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segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Lan e os Músicos de 1950



Lançou "Aquarela do Brasil" e chamou o Brasil de "mulato inzoneiro". O Flávio Cavalcanti disse que isso é a mesma coisa que "mestiço intrigante" e o mineiro de Ubá ficou louco da vida. O Flávio até tentou se desculpar, indo na casa dele. O Ary comprou um cão policial e o deixou na frente de sua casa para esperar.... Ao lado Araci de Almeida, comemorando seu aniversário, na ocasião, em São Paulo, e o próprio Governador (que não fora convidado) disse: "Vim pessoalmente apertar a mão da maior cantora popular do Brasil”. Araci sorriu encabulada e respondeu sincera: “Governador, isto são lantejoulas de sua parte”.



Herivelto sofre o complexo do apito. Quando o “Praça Onze” agradou, ele castigou logo em seguida o “Laurindo”, aquele que dizia assim: — Laurindo, pega o apito... etc., etc. Laurindo sumiu e o apito ficou com Herivelto... Maysa (Perdi meu pente) Matarazzo é Bonjardim de nascença. Um dia houve uma festa para os melhores do rádio. Maysa foi convidada, Andrezinho Matarazzo acompanhou-a e, quando deu com o ambiente exclamou para si mesmo: — Eu salto aqui! Para encerrar, mais duas charges dessa época: Pixinguinha e José Vasconcelos...




Fonte: Dicionário Ilustrado — Texto de Stanislaw Ponte Preta — Desenho de Lan — Jornal "Última Hora"

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Maria Helena Raposo: É Luxo Só

Ary Barroso compõe ao piano. O artista deu dimensão internacional à música popular do Brasil.

É luxo só (samba, 1957) - Ary Barroso e Luiz Peixoto

Disco 78 rpm / Título da música: É luxo só / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Peixoto, Luiz (Compositor) / Raposo, Maria Helena (Intérprete) / Coral (Acompanhante) / Orquestra (Acompanhante) / Severino Filho (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Mocambo, Indefinida / Nº Álbum 15179 / Gênero musical: Samba


----C7+--------- A7/5+ ----------Dm7
Olha / Essa mulata quando samba
----------A7
É luxo só
------Dm7--- G7 ------------Dm7 ---G7------ C7+----- Dm7
Quando /----- Todo seu corpo se embalança
----------Em7 --------Gm7 -------A7/5+
É luxo só / -------Tem
-----------------------------Dm7
Um não sei o quê -----que faz ------a confusão
Fm7 -----G7 ----------------------C7+
O / ---------Que ela não tem, meu Deus
------------Dm7----- Em7 ---------F/G
É compaixão /-------- Eta mulata bamba

---C7+ -------------A7/5+------- Dm7------- A7
Olha / Essa mulata quando dança
----------Dm7 ---A7 -------Dm7------- G7
É luxo só / --------Quando
----------------C7+ ----------Dm7
Todo seu corpo se embalança
----------Em7 -----------A7
É luxo só / --------Porém
--------------------Dm7
Seu coração quando se agita
--------Gb0 ---------C7+
E palpita mais ligeiro
-------A7/5+ ---Dm7--- G7------ C7+
Nunca vi compasso tão brasileiro

----------------Dm7------ Em7
Êta samba cai -----pra lá -----cai pra cá
----------Dm7 --------------C7+ -----------A7/5+
Cai pra lá -----cai cá / Mexe com as cadeiras
------Dm7------- G7------- C------------- G7
Mulata / Seu requebrado me maltrata

sábado, 24 de setembro de 2022

Moraes Neto: Isto Aqui, o Que É?

Moraes Neto
Isto Aqui, o que É? (samba, 1942) - Ary Barroso

Disco 78 rpm / Título da música: Isto aqui o que é / Barroso, Ary (Compositor) / Moraes Neto (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1941 / Álbum 12112 / Gênero: Samba


      A7+
Isto aqui ô ô
        Cº          Bm7
É um pouquinho de Brasil, Iaiá
        E7/13               D/E
Deste Brasil que canta e é feliz
 E7/13   A7+ C#m5-/7
Feliz, feliz
 F#7/9-                   Bm7 Dm7
É também um pouco de uma raça
                      A7+
Que não tem medo de fumaça ai, ai
 Bm7       E7/13 A7+ F#7/9- Bm7 E7/9-
E não se entrega não
                     Cº                 Bm7
Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
            E7/9                A7+
Olha só o remelexo que ela sabe dar
                     Cº                 Bm7
Olha o jeito nas cadeiras que ela sabe dar
 Cº     Bm7        E7   C#m5-/7
Morena boa que me faz penar
         F#7/9-      Bm7
Bota a sandália de prata
            E7/9  A7+
E vem pro samba sambar
 Cº     Bm7        E7   C#m5-/7
Morena boa que me faz penar
         F#7/9-      Bm7
Bota a sandália de prata
           E7/13  A7+
E vem pro samba sambar

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Aquarela do Brasil: Um hino!

