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sábado, 8 de outubro de 2022

Edu Lobo e Tom Jobim: Ai Quem me Dera


Ai Quem Me Dera (1981) - Tom Jobim e Marino Pinto - Interpretação: Tom Jobim e Edu Lobo

LP Edu & Tom - Tom & Edu / Título da música: Ai Quem Me Dera / Tom Jobim (Compositor) / Marino Pinto (Compositor) / Edu Lobo (Intérprete) / Tom Jobim (Intérprete) / Gravadora: Polygram / Ano: 1981 / Nº Álbum: 6328 378 / Lado A / Faixa 1.

Tom: F#m

           F#m7/9     B7/13
Ai quem me dera ser poeta
       E6/9
Pra cantar em seu louvor
         F#m7/9         B7/13
Belas canções, lindos poemas,
      G#m7/5-    C#7/9-
Doces frases de amor
       F#m7/9      Am6
Infelizmente, como eu
         E7+/G#   C#m7
Não aprendi o A-B-C
        F#m7/9      B7/13      E6/9
Eu faço sambas de ouvido pra você
  Am7            D7/9       G7+          G6
Depois de muitas frases lapidar, eu percebi
       Gm7             C7/9
Que as rimas que eu preciso,
      F7+        F6
Essas rimas esqueci
  F#m7/9       B7/13         E7+/9      
E que o verbo amar não se conjuga sem você
        F#m7/9      B7/13      E6/9
Eu faço sambas de ouvido pra você

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Elis Regina e Toots Thielemans: Wave (Vou Te Contar)

Tom Jobim
Parcialmente criado em Los Angeles, mas gravado na Costa Leste, nos estúdios Rudy Van Gelder (Englewood Cliffs, Nova Jersey), em 11, 23, 24 de maio e 15 de junho de 1967, novamente para Creed Taylor, "Wave" foi o quarto LP solo americano de Tom e o terceiro com arranjos de Claus Ogerman.

Dando título ao disco, um tema que não sugere ondas e ondulações apenas no título, mas que de outras coisas passaria a tratar quando, com letra em português, ganhou o subtítulo de "Vou te contar", única contribuição de Chico Buarque, que se sentiu inibido para escrever os demais versos que Tom lhe encomendara (Fonte: site oficial do Tom Jobim).

Wave (1968) - Tom Jobim - Intérpretes: Elis Regina e Toots Thielemans

LP Aquarela Do Brasil - Elis Regina e Toots Thielemans / Título da música: Wave / Tom Jobim (Compositor) / Elis Regina (Intérprete) / Toots Thielemans (Intérprete) / Gravadora: Philips (Holanda) / Ano: 1969 / Nº Álbum: 850 069 PY / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / Bossa Nova / MPB.

Tom:C
Intro: C7+/9

C7+/9            Abº                 Gm7
Vou te contar, os olhos já não podem ver
C7/9-       F7+    Fm6            E7/13 E5+/7
Coisas que só o coração pode entender
Em7  A7/9-     D7/9
Fundamental é mesmo o amor
Ab7/9        G7/9-     Cm7/9
É impossível ser feliz sozinho

          C7+/9 Abº                   Gm7
O resto é mar, é tudo que eu nem sei contar
C7/9-       F7+           Fm6          E7/13 E5+/7
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Em7   A7/9-    D7/9
Fundamental é mesmo o amor
Ab7/9          G7/9-  Cm7/9
É impossível ser feliz sozinho

Fm7        Bb/Ab       Gm7
Da primeira vez era a cidade
Gb/Ab        Ab/Gb        Fm7
Da segunda, o cais e a eternidade
F/G        C7+/9 Abº                     Gm7
Agora eu já sei da onda que se ergueu no mar
C7/9-     F7+         Fm6           E7/13 E5+/7
E das estrelas que esquecemos de contar
Em7   A7/9-       D7/9
O amor se deixa surpreender
Ab7/9          G7/9- Cm7/9 C6/9/11+
Enquanto a noite vem nos envolver

Sylvia Telles: Só em Teus Braços


Só em teus braços (samba, 1959) - Tom Jobim - Interpretação: Sylvia Telles

LP Amor de Gente Moça / Título da música: Só em teus braços / Tom Jobim (Compositor) / Sylvia Telles (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1959 / Álbum: MOFB 3084 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.


Tom: Amaj7 (A7+)
Amaj7   A6
Sim,
Bm7         Bm6
Promessas fiz,
C#m7                C#7/+5
Fiz projetos, pensei tanta coisa,
Dmaj7      Dm6
E agora o coração me diz
C#m7                   Cdim
Que só em teus braços, meu bem,
Bm7       E7/9
Eu ia ser feliz
   C#m7                 F#7/+5
Eu tenho esse amor para dar,
Bm7/9      E7/-9
O que é que eu vou fazer?

               Amaj7   A6
Eu tentei esquecer
Bm7       Bm6
E prometi,
C#m7                   C#7/+5
Apagar da minha vida este sonho,
Dmaj7     Dm6
E vem o coração e diz
C#m7                F#m7
Que só em teus braços, amor,
Bm7       Adim
Eu ia ser feliz
Amaj7               F6/A
Que só em teus braços, amor,
Amaj7
Eu posso ser feliz

Os Cariocas: Só Danço Samba

João Gilberto
Integrando a derradeira leva de produções da dupla Tom e Vinicius, “Só Danço Samba” é a primeira composição bossa nova que faz referência explícita ao ato de dançar. Caiu assim como uma luva no repertório dos pocketshows, que o dançarino e coreógrafo americano Lennie Dale — o “inventor” da dança da bossa nova — apresentava no Beco.

“Só Danço Samba” era como se tivesse sido feito para esse fim, inspirando a coreografia de movimentos de braços e quadris, que Lennie depois ensinaria a Elis Regina. Entretanto, como se sabe, não seria no Beco e sim no Au Bon Gourmet, abrindo o show “Encontro”, nas vozes de João Gilberto e do quarteto Os Cariocas, que se deu a estréia de “Só Danço Samba”. Aliás, esse arranjo cantado no espetáculo seria consagrado no elepê do conjunto lançado em 1963.

A composição é quase um blues, a partir de sua simplicidade melódica e do impulso rítmico sincopado no verso “vai, vai, vai, vai, vai”. Harmonicamente, também se aproxima desse gênero, com os característicos acordes de tônica, subdominante e dominante presentes, mais um motivo para estimular o improviso. A letra, muito simples e direta, exalta a superioridade do samba sobre o twist, o calipso e o chá-chá-chá, um tema, digamos, não muito original.

Mas, “Só Danço Samba” fez sucesso, sendo lançado nos Estados Unidos por Tom e João, o primeiro em seu disco instrumental para a Verve e o segundo no álbum Getz/Gilberto, ambos gravados em 1963 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Só danço samba (samba, 1963) - Vinícius de Moraes e Tom Jobim - Interpretação: Os Cariocas.

LP A Bossa dos Cariocas / Título da música: Só danço samba / Tom Jobim (Compositor) / Vinícius de Moraes (Compositor) / Os Cariocas (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1963 / Álbum: P 632.152 L / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Samba / Ficha técnica: Quartera, Badeco, Luis e Severino Filho.

