LP Edu & Tom - Tom & Edu / Título da música: Ai Quem Me Dera / Tom Jobim (Compositor) / Marino Pinto (Compositor) / Edu Lobo (Intérprete) / Tom Jobim (Intérprete) / Gravadora: Polygram / Ano: 1981 / Nº Álbum: 6328 378 / Lado A / Faixa 1.
Tom: F#mF#m7/9B7/13
Ai quem me dera ser poeta
E6/9
Pra cantar em seu louvor
F#m7/9B7/13
Belas canções, lindos poemas,
G#m7/5-C#7/9-
Doces frases de amor
F#m7/9Am6
Infelizmente, como eu
E7+/G#C#m7
Não aprendi o A-B-CF#m7/9B7/13E6/9
Eu faço sambas de ouvido pra você
Am7D7/9G7+G6
Depois de muitas frases lapidar, eu percebi
Gm7C7/9
Que as rimas que eu preciso,
F7+F6
Essas rimas esqueci
F#m7/9B7/13E7+/9Gº
E que o verbo amar não se conjuga sem você
F#m7/9B7/13E6/9
Eu faço sambas de ouvido pra você
Parcialmente criado em Los Angeles, mas gravado na Costa Leste, nos estúdios Rudy Van Gelder (Englewood Cliffs, Nova Jersey), em 11, 23, 24 de maio e 15 de junho de 1967, novamente para Creed Taylor, "Wave" foi o quarto LP solo americano de Tom e o terceiro com arranjos de Claus Ogerman.
Dando título ao disco, um tema que não sugere ondas e ondulações apenas no título, mas que de outras coisas passaria a tratar quando, com letra em português, ganhou o subtítulo de "Vou te contar", única contribuição de Chico Buarque, que se sentiu inibido para escrever os demais versos que Tom lhe encomendara (Fonte: site oficial do Tom Jobim).
LP Aquarela Do Brasil - Elis Regina e Toots Thielemans / Título da música: Wave / Tom Jobim (Compositor) / Elis Regina (Intérprete) / Toots Thielemans (Intérprete) / Gravadora: Philips (Holanda) / Ano: 1969 / Nº Álbum: 850 069 PY / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / Bossa Nova / MPB.
Tom:C
Intro: C7+/9
C7+/9 Abº Gm7
Vou te contar, os olhos já não podem ver
C7/9- F7+ Fm6 E7/13 E5+/7
Coisas que só o coração pode entender
Em7 A7/9- D7/9
Fundamental é mesmo o amor
Ab7/9 G7/9- Cm7/9
É impossível ser feliz sozinho
C7+/9 Abº Gm7
O resto é mar, é tudo que eu nem sei contar
C7/9- F7+ Fm6 E7/13 E5+/7
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Em7 A7/9- D7/9
Fundamental é mesmo o amor
Ab7/9 G7/9- Cm7/9
É impossível ser feliz sozinho
Fm7 Bb/Ab Gm7
Da primeira vez era a cidade
Gb/Ab Ab/Gb Fm7
Da segunda, o cais e a eternidade
F/G C7+/9 Abº Gm7
Agora eu já sei da onda que se ergueu no mar
C7/9- F7+ Fm6 E7/13 E5+/7
E das estrelas que esquecemos de contar
Em7 A7/9- D7/9
O amor se deixa surpreender
Ab7/9 G7/9- Cm7/9 C6/9/11+
Enquanto a noite vem nos envolver
LP Amor de Gente Moça / Título da música: Só em teus braços / Tom Jobim (Compositor) / Sylvia Telles (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1959 / Álbum: MOFB 3084 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.
Tom: Amaj7 (A7+)
Amaj7 A6
Sim,
Bm7 Bm6
Promessas fiz,
C#m7 C#7/+5
Fiz projetos, pensei tanta coisa,
Dmaj7 Dm6
E agora o coração me diz
C#m7 Cdim
Que só em teus braços, meu bem,
Bm7 E7/9
Eu ia ser feliz
C#m7 F#7/+5
Eu tenho esse amor para dar,
Bm7/9 E7/-9
O que é que eu vou fazer?
Amaj7 A6
Eu tentei esquecer
Bm7 Bm6
E prometi,
C#m7 C#7/+5
Apagar da minha vida este sonho,
Dmaj7 Dm6
E vem o coração e diz
C#m7 F#m7
Que só em teus braços, amor,
Bm7 Adim
Eu ia ser feliz
Amaj7 F6/A
Que só em teus braços, amor,
Amaj7
Eu posso ser feliz
Integrando a derradeira leva de produções da dupla Tom e Vinicius, “Só Danço Samba” é a primeira composição bossa nova que faz referência explícita ao ato de dançar. Caiu assim como uma luva no repertório dos pocketshows, que o dançarino e coreógrafo americano Lennie Dale — o “inventor” da dança da bossa nova — apresentava no Beco.
“Só Danço Samba” era como se tivesse sido feito para esse fim, inspirando a coreografia de movimentos de braços e quadris, que Lennie depois ensinaria a Elis Regina. Entretanto, como se sabe, não seria no Beco e sim no Au Bon Gourmet, abrindo o show “Encontro”, nas vozes de João Gilberto e do quarteto Os Cariocas, que se deu a estréia de “Só Danço Samba”. Aliás, esse arranjo cantado no espetáculo seria consagrado no elepê do conjunto lançado em 1963.
A composição é quase um blues, a partir de sua simplicidade melódica e do impulso rítmico sincopado no verso “vai, vai, vai, vai, vai”. Harmonicamente, também se aproxima desse gênero, com os característicos acordes de tônica, subdominante e dominante presentes, mais um motivo para estimular o improviso. A letra, muito simples e direta, exalta a superioridade do samba sobre o twist, o calipso e o chá-chá-chá, um tema, digamos, não muito original.
Mas, “Só Danço Samba” fez sucesso, sendo lançado nos Estados Unidos por Tom e João, o primeiro em seu disco instrumental para a Verve e o segundo no álbum Getz/Gilberto, ambos gravados em 1963 (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).
LP A Bossa dos Cariocas / Título da música: Só danço samba / Tom Jobim (Compositor) / Vinícius de Moraes (Compositor) / Os Cariocas (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1963 / Álbum: P 632.152 L / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Samba / Ficha técnica: Quartera, Badeco, Luis e Severino Filho.
D7M/9G7/9
Só danço samba, só danço samba
E7/9
Vai vai vai vai vai
Em7/9A7/13D7M/9G7/9
Só danço samba, só danço samba vai
D7M/9G7/9
Só danço samba, só danço samba
E7/9
Vai vai vai vai vai
Em7/9A7/13D7M/9
Só danço samba, só danço samba vai
Am7/9D7(9/13)G7M/9
Já dancei o twist até demais
E7/9
Mas, não sei, me cansei
Em7/9F7/9Em7/9A7/13
Do calipso ou chá-chá-chá
Solo.:D7M/9Eb7M/9D7M/9Eb7M/9E7/9Eb7M/9D7M/9G7/9E7/9
Só danço samba, só danço samba vai
Em7/9Eb7M/9D7M/9
Só danço samba só danço samba vai
Algumas canções de Tom Jobim como o “Samba de uma Nota Só” e “Insensatez” — são vez por outra acusadas de plágios. Ao primeiro atribui-se uma semelhança com o recitativo de “Night and Day”, que não se justifica, uma vez que a divisão e os encadeamentos harmônicos, portanto a concepção das duas canções são totalmente diferentes.
