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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Carlos Galhardo: Saudades de Matão

Raul Torres
Até 1920, quando Saudades de Matão já se tornara bem conhecida, pouco se sabia sobre sua autoria, sendo por alguns considerada tema popular. Então, através da revista A Lua, de São Paulo, Jorge Galati foi identificado como autor da composição (na foto: Raul Torres que fez a letra da valsa).

Nascido na província de Catanzaro (Itália) cm 1885, ele chegou ao Brasil cinco anos depois, quando a família transferiu-se da Europa para São Carlos do Pinhal (SP). Daí em diante, até sua morte em 1969, viveria em diversas cidades paulistas sempre levado por suas atividades musicais.

Assim, após estudar música em São José do Rio Pardo, já exercia com apenas 19 anos a função de mestre da Banda Ítalo-Brasileira de Araraquara. Foi aí, em 1904, que compôs a celebre valsa, originalmente intitulada Francana e que depois, à sua revelia, passou a chamar-se Saudades de Matão. A troca do título aconteceu por volta de 1912, sendo responsável pela mudança Pedro Perches de Aguiar, na época músico em Taquaritinga.

Em 1949, quando Saudades de Matão transformada em sucesso nacional já rendia bons dividendos artísticos e pecuniários, o mesmo Perches resolveu reivindicar sua autoria, estabelecendo-se grande polêmica na imprensa e no rádio.

O assunto mereceu de Almirante rigorosa pesquisa, havendo em seu arquivo variada documentação a favor de Jorge Galati. Há, por exemplo, uma declaração, registrada em cartório, do Sr. Pio Corrêa de Almeida Morais, prefeito de Araraquara em 1904, que afirma ter ouvido muitas vezes naquele ano Galati interpretar a valsa Francana.

Mas, segundo Galati, apareceram ainda no decorrer do tempo outros pretendentes à autoria da valsa, como Antonio Carreri, José Carlos Piedade, Protásio Tomás de Carvalho, José Stabile e Antenógenes Silva, sendo que este último registrou um arranjo sobre o tema popularizada como peça instrumental, Saudades de Matão recebeu letra de Raul Torres em 1938.

Saudades de Matão (valsa, 1904) - Jorge Galati, Antenógenes Silva e Raul Torres - Interpretação: Carlos Galhardo



-------------G--------------- D7--------------------------G
Neste mundo eu choro a dor / Por uma paixão sem fim
--------------------------D7------------------------------- G
Ninguém conhece a razão / Porque eu choro tanto assim
-------------------------D7-------------------- G
Quando lá no céu surgir / Uma peregrina flor
G7-------------------- C--------------------- D7---------------------- G
Pois todos devem saber / Que a sorte me tirou foi uma grande dor
---------D7--------- G---------- D7----------------------- G
Lá no céu junto a Deus / Em silêncio minh’alma descansa
--------D7------------- G
E na terra, todos cantam
---------C----------------- D7---------------------G ----- G7
Eu lamento minha desventura nesta grande dor
C---- G7------- C------------------------ G7
Ninguém me diz / Que sofreu tanto assim
------------------------------------------C------------------ C7
Esta dor que me consome / Não posso viver / Quero morrer
---------------------------------F
Vou partir prá bem longe daqui
------------------------C----- G7------- C
Já que a sorte não quis / Me fazer feliz.



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

Raul Torres e Florêncio: Pingo D'Água


Pingo d'água (toada, 1944) - João Pacífico e Raul Torres - Intérprete: Raul Torres e Florêncio

Disco 78 rpm / Título da música: Pingo D'Água / Raul Torres (Compositor) / João Pacífico (Compositor) / Raul Torres e Florêncio (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1944 / Álbum: 80-0203 / Lado B / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo / Gravação indisponível.

LP Cavalo Zaino - Raul Torres e Florêncio / Título da música: Pingo D'Água / Raul Torres (Compositor) / João Pacífico (Compositor) / Raul Torres e Florêncio (Intérprete) / Gravadora: Chantecler / Ano: 1981 (Reedição de 1959) / Álbum: CLP 2011 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo:


Tom: G
(intro) ( G D7 G C D7 G )

            D7                           G
Eu fiz promessa pra que deus mandasse chuva
                     D7                 G
Pra cresce a minha roça e vingá as criação
              D7                 G
Pois veio a seca e matô meu cafesá
                  D7                G   ( G D7 G C D7 G )
Matô tudo meu arroz e seco tudo algodão

          D                    G
Nessa coieita meu carro ficô parado
                  D7                     G
Minha boiada carreira quasi morre sem pastá
           D7                           G
Eu fiz promessa que o primeiro pingo d'água
                    D                        G ( G D7 G C D7 G )
Eu moiava as frô da Santa que tava em frente do altá.