D7M/9                     G7/9
      Só danço samba, só danço samba
E7/9
      Vai vai vai vai vai
Em7/9                     A7/13        D7M/9  G7/9
      Só danço samba, só danço samba  vai
D7M/9                     G7/9
      Só danço samba, só danço samba
E7/9
      Vai vai vai vai vai
Em7/9                     A7/13        D7M/9  
      Só danço samba, só danço samba  vai

Am7/9         D7(9/13)    G7M/9
Já dancei o twist       até demais
 E7/9                              
Mas, não sei, me cansei  
      Em7/9     F7/9    Em7/9  A7/13
Do calipso ou chá-chá-chá

Solo.:D7M/9 Eb7M/9 D7M/9 Eb7M/9 E7/9 Eb7M/9

D7M/9                     G7/9        E7/9
      Só danço samba, só danço samba vai
Em7/9                     Eb7M/9      D7M/9
      Só danço samba  só danço samba vai

João Gilberto: Insensatez


Algumas canções de Tom Jobim como o “Samba de uma Nota Só” e “Insensatez” — são vez por outra acusadas de plágios. Ao primeiro atribui-se uma semelhança com o recitativo de “Night and Day”, que não se justifica, uma vez que a divisão e os encadeamentos harmônicos, portanto a concepção das duas canções são totalmente diferentes.

Já “Insensatez” é uma composição chopiniana, aparentada com o “Prelúdio n°4, em mi menor, opus 28”, na melodia e na harmonia, o que necessariamente não significa que seja plágio. A influência de Chopin, também presente na obra de Ernesto Nazareth, jamais foi negada por Jobim que ainda a admitia em seu “Retrato em Branco e Preto” e no samba “Apelo”, que chamava de “aquele samba do Baden”.

O ponto de partida de uma composição, sua célula melódica inicial, sugere uma seqüência natural e isso pode confundir o leigo pouco habilitado a reconhecer uma estrutura harmônica. Mais ainda: o plágio implica, naturalmente, aspectos dolosos, direitos que nunca foram reclamados por Cole Porter (autor de “Night and Day”), falecido em 15.10.64, quando “One Note Samba” já rendia milhões nos Estados Unidos e na Europa. Ou seriam os advogados do compositor tão distraídos que não atentaram para o caso?

A semelhança de “Insensatez” com a música de Chopin foi motivo de muitas brincadeiras de músicos americanos, amigos de Jobim, como o saxofonista Gerry Mulligan que chegou a gravar o “Prelúdio n°4” em arranjo bossanovístico. Enfim, a questão do plágio musical é assunto complexo e controvertido, que nem sempre é focalizado com uma argumentação técnica, isenta de paixão.

Mas, voltando a “Insensatez”, esta canção foi lançada por João Gilberto no seu terceiro elepê, que completa a vital trilogia estabelecedora dos padrões característicos da bossa nova. Aliás, das 62 composições lançadas por Tom Jobim nesse período de intensa produtividade (1957 a 1961), apenas três (“Desafinado”, “Corcovado” e “Insensatez”) tiveram sua primeira gravação por João Gilberto.

“Insensatez” é basicamente formada por uma frase de oito compassos no modo menor, usada com extremo bom gosto em quatro sequências que baixam em três tons inteiros, com a quarta permanecendo na tonalidade da terceira. Esses 32 compassos são repetidos em função da letra, dirigida ao coração do poeta, a princípio recriminando-o por fazer chorar de dor o seu amor, um amor tão delicado”, depois exortando-o a pedir perdão, “porque quem não pede perdão não é nunca perdoado”.

A qualidade da canção proporcionou-lhe uma extensa discografia, que vai de Elis, e Sylvia Telles a estrangeiras como Peggy Lee, Nancy Wilson, Morgana King (na versão em inglês intitulada “How Insensitive”), isso sem falar dos interpretes da obra de Jobim (Sinatra, Ella Fitzgerald) e até dos não atuais como Nelson Gonçalves, além de inúmeros músicos de jazz (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Ed. 34).

Insensatez (samba bossa, 1961) - Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Intérprete: João Gilberto

LP João Gilberto / Título da música: Insensatez / Jobim, Tom (Compositor) / Moraes, Vinícius de (Compositor) / Gilberto, João (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1961 / Álbum MOFB 3202 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.

Tom: Dm7
Dm7      A/C#          Cm6
A insensatez que você fez
                    G/B
Coração mais sem cuidado
Gm/B           D#7+      
Fez chorar de dor o meu amor
   A5+/7       Dm7
Um amor tão delicado
F7/C                      A#7+
Ah! Porque você foi fraco assim
Gm7           Dm7
Assim tão desalmado
F7/C       E7/B             A4/7
Ah! Meu coração quem nunca amou
     A5+/7      Dm7
Não merece ser amado
Dm7       A/C#           Cm6
Vai meu coração, usa a razão
            G/B
Usa só sinceridade
A#6          D#7+          
Quem semeia vento, diz a razão
        A5+/7      Dm7
Colhe sempre tempestade
F7/C      
Vai meu coração
       A#7+    Gm7       Dm7
Pede perdão, perdão apaixonado
F7/C             E7/B      A7/4
Vai porque quem não pede perdão
      A5+/7     Dm7
Não é nunca perdoado

Os Cariocas: Ela é Carioca



Ela é carioca (samba bossa, 1963) - Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Intérprete: Os Cariocas

LP Mais Bossa Com Os Cariocas / Título da música: Ela é carioca / Tom Jobim (Compositor) / Vinícius de Moraes (Compositor) / Os Cariocas (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1963 / Catálogo: P 632.177 L / Gênero musical: Samba.


Tom: C

Intro:  C

       C7+             Am7
Ela é carioca, ela é carioca
        D7/9
Basta o jeitinho dela andar
  Dm7          Bbm6      Am6      G7
E ninguém tem carinho assim para dar
Gm7                  C7/9
Eu vejo na cor dos seus olhos
            F#m7/5-  Fm6
As noites do Rio ao luar
        C7+   Bº          Bb7+  A7
Vejo a mesma luz, vejo o mesmo céu
 Ab7+     Db7/9
vejo o mesmo mar

            C7+            Am7
Ela é meu amor, só me vê a mim
         D7/9
A mim que vivi para encontrar
Dm7            Bbm6    Am6        G7
Na luz do seu olhar, a paz que sonhei

   Gm7                     C7/9
Só sei que eu sou louco por ela
               F#m7/5-  Fm6
E pra mim ela é linda demais
  C7+     Bº         Bb7+  Bº
E além do mais, ela é carioca
         C7+
ela é carioca

João Gilberto: Desafinado

João Gilberto
Soando como a coisa mais estranha que aparecera até então na música brasileira, a primeira gravação de “Desafinado” (Odeon, 14426-b), lançada em fevereiro de 59, já mostrava tudo o que a bossa nova oferecia de inovador e revolucionário: o canto intimista, a letra sintética, despojada, o emprego de acordes alterados e, sobretudo, um extraordinário jogo rítmico entre o violão, a bateria e a voz do cantor.

Responsável por este jogo rítmico, seu interprete, João Gilberto, assumia assim de imediato um papel destacado no trio — completado pelo compositor Tom Jobim e o poeta Vinícius de Moraes que, criando a bossa nova, alteraria de forma irreversível o curso de nossa música popular. Apenas com Tom e Vinicius teríamos certamente uma música moderna, sofisticada, renovadora, mas que não seria o que se chamou bossa nova.

A melodia de “Desafinado” é bastante “torta” (“era mais ainda na concepção original. O João é que alterou alguma coisa na hora de gravar”, informa Tom Jobim) em razão principalmente de uma engenhosa alteração no quinto e sexto graus da escala na frase inicial (“Se você disser que eu desafino, amor”) que recai sobre as sílabas “de” (de “de-sa-fino”), “a” e “mor” (de “a-mor”).

Ao sustenizar a dominante e bemolizar a super-dominante, foram produzidos intervalos melódicos inusitados para os padrões da música brasileira da época, a ponto de dificultar a interpretação de alguns cantores menos dotados. Localizando essa alteração sobre a palavra “desafino”, os autores criaram a impressão de que o cantor semitonava, ou seja desafinava, o que levou muita gente a achar João Gilberto um cantor desafinado. Ao mesmo tempo, a batida deslocada do violão e o contratempo da percussão confundiram os músicos, provocando estupefação geral.

