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domingo, 9 de outubro de 2022

Paulinho da Viola: Timoneiro

Timoneiro (samba, 1996) - Hermínio Bello de Carvalho e Paulinho da Viola - Interpretação: Paulinho da Viola

CD Bebadosamba / Título da música: Timoneiro / Hermínio Bello de Carvalho (Compositor) / Paulinho da Viola (Compositor) / Paulinho da Viola (Intérprete) / Gravadora: BMG Brasil / Ano: 1996 / Nº Álbum: 7432141789-2 / Faixa 2 / Gênero musical: Samba.

(intro) Bm B7 Em F#

(refrão)
       Bm             F#                      Bm
Não sou eu quem me navega  quem me navega e o mar   (2x)
  Bm           C#m7(b5)        F#       Bm
E ele quem me carrega  como se fosse levar   (2x)

                        Bm
E quanto mais remo mais rezo
   B7                 Em
Pra nunca mais se acabar
                A7                  D
Essa viagem que faz o mar em torno mar
                   F#
Meu velho um dia falou
                   Bm
Com seu jeito de avisar
                      C#m7(b5)
Olha, o mar não tem cabelos
             F#      Bm
Que a gente possa agarrar

                     B7                   Em
Timoneiro nunca fui que eu não sou de velejar
                 A7                       D
O leme da minha vida Deus e quem faz governar
F#                                             Bm
E quando alguém me pergunta como se faz pra nadar
D7                   C#7            F#       Bm
Explico que eu não navego quem me navega e o mar

                        B7                 Em
A rede do meu destino parece a de um pescador
                A7                     D
Quando retorna vazia vem carregada de dor
F#                                      Bm
Vivo num redemoinho Deus bem sabe o que faz
              C#m7(b5)     F#
A onda que me carrega ela mesma
            Bm
E quem me traz

Elizeth Cardoso: Sei Lá Mangueira

Este samba nasceu de uma visita, talvez a primeira, de Hermínio Bello de Carvalho ao ponto mais alto do Morro da Mangueira, ciceroneado por Cartola e Carlos Cachaça. Ao ver lá de cima e em tão ilustre companhia o belo panorama o poeta emocionou-se e compôs este canto de amor à sua escola: “Vista assim do alto / mais parece o céu no chão / sei lá / em Mangueira a poesia / feito um mar que se alastrou / e a beleza do lugar / pra se entender / tem que se achar / (... / sei lá, não sei / sei lá, não sei não / a Mangueira é tão grande / que nem cabe explicação...”

Mais tarde, em casa, Hermínio concluía o poema, quando chegou Paulinho da Viola, que achou os versos ótimos e fez a melodia na hora. O que Paulinho, portelense ferrenho, não gostou foi da inscrição de “Sei Lá Mangueira” no IV Festival da MPB da TV Record, feita pelo parceiro em atenção a um pedido do jornalista Flávio Porto, irmão de Sérgio Porto. Mas, no final deu tudo certo, pos a música. Embora não tenha alcançado boa classificação, acabou indiretamente causando a feitura de outra obra-prima, o samba “Foi um Rio que Passou em Minha Vida” (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Sei Lá Mangueira (samba, 1968) - Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho - Interpretação: Elizeth Cardoso

LP A Bossa Eterna De Elizeth E Cyro - Vol. 2 - Elizeth Cardoso e Cyro Monteiro / Título da música: Sei Lá Mangueira / Paulinho da Viola (Compositor) / Hermínio Bello de Carvalho (Compositor) / Elizeth Cardoso (Intérprete) / Caçulinha e Seu Conjunto (Part.) / Gravadora: Copacabana / Ano: 1969 / Nº Álbum: CLP 11559 / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Samba / MPB.