        D7                         G
Eu esperei uma semana, um mês inteiro.
                  D7                    G
A roça tava são seca, dava pena até de vê
         D7                      G
Oiava o céu, cada nuvem que passava.
              D7                              G ( G D7 G C D7 G )
Eu da santa me lembrava, pra promessa não esquecê

            D7                 G
Em pouco tempo a roça ficou viçosa
                 D7                      G
As criação já pastava, floresceu meu cafesá
          D7                           G
Fui na capela e levei treis "PINGO D'ÁGUA"
                     D7
Um foi o pingo da chuva...
                  G
Dois caiu do meu oiá...

Raul Torres e Serrinha: No Mourão da Porteira

Raul Torres-Serrinha
Mourão da porteira - Raul Torres e João Pacífico - Intérprete: Raul Torres e Serrinha

Disco 78 rpm / Título da música: No Mourão da Porteira / Raul Torres (Compositor) / João Pacífico (Compositor) / Raul Torres e Serrinha (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1942 / Álbum: 12.122 / Lado B / Gênero musical: Regional / Sertanejo.


Tom: E 

  E                       B7
Lá no mourão esquerdo da porteira.
   A        B7           E
Onde encontrei você pra despedi.
                        B7
É uma lembrança minha derradeira.
       A        B7      E
É um versinho que eu nele escrevi
                        B7
Você eu sei passa esbarrando nele.
    A      B7           E
E a porteira bate pra avisá.
E                              B7
Você não lembra que sinal é aquele.
                 A     B7  E
E nem se quer se alembra de oiá.
E                            B7
Aqui tão longe eu pego na viola.
               A      B7     E
E aquele verso começo a cantá.
                             B7
Uma saudade é dor que não consola.
               A       B7      E
Quanto mais dói a gente quer lembrá.
E                              B7
Você talvez não sabe o que é saudade.
              A        B7      E
Uma lembrança você nunca sentiu.
                               B7
Pois esquecer as vêiz tenho vontade.
             A      B7      E
Essa vontade o meu peito feriu.
                       B7
No dia que doê seu coração.
             A     B7       E
De uma saudade que tanto sentiu.
                    B7
Você chorando passa no mourão.
           A       B7       E
E lê o verso que eu nele escrevi

Raul Torres e Serrinha: Meu Cavalo Zaino


Meu Cavalo Zaino (valsa sertaneja, 1939) - Raul Torres - Interpretação: Raul Torres e Serrinha

Disco 78 rpm / Título da música: Meu Cavalo Zaino / Raul Torres (Compositor) / Raul Torres e Serrinha (Intérprete) / Regional (Acomp.) / Gravadora: Victor / Ano: 1939 / Álbum: 34.478 / Lado A / Gênero musical: Valsa / Regional / Sertanejo


Tom: E

E
Eu tenho um cavalo zaino,
        A           E
que na raia é corredor.
 E
Ja correu quinze carreiras,
        A           E
todas quinze ele ganhou.
A
Eu solto na quadrimeira,
                  E
meu zaino vem no galope.
A
Chega três corpos na frente,
                 E
nunca precisa chicote.

(refrão)
B
Ooooi,
           E
que cavalo bom.
B
Ooooi,
           E
que cavalo bom.

E
Eu tenho um cavalo zaino,
       A            E
que na raia é corredor.
E
Ja correu quinze carreiras,
      A             E
todas quinze ele ganhou.
A
Quiseram comprar meu zaino
                    E
por trinta notas de cem.
A
Não há dinheiro que pague
                     E
o macho que eu quero bem.

(refrão)
E
Eu tenho um cavalo zaino,
       A            E
que na raia é corredor.
E
Ja correu quinze carreiras,
      A             E
todas quinze ele ganhou.
A
Um dia roubaram meu zaino,
                    E
fiquei sem meu paranheiro.
A
Meu zaino na mão de outro,
                    E
nunca mais chega primeiro.

(refrão)

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Cascatinha e Inhana: Colcha de Retalhos

Cascatinha-Inhana
Colcha de retalhos - Raul Torres - Interpretação: Cascatinha e Inhana

Disco 78 rpm / Título da música: Colcha De Retalhos / Raul Torres (Compositor) / Cascatinha e Inhana (Intérprete) / Gravadora: Todamérica / Ano: 1959 / Álbum: TA-5.803 / Lado B / Gênero musical: Regional / Sertanejo.