Tanta novidade apresentada numa única composição a levaria inevitavelmente ao sucesso, que se estenderia ao exterior. Nos Estados Unidos, por exemplo, o single de “Desafinado”, com Stan Getz e Charlie Byrd, gravado em 1962, ultrapassou a marca de um milhão de cópias e recebeu o prêmio Grammy de melhor performance de jazz. O fonograma foi extraído do álbum Jazz samba, que permaneceu setenta semanas no hit-parade americano e também ultrapassou a marca de um milhão de cópias. Esta gravação é considerada o marco inicial da bossa nova nos Estados Unidos. (A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Desafinado (samba bossa, 1959) - Newton Mendonça e Tom Jobim - Interpretação: João Gilberto

LP Chega de Saudade / Título da música: Desafinado / Tom Jobim (Compositor) / Newton Mendonça (Compositor) / João Gilberto (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1959 / Nº Álbum MOFB 3073 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.

Tom: F7+
 F7+                          G7/5-
Se você disser que eu desafino amor
Gm7                  Bb/C         Cm7      D7/9-
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Gm7     A7/5+       D7+           D7/9-
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
G7                       Bb/C     Gb7/13
Eu possuo apenas o que Deus me deu
 F7+                      G7/5-
Se você insiste em classificar
Gm7            Bb/C          Cm7     D7/9-
Meu comportamento de anti-musical
Gm7            A7/5+        F6/9    E7/9+
Eu mesmo mentindo devo argumentar
A7+           G#7/5+       Em/G      D/E
Que isto é bossa-nova, isto é muito natural
   A7+          Bbº        Bm7/4         E7
O que você não sabe nem sequer pressente
A7+       Am7          Bm7/4      E7
É que os desafinados também têm um coração

C7+             C#º         Dm7/4
Fotografei você na minha Roleiflex
G7    Gm7           D7/9-        G7  Gb7/13
Revelou-se a sua enorme ingratidão
F7+                    G7/5-
Só não poderá falar assim do meu amor
Gm7         Bb/C         Cm7         D7/9-
Este é o maior  que você pode encontrar
Gm7           Bbm7         Am7         G7
Você com sua música esqueceu o principal
G7
Que no peito dos desafinados
Bbm7         Eb7/9
No fundo do peito bate calado
G7             Gb7/13
Que no peito dos desafinados
F6/9    Bbm6 F6/9
Também bate um coração

João Gilberto: Chega de Saudade


Embora considerada o marco zero da bossa nova, “Chega de Saudade” não é na opinião de Tom Jobim uma composição bossa nova. Em depoimento ao jornalista Tárik de Souza (para o livro Tons sobre Tom), ele esclareceu:

“Minha mãe criou uma menina, que também se chamava Nilza (nome da mãe do Tom) e me pediu para comprar um método de violão para ela, que tinha boa voz. Comprei o método do Canhoto que trazia (...) aquele sistema antigo (de acordes) primeira, segunda, terceira. (...)


Fui obrigado a explicar para ela naquele método (...) e acabei me envolvendo com aquela seqüência de acordes, completamente fáceis. Inventei uma sucessão de acordes, que é a coisa mais clássica do mundo, e botei ali uma melodia.

Mais tarde, Vinícius colocou a letra. De certa forma, sentindo a novidade da bossa nova, do João Gilberto e daquele meio em que a gente vivia, talvez Vinicius tenha sido levado a intitular a música ‘Chega de Saudade’. (...) Esse título é engraçado porque a música tem algo de saudade desde a introdução. Lembra aquelas introduções de conjuntos de violão e cavaquinho, tipo regional. (...).

Na segunda parte, passa para maior (modo maior). Acontecem todas aquelas modulações clássicas que você encontra na música antiga. Isso cria um absurdo: o ‘Chega de saudade’ já é uma saudade jogando fora a saudade!”.

Tom Jobim
Realmente, a bossa nova de “Chega de Saudade” está quase toda na harmonia, nos acordes alterados, pouco utilizados por nossos músicos da época, e na nova batida de violão executada por João Gilberto. A novidade rítmica fica muito clara, especialmente sob os versos “dentro dos meus braços os abraços / hão de ser milhões de abraços / apertado assim...”, com o violão indo na contramão da forma institucionalizada de se tocar samba. Aliás, a inovação já está presente na gravação de Elizeth Cardoso, a primeira de “Chega de Saudade”, feita para o elepê Canção do amor demais, que tem a participação de João Gilberto como violonista.

Esse disco, lançado pela pequena marca Festa, do produtor Irineu Garcia, é considerado por Tom Jobim (em depoimento a Zuza Homem de Mello, em outubro de 68) “um marco, um ponto de fissão, de quebra com o passado”. No dia 10.7.58, seis meses depois da gravação da Elizeth, aconteceu a do João, naturalmente repetindo a mesma batida de violão e apresentando o seu estilo bossa nova de cantar.

Este disco histórico, que traz na outra face o baiãozinho “Bim-Bom” (classificado no selo como samba), provocaria a pitoresca e mal-humorada reação de Álvaro Ramos, gerente das Lojas Assunção, quebrando o disco, indignado com o que o Rio lhe mandava. Atribuída no anedotário da bossa nova a Osvaldo Gurzoni, diretor de vendas da Odeon em São Paulo (que também não gostara do disco), a verdadeira identidade do autor da façanha (Ramos) seria revelada por Ruy Castro no livro Chega de saudade. Esse episódio aconteceu em São Paulo, em agosto de 58, às vésperas do lançamento do disco de 78 rotações, que precedeu em alguns meses o elepê homônimo.

Chega de saudade (bossa nova, 1958) - Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Interpretação: João Gilberto

LP Chega De Saudade / Título da música: Chega de Saudade / Tom Jobim (Compositor) / Vinícius de Moraes (Compositor) / João Gilberto (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1959 / Nº Álbum: MOFB 3073 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / Bossa Nova.

Dm7           Bº           Bbm6
Vai minha tristeza e diz a ela
        Dm7          A7
Que sem ela não pode ser
Dm7     E7   Am7             Bb7
Diz-lhe numa prece que ela regresse
              A7           A7/5+
Porque eu não posso mais sofrer
Dm7         Bº
Chega de saudade,
       Bbm6           Am6        D7/9-
A realidade é que sem ela não há paz,
         Gm7     A7     Dm7
Não há beleza, é só tristeza
                       Bº
e a melancolia que não sai de mim
    Bbm6            Dm7   Em7  A7
Não sai de mim, não sai

D7+           E7
Mas se ela voltar, se ela voltar,
          G/A   A7          D7+
Qua coisa linda,  que coisa louca
                 Fº         Em7
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
             E7                         Bbm6  A7
Do que os beijinhos que eu darei na sua bo .. ca

D7+             E7         F#7
Dentro dos meus braços os abraços
       Bm7   Bbm7       Am7
hão de ser milhões de abraços
D9  G7+           Gm7           F#m7
Apertado assim, calado assim, colado assim
 Fº          E7         A7             F#7
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
            B7/5+           E7
Que é prá acabar com esse negócio
     A7           D7+/9
de você viver sem mim


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol.2 - 1958-1985.

João Gilberto: Amor em Paz

João Gilberto
Composto em 1960, numa viagem de trem entre o Rio e São Paulo, “O Amor em Paz” destinava-se ao lançamento de um programa de televisão de Agostinho dos Santos. Mas o público ignorou a versão de Agostinho e, em seguida, a da cantora Marisa Gata Mansa, só tomando conhecimento da canção um ano depois, quando João Gilberto a gravou em seu terceiro elepê.