Ary Barroso compôs Aquarela do Brasil no início de 1939, numa noite de chuva torrencial, que o obrigou a ficar em casa, contrariando seus hábitos. Antes que a chuva terminasse, ainda teve inspiração para compor outra obra prima, a valsa "Três lágrimas".

Quase vinte anos depois, ele mesmo descreveria a criação de Aquarela do Brasil, em entrevista à jornalista Marisa Lira, do Diário de Notícias: "Senti iluminar-me uma idéia: a de libertar o samba das tragédias da vida, (...) do cenário sensual já tão explorado. Fui sentindo toda a grandeza, o valor e a opulência de nossa terra. (...) Revivi, com orgulho, a tradição dos painéis nacionais e lancei os primeiros acordes, vibrantes, aliás. Foi um clangor de emoções. O ritmo original (...) cantava na minha imaginação, destacando-se do ruído da chuva, em batidas sincopadas de tamborins fantásticos. O resto veio naturalmente, música e letra de uma só vez. Grafei logo (...) o samba que produzi, batizando de ‘Aquarela do Brasil'. Senti-me outro. De dentro de minh'alma extravasara um samba que eu há muito desejara. (...) Este samba divinizava, numa apoteose sonora, esse Brasil glorioso."

Exageros à parte, "Aquarela do Brasil" é mais ou menos isso que Ary Barroso pretendeu fazer: uma declaração de amor ao Brasil, através de uma bela composição. É também a obra mais representativa da grande fase de sua carreira (1938-1943), em que ele completa um processo de refinamento de seu repertório, incorporando-lhe requintes até então inusitados em nossa música popular. E como foi preferencialmente um compositor de samba, é neste gênero que melhor empregará esses requintes, de forma especial nos chamados sambas-exaltação, um novo tipo de música do qual é inventor e "Aquarela do Brasil", o paradigma. Já mostra no que o gênero ofereceria em qualidades e defeitos, esta composição sintetiza suas características fundamentais: os versos enaltecedores de nosso povo, sas paisagens, tradições e riquezas naturais, a melodia forte, sincopada, sonoridades brilhantes tudo isso mostrado num crescendo, do prólogo ao final apoteótico, que procura transmitir uma visão romântica e ufanista.

"Aquarela do Brasil" foi lançada por Araci Cortes em 10.06.39, na revista Entra na Faixa, de Ary e Luís Iglesias. Inadequada à voz da cantora, não fez sucesso. Um mês e meio depois, voltou a ser apresentada, desta vez de forma destacada, pelo barítono Cândido Botelho no espetáculo "Joujoux e Balangandãs". Sua primeira gravação aconteceria em seguida (18.08) por Francisco Alves, acompanhado por orquestra que executava um arranjo de Radamés Gnattali, grandiloqüente como exigia a composição. Com esta gravação iniciava-se sua monumental discografia que incluiria figuras como Sílvio Caldas, Antônio Carlos Jobim, Radamés Gnattali, Elis Regina, Gal Costa, João Gilberto, Caetano Veloso, o próprio Ary Barroso, as orquestras de Xavier Cugat, Morton Gould, Ray Conniff, Tommy e Jimmy Dorsey e os superastros Bing Crosby e Frank Sinatra.

A carreira internacional de "Aquarela do Brasil" começou por Hollywood em 1943, quando Walt Disney a incluiu no filme "Alô Amigos" ("Saludo Amigos"), com o título de "Brazil" e versos em inglês de S. K. Russell. No mesmo ano, gravada por Xavier Cugat, fez grande sucesso nos Estados Unidos, aonde chegou a ultrapassar a marca de um milhão de execuções. A partir de então, popular no Brasil e no exterior, se consagraria como uma espécie de segundo hino de nossa nacionalidade. Longe de prever todas essas glórias, Ary Barroso inscreveu "Aquarela do Brasil" no concurso de sambas para o carnaval de 1940, vencido por "Ò seu Oscar" (1°), "Despedida de Mangueira" (2°) e "Cai, cai" (3°). Considerando-se injustiçado, Ary rompeu com Villa-Lobos, presidente da comissão julgadora, com quem só se reconciliaria em 1955.

