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domingo, 2 de outubro de 2022

Gastão Formenti: Hula

Joubert de Carvalho
Hula (valsa, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Hula / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Mariano, Olegário, 1889-1958 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1929 / Nº Álbum 12982 / Gênero musical: Valsa


Ao teu olhar meu coração se incendeia
Abrindo em luz as candeias do amor
Mas quem sabe se o tempo faz apagar
A maldição da minha dor ...

Hula, Hula
Fala baixinho
E deixa seguir meu caminho
Hula, Hula
Como padeço
Humilhado porque não te esqueço
Tudo na vida eu farei
Para dar-te um dia
Um beijo que nunca te dei ...

O meu perdão
Tu não terás nessa vida
Porque malvada és, fingida demais
O que punge mais fundo
É a recordação de um tempo bom
Que não vem mais ...

Hula, Hula
Tenho desfeito teu sonho
Cá dentro do peito
Hula, Hula
Quanta saudade
Meus olhos parados invade
Como eu seria feliz se esquecer pudesse
O bem que na vida te quis ...

Gastão Formenti: Zíngara

Gastão Formenti
Zíngara (canção-rumba, 1931) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Zíngara / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Mariano, Olegário (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1931 / Nº Álbum 33469 / Lado B / Gênero musical: Canção



Vem, ó cigana bonita / Ver o meu destino
Que mistérios tem / Tu com os olhos
De quem vê no acaso / O amor da gente
Põe nas minhas mãos / O teu olhar ardente
E procura desvendar / No meu segredo a dor,
Cigana, do meu amor.


Mas nunca digas, / Ó zíngara,
Que ilusão me espera, / Qual o meu futuro.
Só àquela por quem / Vou vivendo assim à toa
Tu dirás se a sorte / Será má ou boa
Para que ela venha / Consolar-me um dia a dor
Cigana, do meu amor.

Paulo Tapajós: De Papo Pro Á

Joubert de Carvalho
Em 1931, os românticos Joubert de Carvalho e Olegário Mariano realizaram uma incursão na área sertaneja com o cateretê "De Papo pro Á". A composição expõe com muita graça a "filosofia" de um caipira esperto que leva a vida pescando e "tocando viola de papo pro á".

Curiosamente, este cateretê vem pelos anos afora sendo cantado com um erro na letra. O fato foi descoberto nos anos cinqüenta pelo pesquisador Paulo Tapajós, que estranhava os versos: "Se compro na feira feijão, rapadura / pra que trabalhar?". Quem compra geralmente trabalha... Foi o próprio Olegário quem lhe esclareceu: "o verso correto é 'se ganho na feira feijão, rapadura'. Acontece que, na primeira gravação, Gastão Formenti cantou 'se compro', cristalizando-se o erro a partir desse disco".

De Papo Pro Á (cateretê, 1931) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano - Interpretação: Paulo Tapajós ("Luar do Sertão - Músicas de Catulo e Joubert", Fontana, 1972)


E
Não quero outra vida
                       B7
Pescando no rio de Gereré
Tem peixe bom
Tem siri patola
            E
De dá com o pé
             B7
Quando no terreiro
Faz noite de luá
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
            E B7 E B7 E
De papo pro á

Se compro na feira
Feijão, rapadura,
              B7
Pra que trabaiá
Eu gosto do rancho
O homem não deve
        E
Se amofiná

(refrão)


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Gastão Formenti: Tutu Marambá

Em 1929 Joubert de Carvalho mostrou para Olegário Mariano as melodias para dois poemas seus, o Cai, cai, balão e Tutu Marambá, gravadas por Gastão Formenti, dando início a uma parceria de 24 composições.

Tutu Marambá (canção, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Tutu Marambá / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Mariano, Olegário, 1889-1958 (Compositor) / Formenti, Gastão (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Álbum número 10333 / Lançamento: 1929 / Lado A / Gênero musical: Canção


Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...

No seu berço de renda
Com brocardo de oiro
Os olhinhos redondos
De espanto e alegria!
Ele olha a vida
Como quem olha um tesoiro
Meu filho
É o mais lindo dessa freguesia!

O filho da coruja
A boquinha em rosa
A mãozinha suja
Com os dedinhos gordos
Já dá adeus!

Fala uma língua que ninguém compreende
Toda a gente que o vê se surpreende
Tão bonitinho
Benza Deus!

É redondo
Como uma bola
O seu polichinelo
Como um grande riso
É a única cousa que o consola:
Meu filho é o meu melhor sorriso...

De noite clara
Anda lá fora
O luar entra no quarto mais lindo
Com a expressão angélica de beijar
Roça o berço
O menino está dormindo
Então a voz de maldizente
Vai cantando maquinalmente:

Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...