Realizada em setembro de 61, esta gravação tem um soberbo arranjo de Tom Jobim e a sua irretocável participação ao piano. Pode-se dizer que ela transmite toda a força da composição, uma das mais pungentes da parceria Tom e Vinícius — a velha história do amor perdido, sofrido, lamentado e a expectativa de paz que renasce com a descoberta de um novo amor, arrematando-se o poema com a romântica reflexão: “O amor é a coisa mais triste quando se desfaz.”

A mesma nota tônica inicial (“Eu”, no verso “Eu amei”) é harmonizada com um acorde menor no primeiro compasso e um maior no segundo, prosseguindo esse jogo ao longo dos 16 compassos de Ai e A2, mais os oito de B e da coda, esta com um final bachiano passando do acorde de tônica menor para o de tônica maior. Essas alternâncias harmônicas acompanham, em perfeita integração com a letra, as situações de tristeza pelo amor perdido e de alegria pelo reencontrado.

É uma brilhante criação no mais sedutor aspecto que caracteriza a música de Antônio Carlos Jobim, a composição harmônica. Bem gravado no Brasil, “O Amor em Paz” recebeu no exterior, com o título de “Once I Loved”, várias gravações de cantores (Perry rio, Sinatra, Ella Fitzgerald) e jazzistas importantes (Milt Jackson, McCoy Tyner, Wes Montgomery).

O amor em paz (samba bossa, 1961) - Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Interpretação de João Gilberto

LP João Gilberto / Título da música: O amor em paz / Jobim, Tom (Compositor) / Moraes, Vinícius de (Compositor) / Gilberto, João (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1961 / Álbum MOFB 3202 / Lado A / Faixa 6 / Gênero musical: Samba.

Introdução: F#7M F#7/#5 
 
Bm7/9 E7   A7M A#° 
Eu    amei 
  Bm7/9                    C° 
E amei ai de mim, muito mais 
         C#m7/9   Bm7/9 E7 
Do que devia amar 
 
Am7/9 D7 G7M G6 
E   chorei 
       G#m7(b5)          G#7(b9) 
Ao sentir que eu iria sofrer 
        F#7M  F#7/#5 
E me desesperar 
 
Bm7/9 E7 A7M   A#° 
Foi    então 
        Bm7                C° 
Que da minha infinita tristeza 
       C#m7/9  Bm7/9 E7 
Aconteceu você 
Am7/9 D7     G7M G6 
encon......trei 
    G#m7(b5)          C#7/b9 
Em  você a razão de viver 
      F7M         
E de amar em paz 
F#m6      E7M/9      Em6 
   E não sofrer mais 
       D7M/9 
Nunca mais 
 
         D#m7/b5               G#° 
Porque o amor é a coisa mais triste 
        F#m7/4   F#7/#5 
Quando se desfaz 
   Bm7/9                G#° 
O amor é a coisa mais triste 
        F#m7/4 
Quando se desfaz.


A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

Elis Regina e Tom Jobim: Águas de Março


Baseado numa ideia de Sérgio Ricardo, O Pasquim lançou em maio de 72, com um show no Teatro da Praia, a novidade do “Disco de Bolso”, um compacto simples que apresentava duas músicas, sendo uma de um compositor consagrado e a outra de um iniciante.

Convidados por Sérgio, participaram do disco inaugural Antônio Carlos Jobim, com “Águas de Março”, e João Bosco, em parceria com Aldir Blanc, com “Agnus Sei”. Teria assim um lançamento diferente essa importante composição de Jobim que, ao lado de “Matita Perê”, prenuncia uma intensificação em sua obra do uso de temas ligados à natureza.


Aparentemente simples, “Águas de Março” possui na realidade uma estrutura sofisticada, extremamente trabalhada, que a distingue como uma das composições mais inteligentes da música brasileira. Essa estrutura apoia uma melodia caracterizada pela obstinada repetição de uma pequena célula rítmico-melódica, construída basicamente com duas notas (a terceira e a fundamental do acorde de tônica), harmonizada por um encadeamento de quatro acordes, com o uso de inversões e outras diferenças sutis — e é neste ponto que se situa a parte mais rica da criação de Jobim — que se resolve invariavelmente no acorde de tônica a cada final de frase, ou seja, de quatro em quatro compassos, nada menos que 18 vezes durante toda a peça.

Com a troca de acordes, as mesmas notas, sempre repetidas, vão adquirindo colorido renovado, soando como se fossem notas diferentes, enquanto os referidos acordes acabam por se fixar de tal maneira que, ao se cantarolar “Águas de Março”, eles vêm intuitivamente à imaginação, por meio de nosso ouvido interno.

Essa sofisticação se estende à letra, talvez a melhor entre todas que Jobim escreveu. Em dezenas de versos incisivos, diretos, quase sem adjetivação, o poema passa impressões sobre um final de verão no campo, enunciando minuciosamente os componentes da paisagem, encharcada pelas águas de março.

O curioso é que esses dados são transmitidos de forma independente, como frações de um quadro, que o ouvinte ajuntará ao seu gosto: “É pau, é pedra / é o fim do caminho / é um resto de toco / é um pouco sozinho / (...) / é um passo, é uma ponte / é o sapo, é uma rã / é um belo horizonte / é uma febre terçã / são as águas de março / fechando o verão / é a promessa de vida / no teu coração...”

Esta paisagem é a de uma propriedade do compositor, na localidade de Poço Fundo, no estado do Rio, onde ele costumava passar fins de semana. Foi lá que nasceu, em março de 72, “Águas de Março”, numa casinha de pau-a-pique, apelidada de Barraco 2, na qual Tom morou ao tempo em que sua casa maior era construída. Na ocasião, segundo Helena Jobim (no livro Um homem iluminado), “ele trabalhava obsessivamente em ‘Matita Perê’. Subitamente, surgiu em sua cabeça um tema novo. Teresa, sua mulher, ouviu, meio dormindo e disse que o tema era lindo. Então, ele pediu uma folha de papel e, não achando no momento nada melhor, ela lhe deu um papel de embrulho do pão” no qual foi registrada a idéia inicial da canção.

Naturalmente, Tom conhecia o poema “O Caçador de Esmeraldas” de Olavo Bilac, que cita as chuvas de março: “Foi em março, ao findar da chuva, quase à entrada / do outono, quando a terra em sede requeimada / bebera longamente as águas da estação...” Mas, enquanto nos versos de Bilac as águas de março são citadas de passagem (por molharem a terra de onde “Fernão Dias Paes Leme entrou pelo sertão”), nos de Jobim são o próprio tema da composição. Entre dezenas de gravações de “Águas de Março”, destacam-se as duas de Elis Regina, a de João Gilberto e a do próprio Tom Jobim com a Banda Nova.
Águas de Março (1972) - Tom Jobim - Intérpretes: Elis Regina e Tom Jobim

LP Elis & Tom - Elis Regina e Tom Jobim / Título da música: Águas de Março / Tom Jobim (Compositor) / Elis Regina (Intérprete) / Tom Jobim (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1974 / Nº Álbum: 6349 112 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / Bossa Nova / MPB.