Já “Insensatez” é uma composição chopiniana, aparentada com o “Prelúdio n°4, em mi menor, opus 28”, na melodia e na harmonia, o que necessariamente não significa que seja plágio. A influência de Chopin, também presente na obra de Ernesto Nazareth, jamais foi negada por Jobim que ainda a admitia em seu “Retrato em Branco e Preto” e no samba “Apelo”, que chamava de “aquele samba do Baden”.
O ponto de partida de uma composição, sua célula melódica inicial, sugere uma seqüência natural e isso pode confundir o leigo pouco habilitado a reconhecer uma estrutura harmônica. Mais ainda: o plágio implica, naturalmente, aspectos dolosos, direitos que nunca foram reclamados por Cole Porter (autor de “Night and Day”), falecido em 15.10.64, quando “One Note Samba” já rendia milhões nos Estados Unidos e na Europa. Ou seriam os advogados do compositor tão distraídos que não atentaram para o caso?
A semelhança de “Insensatez” com a música de Chopin foi motivo de muitas brincadeiras de músicos americanos, amigos de Jobim, como o saxofonista Gerry Mulligan que chegou a gravar o “Prelúdio n°4” em arranjo bossanovístico. Enfim, a questão do plágio musical é assunto complexo e controvertido, que nem sempre é focalizado com uma argumentação técnica, isenta de paixão.
Mas, voltando a “Insensatez”, esta canção foi lançada por João Gilberto no seu terceiro elepê, que completa a vital trilogia estabelecedora dos padrões característicos da bossa nova. Aliás, das 62 composições lançadas por Tom Jobim nesse período de intensa produtividade (1957 a 1961), apenas três (“Desafinado”, “Corcovado” e “Insensatez”) tiveram sua primeira gravação por João Gilberto.
“Insensatez” é basicamente formada por uma frase de oito compassos no modo menor, usada com extremo bom gosto em quatro sequências que baixam em três tons inteiros, com a quarta permanecendo na tonalidade da terceira. Esses 32 compassos são repetidos em função da letra, dirigida ao coração do poeta, a princípio recriminando-o por fazer chorar de dor o seu amor, um amor tão delicado”, depois exortando-o a pedir perdão, “porque quem não pede perdão não é nunca perdoado”.
A qualidade da canção proporcionou-lhe uma extensa discografia, que vai de Elis, e Sylvia Telles a estrangeiras como Peggy Lee, Nancy Wilson, Morgana King (na versão em inglês intitulada “How Insensitive”), isso sem falar dos interpretes da obra de Jobim (Sinatra, Ella Fitzgerald) e até dos não atuais como Nelson Gonçalves, além de inúmeros músicos de jazz (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Ed. 34).
LP João Gilberto / Título da música: Insensatez / Jobim, Tom (Compositor) / Moraes, Vinícius de (Compositor) / Gilberto, João (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1961 / Álbum MOFB 3202 / Lado B / Faixa 5 / Gênero musical: Samba.
Tom: Dm7
Dm7A/C#Cm6
A insensatez que você fez
G/B
Coração mais sem cuidado
Gm/BD#7+Eº
Fez chorar de dor o meu amor
A5+/7Dm7
Um amor tão delicado
F7/CBºA#7+
Ah! Porque você foi fraco assim
Gm7Dm7
Assim tão desalmado
F7/CE7/BA4/7
Ah! Meu coração quem nunca amou
A5+/7Dm7
Não merece ser amado
Dm7A/C#Cm6
Vai meu coração, usa a razão
G/B
Usa só sinceridade
A#6D#7+Eº
Quem semeia vento, diz a razão
A5+/7Dm7
Colhe sempre tempestade
F7/CBº
Vai meu coração
A#7+Gm7Dm7
Pede perdão, perdão apaixonado
F7/CE7/BA7/4
Vai porque quem não pede perdão
A5+/7Dm7
Não é nunca perdoado
LP Mais Bossa Com Os Cariocas / Título da música: Ela é carioca / Tom Jobim (Compositor) / Vinícius de Moraes (Compositor) / Os Cariocas (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1963 / Catálogo: P 632.177 L / Gênero musical: Samba.
Tom: C
Intro: C
C7+ Am7
Ela é carioca, ela é carioca
D7/9
Basta o jeitinho dela andar
Dm7 Bbm6 Am6 G7
E ninguém tem carinho assim para dar
Gm7 C7/9
Eu vejo na cor dos seus olhos
F#m7/5- Fm6
As noites do Rio ao luar
C7+ Bº Bb7+ A7
Vejo a mesma luz, vejo o mesmo céu
Ab7+ Db7/9
vejo o mesmo mar
C7+ Am7
Ela é meu amor, só me vê a mim
D7/9
A mim que vivi para encontrar
Dm7 Bbm6 Am6 G7
Na luz do seu olhar, a paz que sonhei
Gm7 C7/9
Só sei que eu sou louco por ela
F#m7/5- Fm6
E pra mim ela é linda demais
C7+ Bº Bb7+ Bº
E além do mais, ela é carioca
C7+
ela é carioca
Soando como a coisa mais estranha que aparecera até então na música brasileira, a primeira gravação de “Desafinado” (Odeon, 14426-b), lançada em fevereiro de 59, já mostrava tudo o que a bossa nova oferecia de inovador e revolucionário: o canto intimista, a letra sintética, despojada, o emprego de acordes alterados e, sobretudo, um extraordinário jogo rítmico entre o violão, a bateria e a voz do cantor.
Responsável por este jogo rítmico, seu interprete, João Gilberto, assumia assim de imediato um papel destacado no trio — completado pelo compositor Tom Jobim e o poeta Vinícius de Moraes que, criando a bossa nova, alteraria de forma irreversível o curso de nossa música popular. Apenas com Tom e Vinicius teríamos certamente uma música moderna, sofisticada, renovadora, mas que não seria o que se chamou bossa nova.
A melodia de “Desafinado” é bastante “torta” (“era mais ainda na concepção original. O João é que alterou alguma coisa na hora de gravar”, informa Tom Jobim) em razão principalmente de uma engenhosa alteração no quinto e sexto graus da escala na frase inicial (“Se você disser que eu desafino, amor”) que recai sobre as sílabas “de” (de “de-sa-fino”), “a” e “mor” (de “a-mor”).
Ao sustenizar a dominante e bemolizar a super-dominante, foram produzidos intervalos melódicos inusitados para os padrões da música brasileira da época, a ponto de dificultar a interpretação de alguns cantores menos dotados. Localizando essa alteração sobre a palavra “desafino”, os autores criaram a impressão de que o cantor semitonava, ou seja desafinava, o que levou muita gente a achar João Gilberto um cantor desafinado. Ao mesmo tempo, a batida deslocada do violão e o contratempo da percussão confundiram os músicos, provocando estupefação geral.