Aquarela do Brasil (samba, 1939) - Ary Barroso

Título: Aquarela do Brasil (I) / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Radamés e Sua Orquestra (Acompanhante) / Disco Odeon 11768-a / Nº da matriz: 6179 / Gravação: 18/Agosto/1939 / Lançamento: Outubro/1939 / Gênero musical: Cena Brasileira.



Título: Aquarela do Brasil (II) / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Alves, Francisco (Intérprete) / Radamés e Sua Orquestra (Acompanhante) / Disco Odeon 11768-b / Nº da matriz: 6180 / Gravação: 18/Agosto/1939 / Lançamento: Outubro/1939 / Gênero musical: Cena Brasileira.



Título: Aquarela do Brasil / Autoria: Barroso, Ary (Compositor) / Caldas, Silvio (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Disco Victor, 1942 / Nº Álbum 34949 / Gênero: Samba

G6(9)
Brasil!
                
Meu Brasil brasileiro
               G6(9)
Meu mulato inzoneiro
                       F7    E7
Vou cantar-te nos meus ver...sos
Am7          D7(9)     Am7
   O Brasil, samba que dá
           D7(9)      Am7
Bamboleio, que faz gingar
          D7(9)   Am7
Ó Brasil, do meu amor
         D7(9)   G    Em7
Terra de Nosso Senhor
   Am7  D7(9) G    Em7
Brasil!    Brasil!
    Am7  D7(9)  G    G5+   G6   G5+
Pra mim,    pra mim
G  G5+  G6           G5+        Am   Am5+  Am6
Ó          abre a cortina do passado
           Am5+        Am   Am5+  Am6
Tira a mãe preta do serrado
           Am5+        G    G5+  G6
Bota o rei congo no congado
    Am  Am5+  Am6
Brasil!
    G   G7  F#7  F7
Brasil!
 E    F  E           F           E   F  E
Deixa      cantar de novo o trovador
       F            E   F  E
A merencória luz da lua
        E7          Am   Am5+  Am6  Am5+
Toda canção do meu amor
Am    Am5+  Am6          Am7(b5)  Bm7
Quero           ver a Sá Dona caminhando
G          Em7       A7
   Pelos salões arrastando
Am7         D7(9)   G    Em7
   O seu vestido rendado
   Am7  D7(9) G    Em7
Brasil!    Brasil!
    Am7  D7(9)  G    G5+   G6   G5+
Pra mim,    pra mim
   G6(9)
Brasil!
               
Terra boa e gostosa
             G6(9)
Da morena sestrosa
               F7    E7
De olhar indiferen...te
Am7          D7(9)     Am7
   O Brasil, samba que dá
           D7(9)      Am7
Bamboleio, que faz gingar
          D7(9)   Am7
Ó Brasil, do meu amor
         D7(9)   G    Em7
Terra de Nosso Senhor
   Am7  D7(9) G    Em7
Brasil!    Brasil!
    Am7  D7(9)  G    G5+   G6   G5+
Pra mim,    pra mim
G  G5+  G6       G5+           Am   Am5+  Am6
O         esse coqueiro que dá côco
          Am5+          Am   Am5+  Am6
Oi, onde amarro a minha rede
           Am5+        G   G5+  G6
Nas noites claras de luar
    Am  Am5+  Am6
Brasil!
    G   G7  F#7  F7
Brasil!
E  F  E       F           E      F  E
Oi      estas fontes murmurantes
           F            E    F  E
Oi onde eu mato a minha sede
         E7          Am   Am5+  Am6  Am5+
E onde a lua vem brincar
Am  Am5+  Am6         Am7(b5)        Bm7
O,            esse Brasil lindo e trigueiro
G             Em7      A7
   É o meu Brasil brasileiro
Am7         D7(9)      G    Em7
   Terra de samba e pandeiro
   Am7  D7(9) G    Em7
Brasil!    Brasil!
    Am7  D7(9)  G    G5+   G6   G5+
Pra mim,    pra mim


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.