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quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Sucessos de 1913: Caboca de Caxangá

Catulo da Paixão Cearense: Um sertanejo do Sertão

Em entrevista a Joel Silveira, nos idos de 1940, Catulo da Paixão Cearense declarou-se "um sertanejo do sertão", ressaltando o mérito de saber descrevê-lo muito bem, apesar de não conhecê-lo. Parte desse mérito ele deveria creditar ao violonista João Pernambuco (João Teixeira Guimarães), com quem conviveu por diversos anos e que lhe forneceu, além de alguns temas musicais, um variado vocabulário sertanejo que usaria em seus versos. Um exemplo dessa colaboração é a composição "Caboca de Caxangá", que entrou para a história assinada apenas pelo poeta.

Inspirado numa toada que João lhe mostrara e que teria melodia do violonista, composta sobre versos populares, Catulo escreveu extensa letra, impregnada de nomes de árvores (taquara, oiticica, imbiruçu...), animais (urutau, coivara, jaçanã...), localidades (Jatobá, Cariri, Caxangá, Jaboatão...) e gírias do sertão nordestino, daí nascendo em 1913 a embolada Caboca de Caxangá, classificada no disco como batuque sertanejo. E nasceu para o sucesso, que se estenderia ao carnaval de 1914, para desgosto de Catulo, que achava depreciativo o uso da composição pelos foliões.

A seguir algumas gravações da melodia acima:

Cabocla de Caxangá (batuque, 1913) - Catulo da Paixão Cearense e João Pernambuco - Intérpretes: Júlia Martins, Eduardo das Neves e Bahiano

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Cabocla de Caxangá / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / João Pernambuco (Compositor) / Eduardo das Neves (Intérprete) / Bahiano (Intérprete) / Júlia Martins (Intérprete) / Grupo da Casa Edison (Acomp.) / Nº do Álbum: 120521 / Nº da Matriz: 120521 / Gravação: 2/Janeiro/1913 / Lançamento: 1913 / Gênero musical: Batuque Sertanejo / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Paulo Tapajós em 1972:

LP No Tempo Dos Bons Tempos - Luar Do Sertão - Músicas de Catullo e Joubert / Título da música: Cabocla de Caxangá / João Pernambuco (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense / Paulo Tapajós (Intérprete) / Gravadora: Fontana/Philips / Álbum: 6488 014 / Ano: 1972 / Tracklist: A6 / Gênero musical: Embolada / Batuque sertanejo / Obs.: Extraidos dos LPs de 10 polegadas gravados na Sinter em 1956: SLP 1052 e SLP 1082



E------------------- C7------------------ Fm
Laurindo Punga, Chico Dunga, Zé Vicente
-------------------------B7----------------------E
E esta gente tão valente / Do sertão de Jatobá,
-----------------------C7----------- Fm
E o danado do afamado Zeca Lima,
--------------------------B7-------------------------E
Tudo chora numa prima, / E tudo quer te traquejá.

---------------------B7------------------------E
Caboca di Caxangá, / Minha caboca, vem cá.

------------E---------- C7-------------- Fm
Queria ver se essa gente também sente
-----------------------------B7
Tanto amor, como eu senti,
----------------------------E
Quando eu te vi em Cariri!
-----------------------C7----------- Fm
Atravessava um regato no quartau
-----------------------B7------------------------- E
E escutava lá no mato / O canto triste do urutau.

------------------------B7---------------------------E
Caboca, demônio mau, / Sou triste como o urutau!

E------------------- C7---------------------- Fm
Há muito tempo, lá nas moita das taquara,
-----------------------------B7--------------------------E
Junto ao monte das coivara, / Eu não te vejo tu passá!
------------------C7-------------- Fm
Todo os dia, inté a boca da noite,
------------------------B7----------------------E
Eu te canto uma toada / Lá debaixo do indaiá.

-------------------------B7----------------------E
Vem cá, caboca, vem cá, / Rainha di Caxangá.

E------------------ C7------------------ Fm
Na noite santa do Natal na encruzilhada,
--------------------------B7--------------------------E
Eu te esperei e descantei / Inté o romper da manhã!
--------------------------C7------------ Fm
Quando eu saía do arraiá, o sol nascia
-------------------------B7-------------------E
E lá na grota já se ouvia / Pipiando a jaçanã.

------------------------B7--------------------------E
Caboca, flor da manhã / Sou triste como a acauã!


Fontes: A Canção no Tempo – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Volume 1 - Editora 34; Álbum: Luar do Sertão - Músicas de Catullo e Joubert (1972).