Tanta novidade apresentada numa única composição a levaria inevitavelmente ao sucesso, que se estenderia ao exterior. Nos Estados Unidos, por exemplo, o single de “Desafinado”, com Stan Getz e Charlie Byrd, gravado em 1962, ultrapassou a marca de um milhão de cópias e recebeu o prêmio Grammy de melhor performance de jazz. O fonograma foi extraído do álbum Jazz samba, que permaneceu setenta semanas no hit-parade americano e também ultrapassou a marca de um milhão de cópias. Esta gravação é considerada o marco inicial da bossa nova nos Estados Unidos. (A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).
LP Chega de Saudade / Título da música: Desafinado / Tom Jobim (Compositor) / Newton Mendonça (Compositor) / João Gilberto (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1959 / Nº Álbum MOFB 3073 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.
Tom: F7+
F7+ G7/5-
Se você disser que eu desafino amor
Gm7 Bb/C Cm7 D7/9-
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Gm7 A7/5+ D7+ D7/9-
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
G7 Bb/C Gb7/13
Eu possuo apenas o que Deus me deu
F7+ G7/5-
Se você insiste em classificar
Gm7 Bb/C Cm7 D7/9-
Meu comportamento de anti-musical
Gm7 A7/5+ F6/9 E7/9+
Eu mesmo mentindo devo argumentar
A7+ G#7/5+ Em/G D/E
Que isto é bossa-nova, isto é muito natural
A7+ Bbº Bm7/4 E7
O que você não sabe nem sequer pressente
A7+ Am7 Bm7/4 E7
É que os desafinados também têm um coração
C7+ C#º Dm7/4
Fotografei você na minha Roleiflex
G7 Gm7 D7/9- G7 Gb7/13
Revelou-se a sua enorme ingratidão
F7+ G7/5-
Só não poderá falar assim do meu amor
Gm7 Bb/C Cm7 D7/9-
Este é o maior que você pode encontrar
Gm7 Bbm7 Am7 G7
Você com sua música esqueceu o principal
G7
Que no peito dos desafinados
Bbm7 Eb7/9
No fundo do peito bate calado
G7 Gb7/13
Que no peito dos desafinados
F6/9 Bbm6 F6/9
Também bate um coração
Embora considerada o marco zero da bossa nova, “Chega de Saudade” não é na opinião de Tom Jobim uma composição bossa nova. Em depoimento ao jornalista Tárik de Souza (para o livro Tons sobre Tom), ele esclareceu:
“Minha mãe criou uma menina, que também se chamava Nilza (nome da mãe do Tom) e me pediu para comprar um método de violão para ela, que tinha boa voz. Comprei o método do Canhoto que trazia (...) aquele sistema antigo (de acordes) primeira, segunda, terceira. (...)
Fui obrigado a explicar para ela naquele método (...) e acabei me envolvendo com aquela seqüência de acordes, completamente fáceis. Inventei uma sucessão de acordes, que é a coisa mais clássica do mundo, e botei ali uma melodia.
Mais tarde, Vinícius colocou a letra. De certa forma, sentindo a novidade da bossa nova, do João Gilberto e daquele meio em que a gente vivia, talvez Vinicius tenha sido levado a intitular a música ‘Chega de Saudade’. (...) Esse título é engraçado porque a música tem algo de saudade desde a introdução. Lembra aquelas introduções de conjuntos de violão e cavaquinho, tipo regional. (...).
Na segunda parte, passa para maior (modo maior). Acontecem todas aquelas modulações clássicas que você encontra na música antiga. Isso cria um absurdo: o ‘Chega de saudade’ já é uma saudade jogando fora a saudade!”.
Tom Jobim
Realmente, a bossa nova de “Chega de Saudade” está quase toda na harmonia, nos acordes alterados, pouco utilizados por nossos músicos da época, e na nova batida de violão executada por João Gilberto. A novidade rítmica fica muito clara, especialmente sob os versos “dentro dos meus braços os abraços / hão de ser milhões de abraços / apertado assim...”, com o violão indo na contramão da forma institucionalizada de se tocar samba. Aliás, a inovação já está presente na gravação de Elizeth Cardoso, a primeira de “Chega de Saudade”, feita para o elepê Canção do amor demais, que tem a participação de João Gilberto como violonista.
Esse disco, lançado pela pequena marca Festa, do produtor Irineu Garcia, é considerado por Tom Jobim (em depoimento a Zuza Homem de Mello, em outubro de 68) “um marco, um ponto de fissão, de quebra com o passado”. No dia 10.7.58, seis meses depois da gravação da Elizeth, aconteceu a do João, naturalmente repetindo a mesma batida de violão e apresentando o seu estilo bossa nova de cantar.
Este disco histórico, que traz na outra face o baiãozinho “Bim-Bom” (classificado no selo como samba), provocaria a pitoresca e mal-humorada reação de Álvaro Ramos, gerente das Lojas Assunção, quebrando o disco, indignado com o que o Rio lhe mandava. Atribuída no anedotário da bossa nova a Osvaldo Gurzoni, diretor de vendas da Odeon em São Paulo (que também não gostara do disco), a verdadeira identidade do autor da façanha (Ramos) seria revelada por Ruy Castro no livro Chega de saudade. Esse episódio aconteceu em São Paulo, em agosto de 58, às vésperas do lançamento do disco de 78 rotações, que precedeu em alguns meses o elepê homônimo.
LP Chega De Saudade / Título da música: Chega de Saudade / Tom Jobim (Compositor) / Vinícius de Moraes (Compositor) / João Gilberto (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1959 / Nº Álbum: MOFB 3073 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / Bossa Nova.
Dm7 Bº Bbm6
Vai minha tristeza e diz a ela
Dm7 A7
Que sem ela não pode ser
Dm7 E7 Am7 Bb7
Diz-lhe numa prece que ela regresse
A7 A7/5+
Porque eu não posso mais sofrer
Dm7 Bº
Chega de saudade,
Bbm6 Am6 D7/9-
A realidade é que sem ela não há paz,
Gm7 A7 Dm7
Não há beleza, é só tristeza
Bº
e a melancolia que não sai de mim
Bbm6 Dm7 Em7 A7
Não sai de mim, não sai
D7+ E7
Mas se ela voltar, se ela voltar,
G/A A7 D7+
Qua coisa linda, que coisa louca
Fº Em7
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
E7 Bbm6 A7
Do que os beijinhos que eu darei na sua bo .. ca
D7+ E7 F#7
Dentro dos meus braços os abraços
Bm7 Bbm7 Am7
hão de ser milhões de abraços
D9 G7+ Gm7 F#m7
Apertado assim, calado assim, colado assim
Fº E7 A7 F#7
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
B7/5+ E7
Que é prá acabar com esse negócio
A7 D7+/9
de você viver sem mim
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol.2 - 1958-1985.
Composto em 1960, numa viagem de trem entre o Rio e São Paulo, “O Amor em Paz” destinava-se ao lançamento de um programa de televisão de Agostinho dos Santos. Mas o público ignorou a versão de Agostinho e, em seguida, a da cantora Marisa Gata Mansa, só tomando conhecimento da canção um ano depois, quando João Gilberto a gravou em seu terceiro elepê.
Realizada em setembro de 61, esta gravação tem um soberbo arranjo de Tom Jobim e a sua irretocável participação ao piano. Pode-se dizer que ela transmite toda a força da composição, uma das mais pungentes da parceria Tom e Vinícius — a velha história do amor perdido, sofrido, lamentado e a expectativa de paz que renasce com a descoberta de um novo amor, arrematando-se o poema com a romântica reflexão: “O amor é a coisa mais triste quando se desfaz.”