Tom: B

(Intro: B/A)

     B/A                           G#m6
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Em7+/G             F#6
É um resto de toco, é um pouco sozinho
B7.9/F#              Db/F
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
Em6                    B7M
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
B7.9                Db/F
É peroba do campo, é o nó da madeira
Em6                B7M
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
B7.9               Db/F
É madeira de vento, tombo da ribanceira
Em6                       B7M
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
B7.9               Db/F
É o vento ventando, é o fim da ladeira
Em6            B7M
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
B7.9               Db/F
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Em6              B7M
Das águas de março, é o fim da canseira
B/A                 G#m6
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Em7+/G            F#6
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
B7.9/F#           Db/F
É uma ave no céu, é uma ave no chão
Em6                  B7M
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
B7.9               Db/F
É o fundo do poço, é o fim do caminho
Em6                 B7M
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho

B/A                       G#m6
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
Em7+/G            F#6
Um pingo pingando, uma conta um conto
B7.9/F#                Db/F
Um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
Em6                  B7M
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
B7.9               Db/F
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
Em6                  B7M
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
B7.9               Db/F
O projeto da casa, é o corpo na cama
Em6                  B7M
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
B/A                    G#m6
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
Em7+/G            F#6
É um resto de mato, na luz da manhã
B7.9/F#           Db/F
São as águas de março fechando o verão
Em6            B7M
É a promessa de vida no teu coração
B7.9/F#            E6
É uma cobra, é um pau, é João, é José
Em6                B7M
É um espinho na mão, é um corte no pé

B7.9               Db/F
São as águas de março fechando o verão
Em6            B7M
É a promessa de vida no teu coração
B/A                G#m6
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Em7+/G             F#6
É um resto de toco, é um pouco sozinho
Bm                     C#/B
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
C#dim/B                B
É um belo horizonte, é uma febre terçã
Bm             C#/B
São as águas de março fechando o verão
C/B           B
É a promessa de vida no teu coração
B/A               G#m6
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Em7+/G           F#6
Um resto de toco, é um pouco sozinho
B7.9/F#              Db/F
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
Em6                    B7M
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
B7.9             E6
São as águas de março fechando o verão
Em6           B7M
É a promessa de vida no teu coração
B/A                G#m6
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Em7+/G             F#6
É um resto de toco, é um pouco sozinho
B7/F#                Db/F
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
Em6                    B7M
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
B7.9                E6
É peroba do campo, é o nó da madeira
Em6                B7M
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
B7.9               Db/F
É madeira de vento, tombo da ribanceira
Em6                     B7M
É o mistério profundo, o queira ou não queira
B7.9               E6
É o vento ventando, é o fim da ladeira
Em6            B7M
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
B7.9               Db/F
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Em6              B7M
Das águas de março, é o fim da canseira
B/A                 G#m6
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Em7+/G           F#6
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
B7/F#             Db/F
É uma ave no céu, é uma ave no chão
Em6                  B7M
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
B7.9               Db/F
É o fundo do poço, é o fim do caminho
Em6                 B7M
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho

B/A                       G#m6
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
Em7+/G             F#6
Um pingo pingando, uma conta um conto
B7/F#                  E6
Um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
Em6                 B7M
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
B7.9              Db/F
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
Em6                   B7M
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
B7.9              Db/F
O projeto da casa, é o corpo na cama
Em6                   B7M
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
B/A                  G#m6
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
Em7+/G          F#6
É um resto de mato, na luz da manhã
B7/F#            Db/F
São as águas de março fechando o verão
Em6            B7M
É a promessa de vida no teu coração
B7.9/F#            E6
É uma cobra, é um pau, é João, é José
Em6               B7M
É um espinho na mão, é um corte no pé
B7.9            Db/F
São as águas de março fechando o verão
Em6            B7M
É a promessa de vida no teu coração
B/A                  G#m6
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Em7+/G              F#6
É um resto de toco, é um pouco sozinho
Bm                      C#/B
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
C#m7.5b/B             B
É um belo horizonte, é uma febre terçã
B/A              G#m6
São as águas de março fechando o verão
Em7+/G        F#6
É a promessa de vida no teu coração
B/A                 G#m6
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Em7+/G           F#6
Um resto de toco, é um pouco sozinho
B7.9/F#             Db/F
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
Em6                    B7M
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
B7.9              Db/F
São as águas de março fechando o verão
Em6             B7M  B7.9/F#  Db/F  Em6
É a promessa de vida no teu coração
B7M   B7.9   Db/F   Em6
B7M   Bm7   C#/B   C/B  B
É pau é pedra


Fonte: A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Maysa: Se Todos Fossem Iguais a Você

Vinícius de Moraes
Em meados de 56, Vinícius de Moraes estava com a peça "Orfeu da Conceição" pronta, faltando somente conseguir um compositor para musicá-la e, se possível, orquestrá-la. Achava Vinicius que o nome ideal para a tarefa seria o de Vadico (Osvaldo Gogliano), parceiro de Noel Rosa que, convidado não aceitou.

Atendendo, então, a uma sugestão do crítico musical Lúcio Rangel, o poeta convidou Antônio Carlos Jobim, na época um jovem compositor e arranjador ainda pouco conhecido.

Começava assim a parceria Tom/Vinicius, uma das mais importantes da música brasileira, juntando o talento de um grande músico ao de um poeta consagrado e que deu como primeiro fruto "Se Todos Fossem Iguais a Você". Romântica, requintada, até com uma certa tendência para o monumental, "Se Todos Fossem Iguais a Você" é a melhor composição do repertório criado para a peça. Lançada por Roberto Paiva no final de 56 chegaria ao sucesso no ano seguinte, quando recebeu várias outras gravações.

Se todos fossem iguais a você (samba-canção, 1957) - Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Intérprete: Maysa

Disco LP 10 pol 33 1/3 rpm / Título da música: Se todos fossem iguais a você / Jobim, Antônio Carlos (Compositor) / Moraes, Vinícius de (Compositor) / Maysa (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RGE, 1957 / Nº Álbum RLP-0015 / Gênero musical: Samba-canção.


Tom: D7+

D7M                           E/D
Vai tua vida, teu caminho é de paz e amor
D7M                       G7M
A tua vida é uma linda canção de amor
C#m5-/7       F#7     B6/7    B5+/7       Em7
Abre os teus braços e canta a última esperança
Gm7   F7M       F#m7  B5+/7   Am7    D7
A esperança divina de amar      em paz
G7M    F#m5-/7   B5+/7  Em7      Dm7   G7
Se todos fossem     iguais   a você
C7M      Bm7  E7  Am7
Que maravilha viver
C/D                 G7M
Uma canção pelo ar, uma mulher a cantar
C#m5-/7           F#7      Bm7             Am7
Uma cidade a cantar, a sorrir, a cantar, a pedir
D7        G7M     F#m5-/7  B5+/7
A beleza da amar como o sol,
Em7        Dm7   G7
como a flor, como a luz
C7M          Dm7   G7      C7M
Amar sem mentir,    nem sofrer
C#m5-/7    Cm7   G/B                 Gm/Bb
Existiria verdade, verdade que ninguém vê
Am7                  C/D              G7M
Se todos fossem no mundo iguais a você


A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

João Gilberto: Outra Vez

Outra Vez (samba, 1954) - Tom Jobim - Interpretação: João Gilberto

LP O Amor Sorriso E A Flor / Título da música: Outra Vez / Tom Jobim (Compositor) / João Gilberto (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1960 / Nº Álbum: MOFB 3151 / Lado B / Faixa 6 / Gênero musical: Bossa Nova.