Tom: E

E
Aquela colcha de retalhos que tu fizeste
                                   B7
Juntando pedaço em pedaço foi costurada
Serviu para nosso abrigo em nossa pobreza
   E               B7                   E    E7
Aquela colcha de retalhos está bem guardada
  A
Agora na vida rica que estas vivendo
                               E
Terás como agasalho colcha de cetim
                                        B7
Mas quando chegar o frio no teu corpo enfermo
                                         E    B7
Tu hás de lembrar da colcha e também de mim
    E
Eu sei que hoje não te lembras dos dias amargos
                                     B7
Que junto de mim fizeste um lindo trabalho
E nessa sua vida elegre tens o que queres
    E                  B7                  E     E7
Eu sei que esqueceste agora a colcha de retalhos
  A
Agora na vida rica que estas vivendo
                               E
Terás como agasalho colcha de cetim
                                        B7
Mas quando chegar o frio no teu corpo enfermo
                                         E  B7  E
Tu hás de lembrar da colcha e também de mim

Raul Torres e Florêncio: Chico Mulato

Raul Torres
Chico Mulato (toada, 1937) - João Pacífico e Raul Torres - Interpretação: Raul Torres

Disco 78 rpm / Título da música: Chico Mulato / Raul Torres (Compositor) / João Pacífico (Compositor) / Raul Torres (Intérprete) / Raul Torres, João Pacífico e Sua Embaixada (Participantes) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1937 / Álbum: 34.196 / Lado B / Gênero musical: Toada / Regional / Sertanejo / A regravação abaixo é com Raul torres e Florêncio do LP "Cavalo zaino" de 1959 pela chantecler ClP-2.011:


Tom: C
Declamado: 
 
Na volta daquela estrada 
Bem em frente uma encruzilhada 
Todo ano a gente via / Lá no meio do terreiro 
A imagem do padroeiro / São João da Freguesia 
 
Do lado tinha a fogueira / Em redor a noite inteira 
Tinha caboclo violeiro / E uma tal de Terezinha 
Cabocla bem bonitinha / Sambava nesse terreiro 
 
Era noite de São João / Estava tudo no serão 
Estava Romão, o cantador / Quando foi de madrugada 
Saiu com Tereza pra estrada / Talvez, confessar seu amor 
 
Chico Mulato era o festeiro / Caboclo bom, violeiro 
Sentiu frio seu coração / Rancou da cinta o punhal 
E foi os dois encontrar / Era o rival, seu irmão 
 
Hoje na volta da estrada / Em frente àquela encruzilhada 
Ficou tão triste o sertão / Por causa de Terezinha 
Essa tal de caboclinha / Nunca mais teve São João  

C        G7          G#º        C/G
21 10 15 13 11 23 20 30 43 40 41 42 
     A/G Dm                    F  G  C 
21 10 15 13 11 10 13 11 23 20 32 20 21 
         G7 
10 11 12 13 
42 40 41 42
 
   C                   Dm 
Tapera de beira da estrada 
     G7              C 
Que vive assim descoberta 
     F                   G7 
Por dentro não tem mais nada 
            G/F   C      G7 
Por isso ficou deserta 
   C            Dm 
Morava Chico Mulato 
   G7            C 
O maió dos cantadô 
      F                 G7 
Mas quando Chico foi embora 
         G/F        C 
Na vila ninguém sambou 
   F            G7 
Morava Chico Mulato 
        G/F      C    G7 
O maió dos cantadô. 
 
   C               Dm 
A causa dessa tristeza 
   G7             C 
Sabida em todo lugar 
 F               G7 
Foi a cabocla Tereza 
            G/F      C    G7 
Com outro ela foi morar 
      C           Dm 
E o Chico acabrunhado 
    G7            C 
Largou até de cantar 
   F              G7 
Vivia triste e calado 
          G/F     C 
Querendo só se matar 
      F           G7 
E o Chico acabrunhado 
         G/F      C     G7 
Largou até de cantar. 
 