A mesma nota tônica inicial (“Eu”, no verso “Eu amei”) é harmonizada com um acorde menor no primeiro compasso e um maior no segundo, prosseguindo esse jogo ao longo dos 16 compassos de Ai e A2, mais os oito de B e da coda, esta com um final bachiano passando do acorde de tônica menor para o de tônica maior. Essas alternâncias harmônicas acompanham, em perfeita integração com a letra, as situações de tristeza pelo amor perdido e de alegria pelo reencontrado.
É uma brilhante criação no mais sedutor aspecto que caracteriza a música de Antônio Carlos Jobim, a composição harmônica. Bem gravado no Brasil, “O Amor em Paz” recebeu no exterior, com o título de “Once I Loved”, várias gravações de cantores (Perry rio, Sinatra, Ella Fitzgerald) e jazzistas importantes (Milt Jackson, McCoy Tyner, Wes Montgomery).
LP João Gilberto / Título da música: O amor em paz / Jobim, Tom (Compositor) / Moraes, Vinícius de (Compositor) / Gilberto, João (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1961 / Álbum MOFB 3202 / Lado A / Faixa 6 / Gênero musical: Samba.
Introdução: F#7M F#7/#5
Bm7/9 E7 A7M A#°
Eu amei
Bm7/9 C°
E amei ai de mim, muito mais
C#m7/9 Bm7/9 E7
Do que devia amar
Am7/9 D7 G7M G6
E chorei
G#m7(b5) G#7(b9)
Ao sentir que eu iria sofrer
F#7M F#7/#5
E me desesperar
Bm7/9 E7 A7M A#°
Foi então
Bm7 C°
Que da minha infinita tristeza
C#m7/9 Bm7/9 E7
Aconteceu você
Am7/9 D7 G7M G6
encon......trei
G#m7(b5) C#7/b9
Em você a razão de viver
F7M
E de amar em paz
F#m6 E7M/9 Em6
E não sofrer mais
D7M/9
Nunca mais
D#m7/b5 G#°
Porque o amor é a coisa mais triste
F#m7/4 F#7/#5
Quando se desfaz
Bm7/9 G#°
O amor é a coisa mais triste
F#m7/4
Quando se desfaz.
A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
Baseado numa ideia de Sérgio Ricardo, O Pasquim lançou em maio de 72, com um show no Teatro da Praia, a novidade do “Disco de Bolso”, um compacto simples que apresentava duas músicas, sendo uma de um compositor consagrado e a outra de um iniciante.
Convidados por Sérgio, participaram do disco inaugural Antônio Carlos Jobim, com “Águas de Março”, e João Bosco, em parceria com Aldir Blanc, com “Agnus Sei”. Teria assim um lançamento diferente essa importante composição de Jobim que, ao lado de “Matita Perê”, prenuncia uma intensificação em sua obra do uso de temas ligados à natureza.
Aparentemente simples, “Águas de Março” possui na realidade uma estrutura sofisticada, extremamente trabalhada, que a distingue como uma das composições mais inteligentes da música brasileira. Essa estrutura apoia uma melodia caracterizada pela obstinada repetição de uma pequena célula rítmico-melódica, construída basicamente com duas notas (a terceira e a fundamental do acorde de tônica), harmonizada por um encadeamento de quatro acordes, com o uso de inversões e outras diferenças sutis — e é neste ponto que se situa a parte mais rica da criação de Jobim — que se resolve invariavelmente no acorde de tônica a cada final de frase, ou seja, de quatro em quatro compassos, nada menos que 18 vezes durante toda a peça.
Com a troca de acordes, as mesmas notas, sempre repetidas, vão adquirindo colorido renovado, soando como se fossem notas diferentes, enquanto os referidos acordes acabam por se fixar de tal maneira que, ao se cantarolar “Águas de Março”, eles vêm intuitivamente à imaginação, por meio de nosso ouvido interno.
Essa sofisticação se estende à letra, talvez a melhor entre todas que Jobim escreveu. Em dezenas de versos incisivos, diretos, quase sem adjetivação, o poema passa impressões sobre um final de verão no campo, enunciando minuciosamente os componentes da paisagem, encharcada pelas águas de março.
O curioso é que esses dados são transmitidos de forma independente, como frações de um quadro, que o ouvinte ajuntará ao seu gosto: “É pau, é pedra / é o fim do caminho / é um resto de toco / é um pouco sozinho / (...) / é um passo, é uma ponte / é o sapo, é uma rã / é um belo horizonte / é uma febre terçã / são as águas de março / fechando o verão / é a promessa de vida / no teu coração...”
Esta paisagem é a de uma propriedade do compositor, na localidade de Poço Fundo, no estado do Rio, onde ele costumava passar fins de semana. Foi lá que nasceu, em março de 72, “Águas de Março”, numa casinha de pau-a-pique, apelidada de Barraco 2, na qual Tom morou ao tempo em que sua casa maior era construída. Na ocasião, segundo Helena Jobim (no livro Um homem iluminado), “ele trabalhava obsessivamente em ‘Matita Perê’. Subitamente, surgiu em sua cabeça um tema novo. Teresa, sua mulher, ouviu, meio dormindo e disse que o tema era lindo. Então, ele pediu uma folha de papel e, não achando no momento nada melhor, ela lhe deu um papel de embrulho do pão” no qual foi registrada a idéia inicial da canção.
Naturalmente, Tom conhecia o poema “O Caçador de Esmeraldas” de Olavo Bilac, que cita as chuvas de março: “Foi em março, ao findar da chuva, quase à entrada / do outono, quando a terra em sede requeimada / bebera longamente as águas da estação...” Mas, enquanto nos versos de Bilac as águas de março são citadas de passagem (por molharem a terra de onde “Fernão Dias Paes Leme entrou pelo sertão”), nos de Jobim são o próprio tema da composição. Entre dezenas de gravações de “Águas de Março”, destacam-se as duas de Elis Regina, a de João Gilberto e a do próprio Tom Jobim com a Banda Nova.
Águas de Março (1972) - Tom Jobim - Intérpretes: Elis Regina e Tom Jobim
LP Elis & Tom - Elis Regina e Tom Jobim / Título da música: Águas de Março / Tom Jobim (Compositor) / Elis Regina (Intérprete) / Tom Jobim (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1974 / Nº Álbum: 6349 112 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / Bossa Nova / MPB.
