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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Nara Leão: Opinião

João do Vale, Nara Leão e Zé Keti no Show Opinião.
Além do título de uma peça que, como foi dito, reuniu no palco Nara Leão, Zé Kéti e João do Vale, o samba “Opinião” inspirou os nomes de um jornal, de um teatro, do grupo que encenou a peça e do segundo elepê de Nara, lançado no final de 64.

Simbolizando uma resistência ao processo de remoção de favelas, que então executava o governo do Estado da Guanabara, “Opinião” é uma canção de protesto explícito (“Podem me prender / podem me bater / podem até deixar-me sem comer / que eu não mudo de opinião / daqui do morro eu não saio não...”), que, cantada numa época de forte repressão, funcionou como desafio à ditadura vigente.

Daí a razão do sucesso da composição e do musical, que instituiu um esquema de contestação ao regime, logo adotado por diversos grupos. Ano de prestígio máximo de Zé Keti 1965 foi marcado ainda pelos sucessos de seus sambas “Malvadeza Durão”, “Nega Dina” e “Acender as Velas” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Opinião (samba, 1965) - Zé Keti

LP/CD Show Opinião - Nara Leão, Zé Keti e João Do Vale / Título da música: Opinião / Zé Keti (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Zé Keti (Intérprete) / João Do Vale (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1965 / Catálogo: P-632.775-L / Faixa 19 / Gênero musical: Samba.


Tom: Em 
 
Em 
Podem me prender 
Am                Em 
Podem me bater 
Em       Am                  B7       Em 
Podem até deixar-me sem comer 
Em       Am                  B7       Em 
Que eu não mudo de opinião 
 
Em       Am                  B7       Em 
Daqui do morro eu não saio não 
Em       Am                  B7       Em 
Daqui do morro eu não saio não 
 
Em              Am               Em 
Se nao tem agua eu furo um poço 
               Am         Em       D7                  
Se nao tem carne  compro um osso 
                   B7 
E ponho na sopa  
                Em 
E deixo andar 
    B7          Em 
E deixo andar 
B7          Em 
E deixo andar 
 
B7                       D7 
Fale de mim quem quizer falar 
B7                      Em 
Aqui eu nao pago aluguel 
B7                       D7 
Se eu morrer amanha seu doutor 
B7                      Em 
Estou pertinho do céu 

Nara Leão: Diz Que Eu Fui Por Aí

Em seu elepê de estréia, Nara Leão surpreendeu o produtor Aloysio de Oliveira ao reunir os bossanovistas Baden Powell, Vinícius de Moraes e Carlos Lyra aos sambistas Cartola, Nelson Cavaquinho e Zé Keti, na época ignorados pelas gravadoras.

Mas apesar da desaprovação de alguns puristas, o disco deu certo, com a musa da bossa nova cantando a seu modo sambas como “O Sol Nascerá”, “Luz Negra” e este “Diz que Fui por Ai”, que trata da errante de um boêmio, com seu violão debaixo do braço, que pára em qualquer esquina, entra em qualquer botequim e, despreocupado, recomenda: “Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí.”

Complementando a ótima interpretação de Nara, esta faixa tem uma participação primorosa do violonista Geraldo Vespar (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Diz que eu fui por aí (samba, 1964) - Zé Keti e Hortêncio Rocha - Intérprete: Nara Leão

LP Nara / Título da música: Diz que eu fui por aí / Zé Keti (Compositor) / Hortêncio Rocha (Compositor) / Nara Leão (Intérprete) / Gravadora: Elenco / Ano: 1964 / Álbum: ME-10 / Lado A / Faixa 2 / Gênero musical: Samba.

A7+               A#º  Bm7  
Se alguém perguntar por mim  
                 E7/9    F#m7  
Diz que fui por aí  
              F#m7/E              Em7  A7/9  
Levando um violão /  Debaixo do braço  
D7+             Ebº     C#m7  
Em qualquer esquina eu paro  
                 F#7      Bm7  
Em qualquer botequim eu entro  
               E7  
E se houver motivo  
Gº                     F#7(b9)   Bm7  
É mais um samba que eu faço  
               E7          A7+           F#7  
Se quiserem saber / Se volto diga que sim  
  
         Bm7            E7         C#m7    F#7  
Mas só depois que a saudade se afastar de mim  
          Bm7           E7          A7+        A#º   Bm7  
Mas só depois que a saudade se afastar de mim  
  
             E7  
Tenho um violão  
               C#m7  
Pra me acompanhar  
               F#7  
Tenho muitos amigos  
            Bm7  
Eu sou popular  
              E7  
Tenho a madrugada  
          C#m7     F#7         Bm7  
Como companhei. . .ra  
              E7  
A saudade me dói  
                 C#m7  
Em meu peito me rói  
               F#7  
Eu estou na cidade  
               Bm7  
Eu estou na favela  
             E7  
Eu estou por aí  
                 A6  
Sempre pensando nela

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Dalva de Oliveira: Máscara Negra

Zé Kéti
Ainda prestigiado pelo sucesso do show “Opinião”, Zé Kéti ganhou o carnaval de 67 com a marcha-rancho “Máscara Negra”. Reproduzindo o lirismo suave que caracteriza o gênero, a composição trata do reencontro de um Pierrô com uma Colombina que conhecera no carnaval anterior.

E, ao contrário de outras canções inspiradas na commedia dell’arte, aqui é o Arlequim quem chora pelo amor de colombina: “Tanto riso / oh, quanta alegria / mais de mil palhaços no salão / arlequim está chorando pelo amor da Colombina / no meio da multidão.” Tendo acontecido numa época em que a música carnavalesca tradicional saía de moda, o sucesso de “Máscara Negra” pode ser considerado uma façanha.

A propósito, este sucesso chegou a gerar uma polêmica sobre a co-autoria da composição, que seria de Deusdedith Pereira Matos e não de seu irmão Hildebrando, conforme consta na edição. Mas, como os dois já haviam morrido na ocasião, a questão não teve maiores consequências, entrando “Máscara Negra” para o repertório de Dalva de Oliveira como um de seus últimos sucessos (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Máscara Negra (marcha / carnaval, 1967) - Zé Keti e Pereira Matos - Interpretação: Dalva de Oliveira

Compacto simples / Título da música: Máscara Negra / Zé Keti (Compositor) / Pereira Matos (Compositor) / Dalva de Oliveira (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1966 / Nº Álbum: 7B-197 / Lado A / Gênero musical: Marcha-rancho / Carnaval.

Tom: G  

         G       C#dim     G
Tanto riso, oh quanta alegria
              G#dim       Am
Mais de mil palhaços no salão
   C              D7           G           E7  
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina 
       Am    D7  G  ( D7 )
No meio da multidão

G          G#dim    Am                  D7
Foi bom te ver outra vez está fazendo um ano
                     G
Foi no carnaval que passou
      Bbº     Am               D7  
Eu sou aquele Pierrot que te abraçou 
          G        D7
   que te beijou, meu amor

G        G#dim       Am                  D7  
A mesma máscara negra que esconde o teu rosto 
                    Dm6 G E7
    eu quero matar a saudade
 Am     D7      G      E            Am     D7     E7
Vou beijar-te agora não me leve a mal hoje é carnaval
Am     D7       G      E           Am     D7         G
Vou beijar-te agora não me leve a mal hoje é carnaval