Tom: D13


Intro:Cmaj7  G7/-5  Cmaj7  G7/-5  Cmaj7

      D13/-9 Dm7      Fdim  Em7
Outra vez       sem você, 
     Ebdim  Dm7     Gdim  Fmaj7
outra vez       sem amor
      Fm6  Em7      Ebm7
Outra vez     vou sofrer,
       Dm7   Dbmaj7     Cmaj7  G7/-5  Cmaj7
vou chorar, até você voltar
      D13/-9 Dm7      Fdim  Em7
Outra vez       vou vagar,
    Ebdim     Dm7         Gdim  Fmaj7
por aí            pra esquecer
      Fm6  Em7      Ebm7       Dm7
Outra vez     vou falar mal do mundo,
Dbmaj7     Cmaj7  D13/-9  Ebdim  B7/+5  B7  Em7
até você voltar
                 Dbm7/-5       Cdim          Bm7
Todo mundo me pergunta, porque ando triste assim
        Bbdim               Am7
Ninguém sabe o que é que eu sinto,
      Adim        Gmaj7
com você longe de mim
       G6             Dm7         G7           Cmaj7
Vejo o sol quando ele sai, vejo a chuva quando cai
      Bbmaj7        Abmaj7  Bbmaj7
Tudo agora é só tristeza,    
                  Dm7  G#m6  G#dim  Cmaj7
traz saudade de você
      D13/-9 Dm7      Fdim  Em7
Outra vez       sem você, 
      Ebdim  Dm7     Gdim  Fmaj7
outra vez       sem amor
      Fm6  Em7      Ebm7       Dm7
Outra vez     vou falar mal do mundo,
 Dbmaj7     Cmaj7  G7/-5  Cmaj7
até você voltar,
 Dbmaj7     Cmaj7
Até você voltar

João Gilberto: Meditação

João Gilberto
Antecedendo em alguns meses a versão de João Gilberto, que imprimiu à canção sua marca definitiva, “Meditação” seria gravada com sucesso por Isaura Garcia. Embora acompanhada pelo conjunto do marido, Walter Wanderley, um músico avançado que participaria em 61 do terceiro elepê do João, não havia na interpretação de Isaurinha a menor conotação de bossa nova. Era, isto sim, totalmente coerente com a personalidade da cantora (o álbum chamava-se Sempre personalíssima) de sotaque ítalo-paulistano, mas, que, em compensação, exibia um extraordinário senso de divisão, incomum para quem nascera no Brás. Além do mais era passional ao extremo, o que até justifica o “ai-ai-ai” que ela comete depois do verso “e tanto que seu pranto já secou...”.

Assim se entende por que sua interpretação seria praticamente o oposto da do João, a partir do andamento, mais rápido. Com um acompanhamento de cordas, um piano discreto, um trombone — na introdução que se tornaria clássica — e uma flauta — apenas na segunda parte e no final —, a versão do cantor dá bem um exemplo da economia que caracterizou a bossa nova em vários aspectos, da 0rquestraçao à duração da faixa.

Com a participação de Tom e Newton tanto na letra como na música, conforme era próprio da parceria, “Meditação” tem a estrutura A1 - A1 - B - A2, com 16 compassos em A e oito em B. O que ressalta na composição são as sofisticadas alterações diatônicas em sílabas como “di” (“quem a-cre-ditou”), “no” (“no amor”), “a” (“e perdeu a paz”), “so” (“o amor, o sor-ri-so”) e “sa” (“se transformam de-pres-sa demais”).

Já a letra, que lançou a expressão “o amor, o sorriso e a flor” — logo vinculada à bossa nova, a princípio positivamente, mais tarde, pejorativamente —, percorre as etapas de uma tradicional história de amor: o sonho inicial, a perda, a solidão, a privação e, por fim, o reencontro como amor verdadeiro.

O enfoque de João Gilberto e o arranjo de Tom Jobim exerceram forte influência no padrão da maioria das gravações que se seguiram, fazendo de “Meditação” (“Meditation”, na versão em inglês) a terceira composição em popularidade na pequena, mas importante, obra da dupla Jobim-Mendonça (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Ed. 34).

Meditação (samba bossa, 1960) - Newton Mendonça e Tom Jobim - Interpretação: João Gilberto

LP O Amor Sorriso e a Flor / Título da música: Meditação / Jobim, Tom (Compositor) / Newton Mendonça (Compositor) / Gilberto, João (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1960 / Nº Álbum MOFB 3151 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.

A6           A6
Quem acreditou    no amor  no sorriso na flor
C#m7            F#7(-13)
Então sonhou sonhou
Bm7  Dm7
E perdeu a paz
  C#m7               F#7(-13)
O amor o sorriso e a flor
           Bm7        E5+
Se transformam depressa demais

A6     
Quem no coração
  A6
Abrigou a tristeza de ver
    C#m7      F#7(-13)
Tudo isso se perder
  Bm7    Dm7
E na solidão
     C#m7              F#7(-13)
Procurou a caminho a seguir
       Bm7         E5+
Já descrente de um dia feliz

D7+     Dm7
Quem chorou chorou
C#m7                      Bm7    E5+
E tanto que o seu pranto já secou

  A6  
Quem depois voltou
    A6
Ao amor ao sorriso e a flor
C#m7           F#7(b13)
Então tudo encontrou
Bm7      Dm7
Pois a própria dor
C#m7       F#7(-13)     Bm7     E7(9b)     Am7
Revelou o caminho do amor e a tristeza acabou

Maysa: Eu Não Existo Sem Você

Eu não existo sem você (samba-canção, 1958) - Vinícius de Moraes e Tom Jobim - Intérprete: Maysa

Disco 78 rpm / Título da música: Eu não existo sem você / Jobim, Tom, 1927-1994 (Compositor) / Moraes, Vinicius de, 1913-1980 (Compositor) / Maysa, 1936-1977 (Intérprete) / Matarazzo, Maysa (Intérprete) / Simonetti, Enrico (Acomp.) / Orquestra RGE (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: RGE, 1956-1958 / Nº Álbum 10099 / Gênero musical: Samba canção.


Tom: G7+

   G7M      E7/9-
Eu sei e você sabe,
        Am7         C/D
já que a vida quis assim
    Am7          D7/9-
Que nada nesse mundo
      G7M        G6
levará você de mim
  C#m5-/7    F#7/A#
Eu sei e você sabe
         Bm7       E7/9
que a distância não existe
    Am7            D7/9-
Que todo grande amor
           G7M          E7/9-
só é bem grande se for triste
   Am7          Cm7           Bm7        E7/9-
Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
     Am7         D7/9-            G7M          C/D
Pois todos os caminhos me encaminham prá você

   G7M         E7/9-       Am7         C/D
Assim como o oceano só é belo com o luar
   Am7            D7/9-          G7M          G6
Assim como a canção só tem razão se se cantar
  C#m5-/7        F#7/A#         Bm7        E7/9
Assim como uma nuvem só acontece se chover
   Am7          D7/9-      G7M         E7/9-
Assim como o poeta só é grande se sofrer
   Am7        Cm7          Bm7        E7/9-
Assim como viver sem ter amor não é viver
          Am7           D7/9-           G7M
Não há você sem mim e eu não existo sem você

Sylvia Telles: Dindi

Sylvia Telles
Comuns na música americana, especialmente em shows da Broadway, as canções que apresentam um recitativo (verse, em inglês) precedendo a primeira parte são raras na música brasileira. Incluem-se nessa categoria alguns sambas-exaltação, valsas e sambas-canção como “Ponto Final”, sucesso de Dick Farney.

Curiosamente, o esquema é utilizado por compositores da bossa nova como Carlos Lyra (“Maria Ninguém”, “Sabe Você”) e Tom Jobim (“Se Todos Fossem Iguais a Você”, “Desafinado”, “Dindi”), embora em algumas dessas canções o prólogo seja desprezado pela maioria dos intérpretes — “Desafinado”, por exemplo, poucas vezes foi gravado na íntegra, constituindo exceções os registros de Jobim nos álbuns Terra brasilis e Tom Jobim inédito.

Em “Dindi”, porém, o recitativo cantado ad libitum, como convém, está presente em quase todas as gravações: “Céu, tão grande é o céu / e bandos de nuvens que passam ligeiras / para onde elas vão / (...) / contando as histórias que são de ninguém / mas que são minhas / e de você também..” Seguem-se o estribilho (“Ai, Dindi / se soubesses do bem que eu te quero.”) e a estrofe (“E as águas deste Rio / onde vão, eu não sei / a minha vida inteira / esperei... esperei...”). Geralmente, os recitativos são compostos no modo menor, abrindo para a relativa maior no estribilho, como ocorre em “Dindi” lá menor, dó maior e mi menor são, respectivamente, as tonalidades do recitativo, do estribilho e da estrofe.