  C               Dm 
Emagrecendo o coitado 
    G7              C 
Foi indo até se acabar 
    F                G7 
Chorando tanto a saudade 
              G/F         C    G7 
De quem não quis mais voltar 
   C             Dm 
E todo mundo chorava 
   G7            C 
A morte do cantador 
     F 
Não tem batuque, 
     G7 
Nem samba 
         G/F      C 
Sertão inteiro chorou 
    F            G7 
E todo mundo cantava 
         G/F     C 
A morte do cantador. 

Raul Torres e Serrinha: Cabocla Tereza

Raul Torres-Serrinha
Cabocla Tereza - João Pacífico e Raul Torres - Interpretação: Raul Torres e Serrinha

Disco 78 rpm / Título da música: Cabocla Tereza / Raul Torres (Compositor) / João Pacífico (Compositor) / Raul Torres e Serrinha (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1940 / Álbum: 34.642 / Lado B / Gênero musical: Regional / Sertanejo.


Tom: A-D
Introd.:(E E/G# A A/C# E D C#m Bm A)

(E E/G# A A/C# E D C#m Bm A)-Solo

Lá no alto da montanha / Numa casa bem estranha
Toda feita de sapê / Parei uma noite o cavalo
Pra mode de dois estalos / Que ouvi lá dentro bater
Apeei com muito jeito / Ouvi um gemido perfeito
Uma voz cheia de dor: "Você, Tereza, descansa 
jurei de fazer vingança / pra mode do meu amor."
Pela réstia da janela / Por uma luizinha amarela
De um lampião apagando / Vi uma cabocla no chão
E um cabra tinha na mão / Uma arma alumiando
Virei meu cavalo a galope / Risquei de espora e chicote
Sangrei a anca do tal / Desci a montanha abaixo
E galopeando aquele macho / O seu doutor fui chamar
Voltemos lá pra montanha / Naquela casinha estranha
Eu e mais seu doutor / Topei um cabra assustado
Que chamando nós prum lado / A sua história contou

A D/A A D/A

    A        D         A
Há tempo eu fiz um ranchinho
                     E7
Pra minha cabocla morar
           D        E7
Pois era ali nosso ninho
     D     E7      A
Bem longe deste lugar
         D        A
No alto lá da montanha
                  E7
Perto da luz do luar
        D      E7
Vivi um ano feliz
     D    E7        A
Sem nunca isso esperar

Solo: G/B A/C# D G/D D G/D

D          G       D
  E muito tempo passou
                       A7
Pensando em ser tão feliz
         G        A7
Mas a Tereza, doutor
   G   A7       D
Felicidade não quis
               G       D
Pus meu sonho neste olhar
                   A7
Paguei caro o meu amor
             G        A7
Por causa de outro caboclo
     G         A7     D
Meu rancho ela abandonou

Solo: D A E7 A D/A A D/A

    A      D         A
Senti meu sangue ferver
                  E7
Jurei a Tereza matar
        D        E7
O meu alazão arriei
  D       E7       A
E ela eu fui procurar
       D        A
Agora já me vinguei
                  E7
É esse o fim deste amor
        D         E7
Essa cabocla eu matei
    D         E7       A
É a minha história, doutor

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Luiz Gonzaga: A Moda da Mula Preta

Por alguns anos o disco que mais dividendos rendeu a Luiz Gonzaga foi "A Moda da Mula Preta", um autêntico recordista de vendagem. E o surpreendente é que esta moda-de-viola nem inédita era na ocasião, pois já havia sido lançada por Raul Torres e Florêncio em 1945.

Recolhida do folclore mineiro pelo próprio Torres, a peça conta em quatro partes a história de uma certa mula, ensinada e manhosa, que morre no verso final picada por uma cobra. Só que a história é contada com muita graça - e aí esta a razão do sucesso - sobre uma melodia repetitiva, fácil de memorizar. "A Moda da Mula Preta" foi na época um dos raros casos de música sertaneja a fazer sucesso em todo o país.

A moda da mula preta (moda de viola, 1948) - Raul Torres

Disco 78 rpm / Título da música: Moda da mula preta / Autoria: Torres, Raul (Compositor) / Gonzaga, Luiz (Intérprete) / Acompanhamento (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 1948 / Nº Álbum 800580 / Gênero musical: Moda de viola