Tom: B
(Intro: B/A)
B/A G#m6
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Em7+/G F#6
É um resto de toco, é um pouco sozinho
B7.9/F# Db/F
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
Em6 B7M
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
B7.9 Db/F
É peroba do campo, é o nó da madeira
Em6 B7M
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
B7.9 Db/F
É madeira de vento, tombo da ribanceira
Em6 B7M
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
B7.9 Db/F
É o vento ventando, é o fim da ladeira
Em6 B7M
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
B7.9 Db/F
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Em6 B7M
Das águas de março, é o fim da canseira
B/A G#m6
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Em7+/G F#6
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
B7.9/F# Db/F
É uma ave no céu, é uma ave no chão
Em6 B7M
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
B7.9 Db/F
É o fundo do poço, é o fim do caminho
Em6 B7M
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
B/A G#m6
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
Em7+/G F#6
Um pingo pingando, uma conta um conto
B7.9/F# Db/F
Um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
Em6 B7M
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
B7.9 Db/F
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
Em6 B7M
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
B7.9 Db/F
O projeto da casa, é o corpo na cama
Em6 B7M
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
B/A G#m6
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
Em7+/G F#6
É um resto de mato, na luz da manhã
B7.9/F# Db/F
São as águas de março fechando o verão
Em6 B7M
É a promessa de vida no teu coração
B7.9/F# E6
É uma cobra, é um pau, é João, é José
Em6 B7M
É um espinho na mão, é um corte no pé
B7.9 Db/F
São as águas de março fechando o verão
Em6 B7M
É a promessa de vida no teu coração
B/A G#m6
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Em7+/G F#6
É um resto de toco, é um pouco sozinho
Bm C#/B
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
C#dim/B B
É um belo horizonte, é uma febre terçã
Bm C#/B
São as águas de março fechando o verão
C/B B
É a promessa de vida no teu coração
B/A G#m6
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Em7+/G F#6
Um resto de toco, é um pouco sozinho
B7.9/F# Db/F
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
Em6 B7M
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
B7.9 E6
São as águas de março fechando o verão
Em6 B7M
É a promessa de vida no teu coração
B/A G#m6
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Em7+/G F#6
É um resto de toco, é um pouco sozinho
B7/F# Db/F
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
Em6 B7M
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
B7.9 E6
É peroba do campo, é o nó da madeira
Em6 B7M
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
B7.9 Db/F
É madeira de vento, tombo da ribanceira
Em6 B7M
É o mistério profundo, o queira ou não queira
B7.9 E6
É o vento ventando, é o fim da ladeira
Em6 B7M
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
B7.9 Db/F
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Em6 B7M
Das águas de março, é o fim da canseira
B/A G#m6
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Em7+/G F#6
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
B7/F# Db/F
É uma ave no céu, é uma ave no chão
Em6 B7M
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
B7.9 Db/F
É o fundo do poço, é o fim do caminho
Em6 B7M
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
B/A G#m6
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
Em7+/G F#6
Um pingo pingando, uma conta um conto
B7/F# E6
Um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
Em6 B7M
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
B7.9 Db/F
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
Em6 B7M
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
B7.9 Db/F
O projeto da casa, é o corpo na cama
Em6 B7M
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
B/A G#m6
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
Em7+/G F#6
É um resto de mato, na luz da manhã
B7/F# Db/F
São as águas de março fechando o verão
Em6 B7M
É a promessa de vida no teu coração
B7.9/F# E6
É uma cobra, é um pau, é João, é José
Em6 B7M
É um espinho na mão, é um corte no pé
B7.9 Db/F
São as águas de março fechando o verão
Em6 B7M
É a promessa de vida no teu coração
B/A G#m6
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Em7+/G F#6
É um resto de toco, é um pouco sozinho
Bm C#/B
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
C#m7.5b/B B
É um belo horizonte, é uma febre terçã
B/A G#m6
São as águas de março fechando o verão
Em7+/G F#6
É a promessa de vida no teu coração
B/A G#m6
É pau, é pedra, é o fim do caminho
Em7+/G F#6
Um resto de toco, é um pouco sozinho
B7.9/F# Db/F
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
Em6 B7M
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
B7.9 Db/F
São as águas de março fechando o verão
Em6 B7M B7.9/F# Db/F Em6
É a promessa de vida no teu coração
B7M B7.9 Db/F Em6
B7M Bm7 C#/B C/B B
É pau é pedra
Fonte: A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34.
Em meados de 56, Vinícius de Moraes estava com a peça "Orfeu da Conceição" pronta, faltando somente conseguir um compositor para musicá-la e, se possível, orquestrá-la. Achava Vinicius que o nome ideal para a tarefa seria o de Vadico (Osvaldo Gogliano), parceiro de Noel Rosa que, convidado não aceitou.
Atendendo, então, a uma sugestão do crítico musical Lúcio Rangel, o poeta convidou Antônio Carlos Jobim, na época um jovem compositor e arranjador ainda pouco conhecido.
Começava assim a parceria Tom/Vinicius, uma das mais importantes da música brasileira, juntando o talento de um grande músico ao de um poeta consagrado e que deu como primeiro fruto "Se Todos Fossem Iguais a Você". Romântica, requintada, até com uma certa tendência para o monumental, "Se Todos Fossem Iguais a Você" é a melhor composição do repertório criado para a peça. Lançada por Roberto Paiva no final de 56 chegaria ao sucesso no ano seguinte, quando recebeu várias outras gravações.
Se todos fossem iguais a você (samba-canção, 1957) - Tom Jobim e Vinícius de Moraes - Intérprete: Maysa
Disco LP 10 pol 33 1/3 rpm / Título da música: Se todos fossem iguais a você / Jobim, Antônio Carlos (Compositor) / Moraes, Vinícius de (Compositor) / Maysa (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RGE, 1957 / Nº Álbum RLP-0015 / Gênero musical: Samba-canção.
Tom: D7+
D7M E/D
Vai tua vida, teu caminho é de paz e amor
D7M G7M
A tua vida é uma linda canção de amor
C#m5-/7 F#7 B6/7 B5+/7 Em7
Abre os teus braços e canta a última esperança
Gm7 F7M F#m7 B5+/7 Am7 D7
A esperança divina de amar em paz
G7M F#m5-/7 B5+/7 Em7 Dm7 G7
Se todos fossem iguais a você
C7M Bm7 E7 Am7
Que maravilha viver
C/D G7M
Uma canção pelo ar, uma mulher a cantar
C#m5-/7 F#7 Bm7 Am7
Uma cidade a cantar, a sorrir, a cantar, a pedir
D7 G7M F#m5-/7 B5+/7
A beleza da amar como o sol,
Em7 Dm7 G7
como a flor, como a luz
C7M Dm7 G7 C7M
Amar sem mentir, nem sofrer
C#m5-/7 Cm7 G/B Gm/Bb
Existiria verdade, verdade que ninguém vê
Am7 C/D G7M
Se todos fossem no mundo iguais a você
A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34
LP O Amor Sorriso E A Flor / Título da música: Outra Vez / Tom Jobim (Compositor) / João Gilberto (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1960 / Nº Álbum: MOFB 3151 / Lado B / Faixa 6 / Gênero musical: Bossa Nova.