Sylvia Telles, a própria “Dindi” da canção cuja letra é assinada por seu futuro marido, Aloysio de Oliveira, foi a lançadora, responsável pelo sucesso inicial da canção. Esta gravação, realizada para o elepê Amor de gente moça (outubro de 59), tem preciosa orquestração de Lindolfo Gaya, com a harpa sugerindo “as nuvens que passam” e a trompa “o vento que fala nas folhas”.

Fervorosa, envolvente, ela não seria igualada nem pela mesma Silvinha nas três vezes em que a regravou: nos elepês Amor em hi-fi (1960), Reencontro, com o Tamba Trio (1966) e, finalmente, um mês antes de sua morte num acidente automobilístico, no disco gravado ao vivo, em Berlim, com o acompanhamento da violonista Rosinha de Valença. (A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).

Dindi (samba-canção, 1959) - Aloysio de Oliveira e Tom Jobim - Intérprete: Sylvia Telles

LP Amor de gente moça / Título da música: Dindi / Oliveira, Aloysio de (Compositor) / Tom Jobim (Compositor) / Telles, Sylvia (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1959 / Nº Álbum MOFB 3084 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba-canção.



Intro: C7+

C7M                 Bb7M
Céu, tão grande é o céu
             C7M                 Bb7M 
E bandos de nuvens que passam ligeiras
    A7M       C#m7  F#m        Bm7     E7/5+
Prá onde elas vão,   ah, eu não sei, não sei
    C7M                Bb7M
E o vento que fala das folhas
                C7M                  Bb7M
Contando as histórias que são de ninguém
A7M          C#m7  F#m       Bm7    E7/5+
Mas que são minhas   e de você também
C7M   Bb7M
Ai, Dindí
      C7M                      Gm7
Se soubesses o bem que eu te quero
  F#7/5-    F7M   F#º Bb7/9      C7M         Bb7M
O mundo seria, Dindí, tudo, Dindí, lindo, Dindí
C7M   Bb7M
Ai, Dindí
       C7M   Am7   G#m7  Gm7     F#7/5-   F7M     F#º 
Se um dia você    for   embora me leva contigo, Dindí
Bb7/9      C7M      Am7   F#m7/5-   B7
Olha, Dindí, fica, Dindí
   Em             F#m7/5-  B7
E as águas desse rio
      Em/G  F#m7/5-  B7      Em   A7
Onde vão,            eu não sei
Dm7           A/G       Dm/F        Dm7  G7  C7M    Bb7M
A minha vida inteira, esperei, esperei por   vo...cê, Dindí
        C7M                  Gm7
Que é a coisa mais linda que existe
    F#7/5-    F7M     F#º
É você não existe, Dindí
Bb7/9         C7M           Dm7    Bb7M
Olha, Dindí, adivinha, Dindí

Agostinho dos Santos: A Felicidade

Feita para o filme de Marcel Camus “Orfeu do Carnaval”, “A Felicidade” consagrou internacionalmente Agostinho dos Santos (foto), a voz de Orfeu (cantando) no filme. Lamentando o caráter passageiro da felicidade (“Tristeza não tem fim / felicidade sim”), sua letra ostenta alguns dos mais belo versos da música popular brasileira: “A felicidade é como a gota / de orvalho numa pétala de flor / brilha tranqüila / depois de leve oscila / e cai como uma lágrima de amor...”.

E como o poema, a melodia é também de alta qualidade. Estimulada pela expectativa de sucesso do filme — que afinal aconteceu, com a premiação da Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em Hollywood —, nossa indústria do disco lançou em 1959 nada menos do que 25 gravações de “A Felicidade” (uma a mais do que “Eu Sei que Vou te Amar”), incluindo-se nessa leva inicial de intérpretes Maysa, Sylvia Telles, João Gilberto, Agostinho dos Santos (que a gravaria cinco vezes em sua carreira), além de instrumentistas como José Menezes, Chiquinho do Acordeom e Moacir Silva.

Detalhe pitoresco é que “A Felicidade” foi praticamente composta numa sucessão de telefonemas, com Jobim no Rio de Janeiro e Vinicius em Montevidéu, onde servia na embaixada brasileira.

A felicidade (samba, 1959) - Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Intérprete: Agostinho dos Santos

Disco 78 rpm / Título da música: A felicidade / Jobim, Tom, 1927-1994 (Compositor) / Moraes, Vinicius de, 1913-1980 (Compositor) / Santos, Agostinho dos (Intérprete) / Orquestra RGE (Acompanhante) / Simonetti (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RGE, Indefinida / Nº Álbum 10173 / Gênero musical: Samba.

Am7             Em7     Am7       D7/9 Em7
Tristeza não tem fim  /      Felicidade sim
 Am7             Em7     Am7       D7/9 Em7
Tristeza não tem fim  /      Felicidade sim

C7+    Bm7/5-           E7/9-    Am7      Am6         Gm7  C7        
A   felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar
F7+     Fm6 Am7             D7/9
Voa tão leve mas tem a vida breve
   Am7           D7/9      Am7
Precisa que haja vento sem parar

C7+                       Gm7         C7/9      F7+
A felicidade do pobre parece / A grande ilusão do carnaval
 Dm7       G7      C7+
A gente trabalha o ano inteiro
Gbm7/5-         B7/9-     Em7
Por um momento de sonho pra fazer
            Am7                    D7/9
A fantasia de rei ou de pirata ou jardineira
  Am7         D7/9       Am7
Pra tudo se acabar na quarta feira

C7+    Bm7/5-           E7/9-   Am7      Am6    Gm7     C7
A   felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor
F7+         Fm6        Am7            D7/9
Brilha tranquila  /  Depois de leve oscila
  Am7           D7/9      Am7
E cai com uma lágrima de amor

C7+
A minha felicidade está sonhando
Gm7       C7/9        F7+
Nos olhos da minha namorada
Dm7          G7/13   C7+
É como esta noite passando, passando
Gbm7/5-        B7/9-     Em7         
Em busca da madrugada / Falem baixo, por favor
       Am7                    D7/9
Pra que ela acorde alegre como o dia
Am7        D7/9       Am7   D7/9     Am7    G7/13       C7+/9
Oferecendo beijos de amor /         Tristeza    não tem  fim


A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

terça-feira, 27 de setembro de 2022

Tom, Miúcha e Chico: Vai Levando

Tom Jobim, Miúcha, Vinícius de Moraes e Toquinho - 1977
“Vai Levando” foi feita para o show “Chico & Bethânia no Canecão”, em 1975. Traz a irreverência eterna de Caetano Veloso, mesclada com a poesia social de Chico Buarque. É cantada em três vozes, a de Tom Jobim, a de Miúcha e a de Chico Buarque. A letra fala da fama, da roda viva da vida, da pílula, das suas convulsões numa época de claustrofóbica ditadura e mudança de costumes, afinal 1977 trouxe após anos de luta contra os desgastados preconceitos morais e religiosos, a aprovação da lei do divórcio.

É o existencialismo explícito, onde desfilam palavras do cotidiano midiático, como ‘Ibope’, ou marca de cerveja como ‘Brahma’. O disco mal tinha saído do forno e a canção tornou-se tema de abertura da novela global “Espelho Mágico” , um grande avanço na emissora de Roberto Marinho, que havia excluído Chico Buarque da sua programação desde a época dos festivais de canções, tendo-o como presença não grata: “Mesmo com o nada feito, / com a sala escura / com o nó no peito, / com a cara dura / a gente não tem cura / mesmo com o todavia, / com todo dia, / com todo ia, / todo não ia, / a gente vai levando / a gente vai levando...”