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Sucessos de 1914: Luar do Sertão

Luar do Sertão (toada, 1914) - João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Francisco Alves

Disco 78 rpm / Título da música: Luar do Sertão / João Pernambuco (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Orquestra Odeon, Lírio Panicali [Direção] (Acomp.) / Nº do Álbum: 12377-b / Nº da Matriz: 7395 / Gravação: 5/Outubro/1943 / Lançamento: Novembro/1943 / Gênero musical: Canção



Eduardo das Neves, o cantor-circense Dudu, interpreta na primeira gravação em 1914:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: O Luar do Sertão / João Pernambuco (Compositor) / Catulo da Paixão Cearense (Compositor) / Eduardo das Neves (Intérprete) / Piano e coro (Acomp.) / Nº do Álbum: 120911 / Nº da Matriz: 120.911=3 / Lançamento: Fevereiro/1914 / Gênero musical: Toada sertaneja / Coleção de Origem: IMS, Nirez / Obs.: No rótulo do disco consta Catullo Cearense (Catulo) como compositor da melodia e da letra.


--------G ----------Em -------Am --------D7-------- G----- D7
Não há, ó gente, oh não luar / Como este do sertão (bis)

--------------G------- Em------------ Am--------------------------- D7
Oh que saudade do luar da minha terra / Lá na serra branquejando
------------------------G D7------- G--------- Em---------- Am
Folhas secas pelo chão / Esse luar cá da cidade, tão escuro
--------------------------D7------------------- G------- D7
Não tem aquela saudade / Do luar lá do sertão (refrão)

--------------G --------Em ---------Am--------------------------- D7
A gente fria desta terra sem poesia / Não se importa com esta lua
-----------------------G D7------------- G--------- Em------- Am
Nem faz caso do luar / Enquanto a onça, lá na verde capoeira
------------------------D7-------------------- G------ D7
Leva uma hora inteira, / Vendo a lua a meditar (refrão)

-----------------G--------------- Em---------- Am
Ai, quem me dera que eu morresse lá na serra
------------------------D7---------------------- G------- D7
Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez
-------------G------------- Em --------Am
Ser enterrado numa grota pequenina
------------------------D7 ----------------G -------D7
Onde à tarde a surunina chora sua viuvez (refrão).


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Francisco Alves: Luar do Sertão

A toada "Luar do Sertão" é um dos maiores sucessos de nossa música popular em todos os tempos. Fácil de cantar, está na memória de cada brasileiro, até dos que não se interessam por música. Como a maioria das canções que fazem apologia da vida campestre, encanta principalmente pela ingenuidade dos versos e simplicidade da melodia. Embora tenha defendido com veemência pela vida afora sua condição de autor único de "Luar do Sertão", Catulo da Paixão Cearense deve ser apenas o autor da letra.

A melodia seria de João Pernambuco ou, mais provavelmente, de um anônimo, tratando-se assim de um tema folclórico - o côco "É do Maitá" ou "Meu Engenho é do Humaitá" -, recolhido e modificado pelo violonista. Este côco integrava seu repertório e teria sido por ele transmitido a Catulo, como tantos outros temas. Pelo menos, isso é o que se deduz dos depoimentos de personalidades como Heitor Villa-Lobos, Mozart de Araújo, Sílvio Salema e Benjamin de Oliveira, publicados por Almirante no livro No tempo de Noel Rosa.

Há ainda a favor da versão do aproveitamento de tema popular, uma declaração do próprio Catulo (em entrevista a Joel Silveira) que diz: "Compus o Luar do Sertão ouvindo uma melodia antiga (...) cujo estribilho era assim: 'É do Maitá! É do Maitá"'. A propósito, conta o historiador Ary Vasconcelos (em Panorama da música popular brasileira na belle époque) que teve a oportunidade de ouvir "Luperce Miranda tocar ao bandolim duas versões do 'É do Maitá': a original e 'outra modificada por João Pernambuco', esta realmente muito parecida com Luar do sertão".

Homem humilde, quase analfabeto, sem muita noção do que representavam os direitos de uma música célebre, João Pernambuco teve dois defensores ilustres - Heitor Villa-Lobos e Henrique Foreis Domingues, o Almirante - que, se não conseguiram o reconhecimento judicial de sua condição de autor de Luar do Sertão, pelo menos deram credibilidade à reivindicação. Ainda do mesmo Almirante foi a iniciativa de tornar o Luar do Sertão prefixo musical da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, a partir de 1939.