Tom: D13
Intro:Cmaj7 G7/-5 Cmaj7 G7/-5 Cmaj7
D13/-9 Dm7 Fdim Em7
Outra vez sem você,
Ebdim Dm7 Gdim Fmaj7
outra vez sem amor
Fm6 Em7 Ebm7
Outra vez vou sofrer,
Dm7 Dbmaj7 Cmaj7 G7/-5 Cmaj7
vou chorar, até você voltar
D13/-9 Dm7 Fdim Em7
Outra vez vou vagar,
Ebdim Dm7 Gdim Fmaj7
por aí pra esquecer
Fm6 Em7 Ebm7 Dm7
Outra vez vou falar mal do mundo,
Dbmaj7 Cmaj7 D13/-9 Ebdim B7/+5 B7 Em7
até você voltar
Dbm7/-5 Cdim Bm7
Todo mundo me pergunta, porque ando triste assim
Bbdim Am7
Ninguém sabe o que é que eu sinto,
Adim Gmaj7
com você longe de mim
G6 Dm7 G7 Cmaj7
Vejo o sol quando ele sai, vejo a chuva quando cai
Bbmaj7 Abmaj7 Bbmaj7
Tudo agora é só tristeza,
Dm7 G#m6 G#dim Cmaj7
traz saudade de você
D13/-9 Dm7 Fdim Em7
Outra vez sem você,
Ebdim Dm7 Gdim Fmaj7
outra vez sem amor
Fm6 Em7 Ebm7 Dm7
Outra vez vou falar mal do mundo,
Dbmaj7 Cmaj7 G7/-5 Cmaj7
até você voltar,
Dbmaj7 Cmaj7
Até você voltar
Antecedendo em alguns meses a versão de João Gilberto, que imprimiu à canção sua marca definitiva, “Meditação” seria gravada com sucesso por Isaura Garcia. Embora acompanhada pelo conjunto do marido, Walter Wanderley, um músico avançado que participaria em 61 do terceiro elepê do João, não havia na interpretação de Isaurinha a menor conotação de bossa nova. Era, isto sim, totalmente coerente com a personalidade da cantora (o álbum chamava-se Sempre personalíssima) de sotaque ítalo-paulistano, mas, que, em compensação, exibia um extraordinário senso de divisão, incomum para quem nascera no Brás. Além do mais era passional ao extremo, o que até justifica o “ai-ai-ai” que ela comete depois do verso “e tanto que seu pranto já secou...”.
Assim se entende por que sua interpretação seria praticamente o oposto da do João, a partir do andamento, mais rápido. Com um acompanhamento de cordas, um piano discreto, um trombone — na introdução que se tornaria clássica — e uma flauta — apenas na segunda parte e no final —, a versão do cantor dá bem um exemplo da economia que caracterizou a bossa nova em vários aspectos, da 0rquestraçao à duração da faixa.
Com a participação de Tom e Newton tanto na letra como na música, conforme era próprio da parceria, “Meditação” tem a estrutura A1 - A1 - B - A2, com 16 compassos em A e oito em B. O que ressalta na composição são as sofisticadas alterações diatônicas em sílabas como “di” (“quem a-cre-ditou”), “no” (“no amor”), “a” (“e perdeu a paz”), “so” (“o amor, o sor-ri-so”) e “sa” (“se transformam de-pres-sa demais”).
Já a letra, que lançou a expressão “o amor, o sorriso e a flor” — logo vinculada à bossa nova, a princípio positivamente, mais tarde, pejorativamente —, percorre as etapas de uma tradicional história de amor: o sonho inicial, a perda, a solidão, a privação e, por fim, o reencontro como amor verdadeiro.
O enfoque de João Gilberto e o arranjo de Tom Jobim exerceram forte influência no padrão da maioria das gravações que se seguiram, fazendo de “Meditação” (“Meditation”, na versão em inglês) a terceira composição em popularidade na pequena, mas importante, obra da dupla Jobim-Mendonça (A Canção no Tempo - Vol. 2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Ed. 34).
LP O Amor Sorriso e a Flor / Título da música: Meditação / Jobim, Tom (Compositor) / Newton Mendonça (Compositor) / Gilberto, João (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1960 / Nº Álbum MOFB 3151 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba.
A6AºA6
Quem acreditou no amor no sorriso na flor
C#m7F#7(-13)
Então sonhou sonhou
Bm7Dm7
E perdeu a paz
C#m7F#7(-13)
O amor o sorriso e a flor
Bm7E5+
Se transformam depressa demais
A6Aº
Quem no coração
A6
Abrigou a tristeza de ver
C#m7F#7(-13)
Tudo isso se perder
Bm7Dm7
E na solidão
C#m7F#7(-13)
Procurou a caminho a seguir
Bm7E5+
Já descrente de um dia feliz
D7+Dm7
Quem chorou chorou
C#m7CºBm7E5+
E tanto que o seu pranto já secou
A6Aº
Quem depois voltou
A6
Ao amor ao sorriso e a flor
C#m7F#7(b13)
Então tudo encontrou
Bm7Dm7
Pois a própria dor
C#m7F#7(-13)Bm7E7(9b)Am7
Revelou o caminho do amor e a tristeza acabou
Disco 78 rpm / Título da música: Eu não existo sem você / Jobim, Tom, 1927-1994 (Compositor) / Moraes, Vinicius de, 1913-1980 (Compositor) / Maysa, 1936-1977 (Intérprete) / Matarazzo, Maysa (Intérprete) / Simonetti, Enrico (Acomp.) / Orquestra RGE (Acomp.) / Imprenta [S.l.]: RGE, 1956-1958 / Nº Álbum 10099 / Gênero musical: Samba canção.
Tom: G7+
G7M E7/9-
Eu sei e você sabe,
Am7 C/D
já que a vida quis assim
Am7 D7/9-
Que nada nesse mundo
G7M G6
levará você de mim
C#m5-/7 F#7/A#
Eu sei e você sabe
Bm7 E7/9
que a distância não existe
Am7 D7/9-
Que todo grande amor
G7M E7/9-
só é bem grande se for triste
Am7 Cm7 Bm7 E7/9-
Por isso, meu amor, não tenha medo de sofrer
Am7 D7/9- G7M C/D
Pois todos os caminhos me encaminham prá você
G7M E7/9- Am7 C/D
Assim como o oceano só é belo com o luar
Am7 D7/9- G7M G6
Assim como a canção só tem razão se se cantar
C#m5-/7 F#7/A# Bm7 E7/9
Assim como uma nuvem só acontece se chover
Am7 D7/9- G7M E7/9-
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Am7 Cm7 Bm7 E7/9-
Assim como viver sem ter amor não é viver
Am7 D7/9- G7M
Não há você sem mim e eu não existo sem você
Comuns na música americana, especialmente em shows da Broadway, as canções que apresentam um recitativo (verse, em inglês) precedendo a primeira parte são raras na música brasileira. Incluem-se nessa categoria alguns sambas-exaltação, valsas e sambas-canção como “Ponto Final”, sucesso de Dick Farney.
Curiosamente, o esquema é utilizado por compositores da bossa nova como Carlos Lyra (“Maria Ninguém”, “Sabe Você”) e Tom Jobim (“Se Todos Fossem Iguais a Você”, “Desafinado”, “Dindi”), embora em algumas dessas canções o prólogo seja desprezado pela maioria dos intérpretes — “Desafinado”, por exemplo, poucas vezes foi gravado na íntegra, constituindo exceções os registros de Jobim nos álbuns Terra brasilis e Tom Jobim inédito.
Em “Dindi”, porém, o recitativo cantado ad libitum, como convém, está presente em quase todas as gravações: “Céu, tão grande é o céu / e bandos de nuvens que passam ligeiras / para onde elas vão / (...) / contando as histórias que são de ninguém / mas que são minhas / e de você também..” Seguem-se o estribilho (“Ai, Dindi / se soubesses do bem que eu te quero.”) e a estrofe (“E as águas deste Rio / onde vão, eu não sei / a minha vida inteira / esperei... esperei...”). Geralmente, os recitativos são compostos no modo menor, abrindo para a relativa maior no estribilho, como ocorre em “Dindi” lá menor, dó maior e mi menor são, respectivamente, as tonalidades do recitativo, do estribilho e da estrofe.