Em 1977 a música brasileira assistiu ao encontro histórico de Tom Jobim e Miúcha, registrado no álbum “Miúcha & Antonio Carlos Jobim”, desde então um clássico da MPB. A voz afinada e tranquila de Miúcha encontrou suporte decisivo no universo do maestro soberano, num disco em que ele abre mão da Bossa Nova jazzística, conforme era acusado na época, optando pela brasilidade genuína do som romântico e universal da sua obra.

Vai Levando (1975) - Chico Buarque e Caetano Veloso - Intérpretes: Tom Jobim e Miúcha - Participação: Chico Buarque.

LP Miúcha & Antônio Carlos Jobim / Título da música: Vai Levando / Chico Buarque (Compositor) / Caetano Veloso (Compositor) / Tom Jobim (Intérprete) / Miúcha (Intérprete) / Chico Buarque (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1977 / Nº Álbum: 103.0213 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical:


Tom: G7+
Intro: D7/9

G7+               Bbm7     D#7/9    Bm7
Mesmo com toda a fama, com toda a brahma
      E7/9  Am4/7    G#7/5-  G7+
Com toda a cama, com toda a lama
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+         Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai levando,
        D7/9  Bm7
a gente vai levando
  E7/9   Am7   D7/9        G7+
A gente vai levando essa chama
                 Bbm7     D#7/9    Bm7
Mesmo com todo o emblema, todo o problema
  E7/9  Am4/7    G#7/5-  G7+
Todo o sistema, todo Ipanema
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+         Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai levando, 
         D7/9  Bm7
a gente vai levando
  E7/9   Am7   D7/9       G7+
A gente vai levando essa gema
                 Bbm7     D#7/9    Bm7
Mesmo com o nada feito, com a sala escura
      E7/9   Am4/7    D7/9      G7+
Com um nó no peito, com a cara dura
              Bm7          Am7  D7/9 G7+
Não tem mais jeito, a gente não tem cura
              Bbm7   D#7/9    Bm7
Mesmo com o todavia, com todo dia
  E7/9  Am4/7 G#7/5- G7+
Com todo ia, todo não ia
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+         Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai levando, 
        D7/9  Bm7
a gente vai levando
  E7/9   Am7   D7/9       G7+
A gente vai levando essa guia
           Bbm7       D#7/9   Bm7
Mesmo com todo rock, com todo pop
      E7/9  Am4/7    G#7/5-  G7+
Com todo estoque, com todo Ibope
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+         Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai levando, 
        D7/9  Bm7
a gente vai levando
  E7/9   Am7   D7/9       G7+
A gente vai levando esse toque
              Bbm7     D#7/9   Bm7
Mesmo com toda sanha, toda façanha
    E7/9 Am4/7  G#7/5-  G7+
Toda picanha, toda campanha
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+         Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai levando, 
        D7/9  Bm7
a gente vai levando
  E7/9   Am7   D7/9       G7+
A gente vai levando essa manha
                 Bbm7     D#7/9    Bm7
Mesmo com toda estima, com toda esgrima
     E7/9  Am4/7    G#7/5-  G7+
Com todo clima, com tudo em cima
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+         Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai levando,
       D7/9  Bm7
a gente vai levando
  E7/9   Am7   D7/9       G7+
A gente vai levando essa rima
                 Bbm7     D#7/9    Bm7
Mesmo com toda cédula, com toda célula
     E7/9  Am4/7    G#7/5-  G7+
Com toda súmula, com toda sílaba
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+         Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai tocando, 
        D7/9  Bm7
a gente vai tomando
  E7/9   Am7   D7/9       G7+
A gente vai dourando essa pílula

sábado, 24 de setembro de 2022

Elza Laranjeira: Eu Sei que Vou te Amar

Elza Laranjeira
Lançada no elepê Por toda a minha vida, da marca Festa, este samba-canção (mais canção do que samba), altamente romântico, era interpretado pela cantora de formação lírica Lenita Bruno, mulher do maestro-arranjador Leo Peracchi.

Porém, a melhor das 24 versões de “Eu Sei que Vou te Amar”, lançadas só no ano de 1959, seria a de Elza Laranjeira, uma paulista pouco conhecida no resto do país. Companheira de Agostinho dos Santos, Elzinha era dona de uma voz doce, de afinação irretocável. Morta em 1986, foi por muito tempo, com Isaura Garcia, a mais destacada cantora do elenco fixo da rádio e TV Record que, ao lado de Neide Fraga, Dircinha Costa e Alda Perdigão, era escalada nos musicais de rotina das duas emissoras.

Mas, voltando à canção, a espantosa quantidade de gravações realizadas no ano de seu lançamento dá uma ideia da reação positiva do meio artístico ao repertório de alto nível composto pela dupla Tom e Vinicius, nos meses seguintes a sua formação.

“Eu Sei que Vou te Amar” é uma composição standard (lembra ligeiramente a canção “Dancing in the Dark”, de Schwartz e Dietz) em duas partes, nas quais os oito primeiros compassos têm melodia idêntica, encaminhada, porém, por meio de uma sutil alteração harmônica, a diferentes arremates.

Entretanto, o ponto alto da canção é a letra: “Eu sei que vou te amar / por toda a minha vida eu vou te amar / em cada despedida eu vou te amar / desesperadamente, eu sei que vou te amar.”

Seu romantismo exacerbado remete a alguns sonetos de Vinícius, que embalaram declarações de amor de toda uma geração. Não foi, assim, por acaso que, na versão de grande êxito criada em 1972 por Maria Creuza, Toquinho e Vinícius, o poeta incorporou em contraponto à voz da cantora uma enlevada declamação do “Soneto de Fidelidade”. Por tudo isso, pode-se concluir que “Eu Sei que Vou te Amar” é mais uma canção de Vinícius do que de Tom Jobim, sem demérito para o maestro.

Eu sei que vou te amar (samba-canção, 1959) - Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Intérprete: Elza Laranjeira.

Disco 78 rpm / Título da música: Eu sei que vou te amar / Jobim, Tom, 1927-1994 (Compositor) / Moraes, Vinicius de, 1913-1980 (Compositor) Laranjeira, Elza (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RGE, 1959 / Nº Álbum 10161 / Gênero musical: Samba canção.



(intro) E9  C#°  Em7/b5  Bbm6  F#m7/b5  F7+  C7+  G7/b9

C7+
 Eu    sei que vou te amar
 C#º                 Dm7
Por toda a minha vida
                G7/5+
Eu vou te amar
G7              Gm7               C7/9
Em cada despedida eu vou te amar
             F7+                    Bb7/b5
Desesperadamente eu sei que vou te amar
  Em    C#º    Dm7  G7/5+ G7  Em7/b5  A7/5+
E cada verso meu será      pra te    dizer
       D7/9
Que eu sei que vou te amar
    G7/5+      G7
Por toda minha vida

   C7+
Eu sei que vou chorar
 C#º           Dm7               G7/5+
A  cada ausência tua eu vou chorar
G7             Gm7              C7/9
Mas cada volta tua há de apagar
                     F7+      Bb7/b5
O que esta ausência tua me causou
   Em                 C#º
Eu sei que vou sofrer
               Em5-/7
A eterna desventura de viver
A7/5+ A7      Dm7/9
A es..pera de viver ao lado teu
G7/5+  G7           C7+
Por toda a minha vida.

Eu sei que vou sofrer
               Em5-/7
A eterna desventura de viver
A7/5+ A7      Dm7/9
A es..pera de viver ao lado teu
G7/5+  G7           C7+   G7/b9
Por toda a minha vida.


A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34