A7M               E7           A7M 
 (Mangueira teu cenário é uma beleza  
         F#7         Bm7  
 Que a Natureza criou)  
  A7M  
 Vista assim do alto  
       F#7             Bm7  
 Mais parece um céu no chão 
 Sei lá  
 Em Mangueira a poesia  
          F#7       Bm7 
 Feito um mar se alastrou  
      E7         A7M  
 E a beleza do lugar  
 Prá se entender  
                Bm7  
 Tem que se achar 
                    E7 
 Que a vida não é só isso que se vê  
               A7M  
 É um pouco mais 
                              
 Bm7                E7          A7M       
 Que os olhos não conseguem perceber 
      Bm7  
 E as mãos não ousam tocar  
      
            E7        A7M  
 E os pés recusam pisar 
  A7M  
 Sei lá, não sei  
    Bm7  
 Sei  lá, não sei não  
 Não sei se toda a beleza  
 De que lhes falo  
         E7                A7M  
 Sai tão somente do meu coração 
 Em Mangueira a poesia  
                 
                F#7       Bm7  
 Num sobe-desce constante 
                    E7  
 Anda descalça ensinando 
                          A7M  
 Um novo jeito da gente viver 
 De pensar , de sonhar , de sofrer  
 Sei lá, não sei  
    F#7  
 Sei lá, não sei não  
                       Bm7  
 A Mangueira é tão grande 
  E7                 A7M 
 Que nem cabe explicação

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Cartola: Alvorada

A dupla de patriarcas do samba Cartola (Angenor de Oliveira) e Carlos Cachaça (Carlos Moreira de Souza) foi fundamental para a formação das escolas e fixação dos padrões rítmicos do próprio samba. Grandes amigos, casados com duas irmãs, estes pioneiros, além de contribuírem para que o samba se livrasse da herança do maxixe, são responsáveis pela incorporação ao gênero de um texto que não existia nas letras primitivas de seus contemporâneos. Isso, para não falar da importância dos dois na formação e desenvolvimento da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, à qual seus nomes e suas músicas estão intrinsecamente ligados.

A história de “Alvorada” começou numa madrugada, quando Cartola e Cachaça, descendo o morro do Pendura a Saia, sentiram-se impressionados com os primeiros raios de sol que iluminavam o cenário, contrastando a beleza da cena com o sofrimento dos moradores do lugar. Fizeram, então, a primeira parte do samba: “Alvorada lá no morro que beleza / ninguém chora, não há tristeza / ninguém sente dissabor / o sol colorindo é tão lindo, é tão lindo / e a natureza sorrindo / tingindo, tingindo a alvorada.”

A segunda parte surgiu na casa de Hermínio Bello de Carvalho, onde tinham ido para completar a composição. Hermínio fez a letra, enquanto Cartola compunha a melodia na hora. Em suas primeiras gravações, com Odete Amaral e Clara Nunes, o samba saiu com o título de “Alvorada no Morro”. Depois, inclusive nas gravações de Cartola e Carlos Cachaça, o nome foi simplificado para “Alvorada”. Detalhe curioso é que essas duas figuras fariam os seus primeiros elepês na velhice, Cartola aos 65 anos e Cachaça aos 74, sendo ambos os discos realizados por iniciativa de um mesmo produtor, J. C. Botezeli, o Pelão (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Alvorada (samba, 1968) - Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho

LP Cartola / Título da música: Alvorada / Cartola (Compositor) / Carlos Cachaça (Compositor) / Hermínio Bello de Carvalho (Compositor) / Cartola (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1974 / Nº Álbum: MPL 9302 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / MPB.


Gm          C7           F
Alvorada lá no morro que beleza
    Ab°                   Gm
Ninguém chora, não há tristeza
     C7             F
Ninguém sente dissabor
          Cm
O sol colorindo
        D7           G7
É tão lindo, é tão lindo
                Bbm       C7        F   (D7)
E a natureza sorrindo tingindo tingindo
  E7                        Am
Você também me lembra a alvorada
        F7         Bb
Quando chega iluminando
        F7            Bb
Meus caminhos tão sem vida
            Gm          C7
E o que me resta é bem pouco
      Cm          D7
Quase nada de que ir assim
  Gm    C7                 F
Vagando    numa estrada perdida
    D7
Alvorada ..... (voltar ao estribilho)