Luar do Sertão (toada, 1914) - João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense - Interpretação: Francisco Alves


--------G ----------Em -------Am --------D7-------- G----- D7
Não há, ó gente, oh não luar / Como este do sertão (bis)

--------------G------- Em------------ Am--------------------------- D7
Oh que saudade do luar da minha terra / Lá na serra branquejando
------------------------G D7------- G--------- Em---------- Am
Folhas secas pelo chão / Esse luar cá da cidade, tão escuro
--------------------------D7------------------- G------- D7
Não tem aquela saudade / Do luar lá do sertão (refrão)

--------------G --------Em ---------Am--------------------------- D7
A gente fria desta terra sem poesia / Não se importa com esta lua
-----------------------G D7------------- G--------- Em------- Am
Nem faz caso do luar / Enquanto a onça, lá na verde capoeira
------------------------D7-------------------- G------ D7
Leva uma hora inteira, / Vendo a lua a meditar (refrão)

-----------------G--------------- Em---------- Am
Ai, quem me dera que eu morresse lá na serra
------------------------D7---------------------- G------- D7
Abraçado à minha terra e dormindo de uma vez
-------------G------------- Em --------Am
Ser enterrado numa grota pequenina
------------------------D7 ----------------G -------D7
Onde à tarde a surunina chora sua viuvez (refrão).


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

domingo, 2 de outubro de 2022

Vicente Celestino: Ontem Ao Luar (Choro e Poesia)

Ontem ao luar - Por sua semelhança com a canção "Love Story", do filme homônimo, a polca "Choro e Poesia" voltou a ser sucesso na década de 1970. Esse retorno rendeu-lhe mais de dez gravações, só que com um detalhe: todas traziam apenas o título "Ontem ao Luar", que recebeu de Catulo da Paixão Cearense quando, em 1913, o poeta lhe pôs uma letra, à revelia do autor.

E o que é pior, várias dessas gravações tal como edições da partitura, somente registravam o nome de Catulo, omitindo o de Pedro de Alcântara.

Em 1976, graças aos esforços de uma neta de Alcântara, sua autoria foi restabelecida através de uma decisão judicial. "Choro e Poesia" tem duas partes, ambas construídas com variações de um mesmo motivo, usado com muita engenhosidade especialmente na segunda parte, em tom maior.

Ontem ao Luar (Choro e Poesia) (polca, 1907) - Pedro de Alcântara e Catulo da P. Cearense - Interpretação: Vicente Celestino



----Am-------------------------- B7
Ontem ao luar / Nós dois em plena solidão
E7
Tu me perguntaste
-----------------Am
O que era a dor de uma paixão
A7 -------------------Dm
Nada respondi, calmo assim fiquei
B7 -----------------------------------(E7)
Mas fitando o azul / Do azul do céu a lua azul
-------------Am---------------------------- B7
Eu te mostrei, mostrando a ti os olhos meus
------------------------E7--------------- Am
Correr sem ti uma nívea lágrima e assim te respondi
A7----------------- Dm-------------------- Am
Fiquei a sorrir por ter o prazer de ver a lágrima
---(B7)-- (E7)--- Am--- E7
Dos olhos a sofrer

A--------------------- B7
A dor da paixão, não tem explicação
E7------------------ A
Como definir o que só sei sentir
Dm ------------A ------------Gbm
É mister sofrer, para se saber
---------------Bm------ E7 ------A -----E7
O que no peito o coração não quer dizer
A---------------------- B7
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
E7 -----------------------A
De noite a chorar na onda toda azul
-------Dm-------------- A-------- Gbm
Pergunta ao luar, do mar a canção
--------------B7------- E7---------- (A) (E7) (A) (E7)
Qual o mistério que há na dor de uma paixão
-----A----------- Gb7------------ Bm
Se tu desejas saber o que é o amor e sentir
----------E7------------------ A------------ Dbm7
O seu calor o amaríssimo travor do seu dulçor
------------------ E7
Sobe o monte a beira mar ao luar
------------E7-------- A
Ouve a onda sobre a areia lacrimar
--------------A------Gb7------ Bm------------------ E7
Ouve o silêncio a falar na solidão do calado coração
----------------A -----------A7
A pena a derramar os prantos seus
D ----------Dm -----A -----------Gb7------- Bm
Ouve o choro perenal / A dor silente universal
-------------E7---------------- A F A
E a dor maior que é a dor de Deus



Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora Publifolha; A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34