A ----------------------------------------------------E7
Eu tenho uma mula preta tem sete palmos de altura
----------------------------------------------A---- E----- A
A mula é descanelada, tem uma linda figura
-----------------------------------------------E7
Tira fogo na calçada no rampão da ferradura
--------------------------------------------A---- E------ A
Com morena delicada, na garupa faz figura
-------D ----------E7 --------------------A ------E7 ------A
A mula fica enjoada, pisa só de andadura
------------------------------------------E7
Ensino na criação vejo quanto ela regula
-------------------------------------------------A----- E----- A
O defeito do mulão se eu contar ninguém calcula
-------------------------------------------------E7
Moça feia e marmanjão na garupa a mula pula
-----------------------------------------------A
Chega a fazer cerração todo pulo desta mula
------------D --------E7 -------------------A---- E------ A
Cara muda de feição, sendo preto fica fula
-------------------------------------------------E7
Eu fui passear na cidade só numa volta que dei
-----------------------------------------------A------ E--------- A
A mula deixou saudade no lugar onde passei
--------------------------------------------------E7
Pro mulão de qualidade, quatro milhões injeitei
--------------------------------------------A------ E -------A
Pra dizer a verdade, nem satisfação eu dei
----------D ---------E7---------------------- A------ E ------A
Fui dizendo boa tarde pra minha casa voltei
-------------------------------------------------E7
Soltei a mula no pasto veja o que me aconteceu
---------------------------------------------A----- E------- A
Uma cobra venenosa a minha mula mordeu
--------------------------------------------------E7
Com o veneno desta cobra a mula nem se mexeu
-----------------------------------------------------A----- E ------A
Só durou umas quatro horas depois a mula morreu
---------D --------------E7 ----------------------A------ E------- A
Acabou-se a mula preta que tanto gosto
me deu


Fontes: Instituto Moreira Salles - Acervo musical; A Canção no Tempo - Volume 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

domingo, 2 de outubro de 2022

Carlos Galhardo: Saudades de Matão

Raul Torres
Até 1920, quando Saudades de Matão já se tornara bem conhecida, pouco se sabia sobre sua autoria, sendo por alguns considerada tema popular. Então, através da revista A Lua, de São Paulo, Jorge Galati foi identificado como autor da composição (na foto: Raul Torres que fez a letra da valsa).

Nascido na província de Catanzaro (Itália) cm 1885, ele chegou ao Brasil cinco anos depois, quando a família transferiu-se da Europa para São Carlos do Pinhal (SP). Daí em diante, até sua morte em 1969, viveria em diversas cidades paulistas sempre levado por suas atividades musicais.

Assim, após estudar música em São José do Rio Pardo, já exercia com apenas 19 anos a função de mestre da Banda Ítalo-Brasileira de Araraquara. Foi aí, em 1904, que compôs a celebre valsa, originalmente intitulada Francana e que depois, à sua revelia, passou a chamar-se Saudades de Matão. A troca do título aconteceu por volta de 1912, sendo responsável pela mudança Pedro Perches de Aguiar, na época músico em Taquaritinga.

Em 1949, quando Saudades de Matão transformada em sucesso nacional já rendia bons dividendos artísticos e pecuniários, o mesmo Perches resolveu reivindicar sua autoria, estabelecendo-se grande polêmica na imprensa e no rádio.

O assunto mereceu de Almirante rigorosa pesquisa, havendo em seu arquivo variada documentação a favor de Jorge Galati. Há, por exemplo, uma declaração, registrada em cartório, do Sr. Pio Corrêa de Almeida Morais, prefeito de Araraquara em 1904, que afirma ter ouvido muitas vezes naquele ano Galati interpretar a valsa Francana.

Mas, segundo Galati, apareceram ainda no decorrer do tempo outros pretendentes à autoria da valsa, como Antonio Carreri, José Carlos Piedade, Protásio Tomás de Carvalho, José Stabile e Antenógenes Silva, sendo que este último registrou um arranjo sobre o tema popularizada como peça instrumental, Saudades de Matão recebeu letra de Raul Torres em 1938.

Saudades de Matão (valsa, 1904) - Jorge Galati, Antenógenes Silva e Raul Torres - Interpretação: Carlos Galhardo



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Neste mundo eu choro a dor / Por uma paixão sem fim
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Ninguém conhece a razão / Porque eu choro tanto assim
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Quando lá no céu surgir / Uma peregrina flor
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Pois todos devem saber / Que a sorte me tirou foi uma grande dor
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Lá no céu junto a Deus / Em silêncio minh’alma descansa
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E na terra, todos cantam
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Eu lamento minha desventura nesta grande dor
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Ninguém me diz / Que sofreu tanto assim
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Esta dor que me consome / Não posso viver / Quero morrer
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Vou partir prá bem longe daqui
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Já que a sorte não quis / Me fazer feliz.



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34