, admirador do refrão ("Vem moreninha / vem tentação / não andes assim tão sozinha / que uma andorinha / não faz verão"), propôs a Braguinha fazer uma nova segunda parte.

Proposta aceita, ele prontamente cumpriu a tarefa, apresentando música e letra que complementavam com perfeição o estribilho. Na verdade, as românticas estrofes originais eram boas, mas muito extensas. Lamartine preferiu compor versos mais carnavalescos, sobre uma melodia de oito compassos (o original tinha dezesseis), o que sem dúvida contribuiu para o sucesso.

Uma andorinha não faz verão (marcha/carnaval, 1934) - João de Barro e Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Uma andorinha não faz verão / Autoria: João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Reis, Mário (Intérprete) / Diabos do Céu (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1933 / Nº Álbum 33742 / Gênero musical: Marcha

(Am)

 Dm     Am               E7       A7
Vem moreninha      /    vem tentação
    Dm                Am
Não andes assim tão sozinha
             B7        E7   Am
Que uma andorinha não faz verão
                      Dm           E7
Dizem morena   /     Que teu olhar
                  Am
Tem correntes de luz que faz secar
  (Am)                            Dm
O povo anda dizendo  /  Que essa luz do teu olhar
   E7
A Light vai mandar cortar

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Almirante: Hino do Carnaval Brasileiro

Hino do Carnaval Brasileiro (marcha, 1939) - Lamartine Babo

Disco 78 rpm / Título da música: Hino do carnaval brasileiro / Autoria: Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Almirante, 1908-1980 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1938 / Nº Álbum 11692 / Gênero: Marcha

D
Salve a morena!
                         A7
A cor morena do Brasil fagueiro
Em
Salve o pandeiro!
            A7                     D
Que desce o morro pra fazer a marcação
F#  G   F#  Bm
São são são são
           F#
Quinhentas mil morenas
G                D          A7
Louras, cor de laranja, cem mil
D      F#m7/5- B7
Salve! Sal.....ve!
Em7      A7     D
Meu carnaval Brasil!

Salve a lourinha!
                                 A7
Dos olhos verdes, cor das nossas matas
Em
Salve a mulata!
         A7                      D
Cor de café, a nossa grande produção
F#  G   F#  Bm
São são são são
           F#
Quinhentas mil morenas
G                D          A7
Louras, cor de laranja, cem mil
D      F#m7/5- B7
Salve! Sal.....ve!
Em7      A7     D
Meu carnaval Brasil!

domingo, 2 de outubro de 2022

Carlos Galhardo: Mais Uma Valsa, Mais Uma Saudade

Carlos Galhardo
Mais uma valsa, mais uma saudade (valsa, 1937) - Lamartine Babo e José Maria de Abreu

Disco 78 rpm / Título: Mais uma valsa... mais uma saudade / Autoria: Abreu, José Maria de, 1911-1966 (Compositor) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 18/06/1937 / Nº Álbum 34200 / Gênero musical: Valsa


-----D -----------------------------
Mais uma valsa / Mais uma saudade
----------D------- Eb°----- A7
De alguém que não me quis
Em---------------------------- Bb7 ---A7------- Em ---A7/5+---- D

Vivo cantando a sós pela cidade /------- Fingindo---- ser---- feliz

D7 -----------------------------G-------- E7
Fiz das lembranças uma coleção nem sei
----------------------------------Em------ A7
Quantas palavras no meu coração gravei
-----D -------------------------C7--- B7
Mais uma valsa / Mais uma saudade
-------Em----------- A7 ---------D
Saudade que nos vem de alguém

sábado, 1 de outubro de 2022

Francisco Alves: Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda

O irreverente Lalá - Lamartine Babo, 1949, Coleção Jorge Murad, Acervo MIS.

Admirador da opereta, Lamartine Babo teria por certo se dedicado ao gênero se houvesse nascido na Europa no século XIX. Daí a presença, em sua obra, de composições como "Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda", que ele pretendia incluir numa opereta inacabada, intitulada "Viva o Amor". Compositor e letrista, como Lamartine, Francisco Matoso é o autor da bela melodia desta valsa.

Segundo Almirante, Matoso mostrou-a, ainda sem letra, a Lamartine, que se apaixonou pela canção. Convidado a concluí-la, modificou algumas notas, como era de seu feitio, e colocou uma letra tão adequada que a composição ficou parecendo ser de autoria de uma só pessoa. "Eu Sonhei Que Tu Estavas Tão Linda" foi lançada por Francisco Alves em outubro de 41. Na ocasião, Matoso se encontrava bastante enfermo (morreria em 14.12.41, aos 28 anos de idade), não chegando a conhecer o seu sucesso.

Eu sonhei que tu estavas tão linda - (valsa, 1941) - Lamartine Babo e Francisco Matoso

Disco 78 rpm / Título da música: Eu sonhei que tu estavas tão linda! / Autoria: Matoso, Francisco (Compositor) / Babo, Lamartine, 1904-1963 (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Fon-Fon, 1908-1951 (Acompanhante) / Orquestra Odeon (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1941 / Nº Álbum 12051 / Gênero musical: Valsa


D    Em             A7         D7+ D#°
Eu sonhei que tu estavas tão linda
Em       A7      D7+
Numa festa de raro esplendor
F#m       C#7          F#m
Teu vestido de baile lembro ainda
A             E7        A   A7
Era branco, todo branco, meu amor
D                       D
A orquestra tocou uma valsa dolente
Tomei-te aos braços
B7
Fomos dançando
Em   B5+/7
Ambos silentes
Em        B5+/7        Em
E os pares que rodeavam entre nós
D
Diziam coisas
Ab7
Trocavam juras
D/F# D
A meia voz
        D
Violinos enchiam o ar de emoções
B7          Em
De mil desejos uma centena de corações
G            Gm
Pra despertar teu ciúme
F#m7            Bm
Tentei flertar alguém
Em        A7        F#m5-/7 B7
Mas tu não flertaste ninguém
Em            Gm
Olhavas só para mim
F#m7             Bm
Vitória de amor cantei
Em            A7          D
Mas foi tudo um sonho... acordei!

Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.