Sylvia Telles, a própria “Dindi” da canção cuja letra é assinada por seu futuro marido, Aloysio de Oliveira, foi a lançadora, responsável pelo sucesso inicial da canção. Esta gravação, realizada para o elepê Amor de gente moça (outubro de 59), tem preciosa orquestração de Lindolfo Gaya, com a harpa sugerindo “as nuvens que passam” e a trompa “o vento que fala nas folhas”.
Fervorosa, envolvente, ela não seria igualada nem pela mesma Silvinha nas três vezes em que a regravou: nos elepês Amor em hi-fi (1960), Reencontro, com o Tamba Trio (1966) e, finalmente, um mês antes de sua morte num acidente automobilístico, no disco gravado ao vivo, em Berlim, com o acompanhamento da violonista Rosinha de Valença. (A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34).
LP Amor de gente moça / Título da música: Dindi / Oliveira, Aloysio de (Compositor) / Tom Jobim (Compositor) / Telles, Sylvia (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1959 / Nº Álbum MOFB 3084 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba-canção.
Intro: C7+C7MBb7M
Céu, tão grande é o céu
C7MBb7M
E bandos de nuvens que passam ligeiras
A7MC#m7F#mBm7E7/5+
Prá onde elas vão, ah, eu não sei, não sei
C7MBb7M
E o vento que fala das folhas
C7MBb7M
Contando as histórias que são de ninguém
A7MC#m7F#mBm7E7/5+
Mas que são minhas e de você também
C7MBb7M
Ai, Dindí
C7MGm7
Se soubesses o bem que eu te quero
F#7/5-F7MF#ºBb7/9C7MBb7M
O mundo seria, Dindí, tudo, Dindí, lindo, Dindí
C7MBb7M
Ai, Dindí
C7MAm7G#m7Gm7F#7/5-F7MF#º
Se um dia você for embora me leva contigo, Dindí
Bb7/9C7MAm7F#m7/5-B7
Olha, Dindí, fica, Dindí
EmF#m7/5-B7
E as águas desse rio
Em/GF#m7/5-B7EmA7
Onde vão, eu não sei
Dm7A/GDm/FDm7G7C7MBb7M
A minha vida inteira, esperei, esperei por vo...cê, Dindí
C7MGm7
Que é a coisa mais linda que existe
F#7/5-F7MF#º
É você não existe, Dindí
Bb7/9C7MDm7Bb7M
Olha, Dindí, adivinha, Dindí
Feita para o filme de Marcel Camus “Orfeu do Carnaval”, “A Felicidade” consagrou internacionalmente Agostinho dos Santos (foto), a voz de Orfeu (cantando) no filme. Lamentando o caráter passageiro da felicidade (“Tristeza não tem fim / felicidade sim”), sua letra ostenta alguns dos mais belo versos da música popular brasileira: “A felicidade é como a gota / de orvalho numa pétala de flor / brilha tranqüila / depois de leve oscila / e cai como uma lágrima de amor...”.
E como o poema, a melodia é também de alta qualidade. Estimulada pela expectativa de sucesso do filme — que afinal aconteceu, com a premiação da Palma de Ouro em Cannes e o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em Hollywood —, nossa indústria do disco lançou em 1959 nada menos do que 25 gravações de “A Felicidade” (uma a mais do que “Eu Sei que Vou te Amar”), incluindo-se nessa leva inicial de intérpretes Maysa, Sylvia Telles, João Gilberto, Agostinho dos Santos (que a gravaria cinco vezes em sua carreira), além de instrumentistas como José Menezes, Chiquinho do Acordeom e Moacir Silva.
Detalhe pitoresco é que “A Felicidade” foi praticamente composta numa sucessão de telefonemas, com Jobim no Rio de Janeiro e Vinicius em Montevidéu, onde servia na embaixada brasileira.
Disco 78 rpm / Título da música: A felicidade / Jobim, Tom, 1927-1994 (Compositor) / Moraes, Vinicius de, 1913-1980 (Compositor) / Santos, Agostinho dos (Intérprete) / Orquestra RGE (Acompanhante) / Simonetti (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RGE, Indefinida / Nº Álbum 10173 / Gênero musical: Samba.
Am7Em7Am7D7/9Em7
Tristeza não tem fim / Felicidade sim
Am7Em7Am7D7/9Em7
Tristeza não tem fim / Felicidade sim
C7+Bm7/5-E7/9-Am7Am6Gm7C7
A felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar
F7+Fm6Am7D7/9
Voa tão leve mas tem a vida breve
Am7D7/9Am7
Precisa que haja vento sem parar
C7+Gm7C7/9F7+A felicidade do pobre parece / A grande ilusão do carnaval
Dm7G7C7+
A gente trabalha o ano inteiro
Gbm7/5-B7/9-Em7
Por um momento de sonho pra fazer
DºAm7D7/9
A fantasia de rei ou de pirata ou jardineira
Am7D7/9Am7
Pra tudo se acabar na quarta feira
C7+Bm7/5-E7/9-Am7Am6Gm7C7
A felicidade é como a gota de orvalho numa pétala de flor
F7+Fm6Am7D7/9
Brilha tranquila / Depois de leve oscila
Am7D7/9Am7
E cai com uma lágrima de amor
C7+
A minha felicidade está sonhando
Gm7C7/9F7+
Nos olhos da minha namorada
Dm7G7/13C7+
É como esta noite passando, passando
Gbm7/5-B7/9-Em7DºEm busca da madrugada / Falem baixo, por favor
Am7D7/9
Pra que ela acorde alegre como o dia
Am7D7/9Am7D7/9Am7G7/13C7+/9
Oferecendo beijos de amor / Tristeza não tem fim
A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34
Tom Jobim, Miúcha, Vinícius de Moraes e Toquinho - 1977
“Vai Levando” foi feita para o show “Chico & Bethânia no Canecão”, em 1975. Traz a irreverência eterna de Caetano Veloso, mesclada com a poesia social de Chico Buarque. É cantada em três vozes, a de Tom Jobim, a de Miúcha e a de Chico Buarque. A letra fala da fama, da roda viva da vida, da pílula, das suas convulsões numa época de claustrofóbica ditadura e mudança de costumes, afinal 1977 trouxe após anos de luta contra os desgastados preconceitos morais e religiosos, a aprovação da lei do divórcio.
É o existencialismo explícito, onde desfilam palavras do cotidiano midiático, como ‘Ibope’, ou marca de cerveja como ‘Brahma’. O disco mal tinha saído do forno e a canção tornou-se tema de abertura da novela global “Espelho Mágico” , um grande avanço na emissora de Roberto Marinho, que havia excluído Chico Buarque da sua programação desde a época dos festivais de canções, tendo-o como presença não grata: “Mesmo com o nada feito, / com a sala escura / com o nó no peito, / com a cara dura / a gente não tem cura / mesmo com o todavia, / com todo dia, / com todo ia, / todo não ia, / a gente vai levando / a gente vai levando...”
Em 1977 a música brasileira assistiu ao encontro histórico de Tom Jobim e Miúcha, registrado no álbum “Miúcha & Antonio Carlos Jobim”, desde então um clássico da MPB. A voz afinada e tranquila de Miúcha encontrou suporte decisivo no universo do maestro soberano, num disco em que ele abre mão da Bossa Nova jazzística, conforme era acusado na época, optando pela brasilidade genuína do som romântico e universal da sua obra.
LP Miúcha & Antônio Carlos Jobim / Título da música: Vai Levando / Chico Buarque (Compositor) / Caetano Veloso (Compositor) / Tom Jobim (Intérprete) / Miúcha (Intérprete) / Chico Buarque (Intérprete) / Gravadora: RCA Victor / Ano: 1977 / Nº Álbum: 103.0213 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical:
Tom: G7+
Intro: D7/9
G7+ Bbm7 D#7/9 Bm7
Mesmo com toda a fama, com toda a brahma
E7/9 Am4/7 G#7/5- G7+
Com toda a cama, com toda a lama
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+ Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai levando,
D7/9 Bm7
a gente vai levando
E7/9 Am7 D7/9 G7+
A gente vai levando essa chama
Bbm7 D#7/9 Bm7
Mesmo com todo o emblema, todo o problema
E7/9 Am4/7 G#7/5- G7+
Todo o sistema, todo Ipanema
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+ Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai levando,
D7/9 Bm7
a gente vai levando
E7/9 Am7 D7/9 G7+
A gente vai levando essa gema
Bbm7 D#7/9 Bm7
Mesmo com o nada feito, com a sala escura
E7/9 Am4/7 D7/9 G7+
Com um nó no peito, com a cara dura
Bm7 Am7 D7/9 G7+
Não tem mais jeito, a gente não tem cura
Bbm7 D#7/9 Bm7
Mesmo com o todavia, com todo dia
E7/9 Am4/7 G#7/5- G7+
Com todo ia, todo não ia
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+ Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai levando,
D7/9 Bm7
a gente vai levando
E7/9 Am7 D7/9 G7+
A gente vai levando essa guia
Bbm7 D#7/9 Bm7
Mesmo com todo rock, com todo pop
E7/9 Am4/7 G#7/5- G7+
Com todo estoque, com todo Ibope
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+ Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai levando,
D7/9 Bm7
a gente vai levando
E7/9 Am7 D7/9 G7+
A gente vai levando esse toque
Bbm7 D#7/9 Bm7
Mesmo com toda sanha, toda façanha
E7/9 Am4/7 G#7/5- G7+
Toda picanha, toda campanha
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+ Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai levando,
D7/9 Bm7
a gente vai levando
E7/9 Am7 D7/9 G7+
A gente vai levando essa manha
Bbm7 D#7/9 Bm7
Mesmo com toda estima, com toda esgrima
E7/9 Am4/7 G#7/5- G7+
Com todo clima, com tudo em cima
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+ Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai levando,
D7/9 Bm7
a gente vai levando
E7/9 Am7 D7/9 G7+
A gente vai levando essa rima
Bbm7 D#7/9 Bm7
Mesmo com toda cédula, com toda célula
E7/9 Am4/7 G#7/5- G7+
Com toda súmula, com toda sílaba
A7/6 A7/5+ D7/9 G7+ Bm7 A#7 Am7
A gente vai levando, a gente vai tocando,
D7/9 Bm7
a gente vai tomando
E7/9 Am7 D7/9 G7+
A gente vai dourando essa pílula
Lançada no elepê Por toda a minha vida, da marca Festa, este samba-canção (mais canção do que samba), altamente romântico, era interpretado pela cantora de formação lírica Lenita Bruno, mulher do maestro-arranjador Leo Peracchi.
Porém, a melhor das 24 versões de “Eu Sei que Vou te Amar”, lançadas só no ano de 1959, seria a de Elza Laranjeira, uma paulista pouco conhecida no resto do país. Companheira de Agostinho dos Santos, Elzinha era dona de uma voz doce, de afinação irretocável. Morta em 1986, foi por muito tempo, com Isaura Garcia, a mais destacada cantora do elenco fixo da rádio e TV Record que, ao lado de Neide Fraga, Dircinha Costa e Alda Perdigão, era escalada nos musicais de rotina das duas emissoras.
Mas, voltando à canção, a espantosa quantidade de gravações realizadas no ano de seu lançamento dá uma ideia da reação positiva do meio artístico ao repertório de alto nível composto pela dupla Tom e Vinicius, nos meses seguintes a sua formação.
“Eu Sei que Vou te Amar” é uma composição standard (lembra ligeiramente a canção “Dancing in the Dark”, de Schwartz e Dietz) em duas partes, nas quais os oito primeiros compassos têm melodia idêntica, encaminhada, porém, por meio de uma sutil alteração harmônica, a diferentes arremates.
Entretanto, o ponto alto da canção é a letra: “Eu sei que vou te amar / por toda a minha vida eu vou te amar / em cada despedida eu vou te amar / desesperadamente, eu sei que vou te amar.”
Seu romantismo exacerbado remete a alguns sonetos de Vinícius, que embalaram declarações de amor de toda uma geração. Não foi, assim, por acaso que, na versão de grande êxito criada em 1972 por Maria Creuza, Toquinho e Vinícius, o poeta incorporou em contraponto à voz da cantora uma enlevada declamação do “Soneto de Fidelidade”. Por tudo isso, pode-se concluir que “Eu Sei que Vou te Amar” é mais uma canção de Vinícius do que de Tom Jobim, sem demérito para o maestro.
Disco 78 rpm / Título da música: Eu sei que vou te amar / Jobim, Tom, 1927-1994 (Compositor) / Moraes, Vinicius de, 1913-1980 (Compositor)
Laranjeira, Elza (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: RGE, 1959 / Nº Álbum 10161 / Gênero musical: Samba canção.
(intro) E9 C#° Em7/b5 Bbm6 F#m7/b5 F7+ C7+ G7/b9
C7+
Eu sei que vou te amar
C#º Dm7
Por toda a minha vida
G7/5+
Eu vou te amar
G7 Gm7 C7/9
Em cada despedida eu vou te amar
F7+ Bb7/b5
Desesperadamente eu sei que vou te amar
Em C#º Dm7 G7/5+ G7 Em7/b5 A7/5+
E cada verso meu será pra te dizer
D7/9
Que eu sei que vou te amar
G7/5+ G7
Por toda minha vida
C7+
Eu sei que vou chorar
C#º Dm7 G7/5+
A cada ausência tua eu vou chorar
G7 Gm7 C7/9
Mas cada volta tua há de apagar
F7+ Bb7/b5
O que esta ausência tua me causou
Em C#º
Eu sei que vou sofrer
Em5-/7
A eterna desventura de viver
A7/5+ A7 Dm7/9
A es..pera de viver ao lado teu
G7/5+ G7 C7+
Por toda a minha vida.
Eu sei que vou sofrer
Em5-/7
A eterna desventura de viver
A7/5+ A7 Dm7/9
A es..pera de viver ao lado teu
G7/5+ G7 C7+ G7/b9
Por toda a minha vida.
A Canção no Tempo - Vol.2 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34