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quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Sucessos de 1904: Corta-Jaca


Conhecido desde 1895, quando foi lançado na opereta-burlesca "Zizinha Maxixe", o tango "Corta-Jaca", cujo título original é "Gaúcho", teve a popularidade redobrada nove anos depois, ao reaparecer na revista Cá e Lá. Comprovam o sucesso as oito gravações que recebeu entre 1904 e 1912 e sua apresentação, em 26.10.1914, numa recepção oficial no Palácio do Catete, então sede do Governo Federal. Na ocasião, foi interpretado pela primeira dama, Sra. Nair de Teffé, fato explorado como escândalo pela oposição.

"Corta-Jaca" ou "Dança do Corta-Jaca", como está classificado em uma de suas edições, é na verdade um maxixe bem sacudido, característica que muito contribuiu para o seu êxito. A fim de ser cantado em Cá e Lá, ganhou letra de Tito Martins e Bandeira de Gouveia, autores da peça ("Ai! Ai! Que bom cortar a jaca / Ai! Sim, meu bem ataca, sem descansar...").
"Não há razão para censurar o Corta-jaca, minha senhora. O tango nasceu nos cabarets escusos, mas... chegou aos salões mais finos... Fez-se por si" (Careta - Rio de Janeiro, ed. 333, de 07/11/1914). No sarau do Catete, em 1914, a primeira-dama Nair de Tefé tocou ao violão o Corta-jaca, maxixe de Chiquinha Gonzaga, causando grande escândalo. O episódio levou Rui Barbosa a ocupar a tribuna do Senado para classificar esse gênero de ritmo como "a mais vulgar e grosseira de nossas manifestações musicais".

Corta-Jaca (Gaúcho) (tango, 1895) - Chiquinha Gonzaga e Machado Careca. Essa composição de Chiquinha recebeu as mais diversas definições de gênero musical nas gravações durante o séc. XX como se nota nos exemplos abaixo.

Interpretação de Os Geraldos, acompanhados ao piano, em 1906:

Disco selo: Odeon Record / Título da música: Corta Jaca / Chiquinha Gonzaga (Compositora) / Machado Careca (Compositor) / Os Geraldos (Intérprete) / Piano (Acomp.) / Nº do Álbum: 40454 /Lançamento: 1906 / Gênero musical: Duetto / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Zé da Zilda, com o Conjunto Regional de Donga, em 1938:

Disco 78 rpm / Título da música: O Corta Jaca / Chiquinha Gonzaga (Compositora) / José Gonçalves [Zé da Zilda] (Intérprete) / Conjunto Regional de Donga (Acomp.) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 11661-a / Nº da Matriz: 5906 / Gravação: 30/Agosto/1938 / Lançamento: Novembro/1938 / Gênero musical: Corta Jaca / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Interpretação de Guio de Moraes e Seus Parentes em 1953:

Disco 78 rpm / Título da música: Gaúcho (Corta Jaca) / Chiquinha Gonzaga (Compositora) / Guio de Moraes e Seus Parentes (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Nº do Álbum: 13523-a / Nº da Matriz: 9792 / Gravação: 15/Julho/1953 / Lançamento: Outubro 1953 / Gênero musical: Choro / Coleção de Origem: Nirez



Ai, ai, como é bom dançar, ai! / Corta-jaca assim, assim, assim / Mexe com o pé! / Ai, ai, tem feitiço tem, ai! / Corta meu benzinho assim, assim!

Esta dança é buliçosa / tão dengosa / que todos querem dançar / Não há ricas baronesas / nem marquesas / que não saibam requebrar, requebrar

Este passo tem feitiço / tal ouriço / Faz qualquer homem coió / Não há velho carrancudo / nem sisudo / que não caia em trololó, trololó

Quem me vê assim alegre / no Flamengo / por certo se há de render / Não resiste com certeza / este jeito de mexer



Fontes: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34​; Instituto Moreira Salles.

Sucessos de 1915: Ai, Filomena

Hermes da Fonseca
Em 1915, com o fim do mandato de Hermes da Fonseca, apelidado pelo povo de seu Dudu, surgem sátiras à sua fama de agourento. A que se tornou mais famosa é Ai, Filomena, de José Carvalho de Bulhões: "Dudu sai a cavalo/ o cavalo logo empaca/ e só começa a andar/ ao ouvir o corta-jaca.// Ai, Filomena, se eu fosse como tu,/ tirava a urucubaca/ da careca do Dudu".

O texto faz referência a um sarau no Catete, em 1914, quando a primeira-dama Nair de Tefé tocou ao violão o Corta-jaca, maxixe de Chiquinha Gonzaga, causando grande escândalo. O episódio levou Rui Barbosa a ocupar a tribuna do Senado para classificar esse gênero de ritmo como "a mais vulgar e grosseira de nossas manifestações musicais".

Ai, Filomena (marcha, 1915) - J. Carvalho Bulhões - Interpretação: Bahiano

Disco selo (76 rpm, 27"): Odeon Record / Título da música: Ai!.. Philomena / J. Carvalho Bulhões (Compositor) / Bahiano (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Nº Álbum: 120988 / Lançamento: 1915 / Gênero musical: Canção / Coleção de Origem: IMS, Nirez



Ai, minha sogra / Morreu em Caxambu / Com a tal urucubaca / Que lhe deu o seu Dudu // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Dudu quando casou / Quase que levou a breca / Por causa da urucubaca / Que ele tinha na careca // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da cabeça do Dudu

Na careca do Dudu / Já trepou uma macaca / E por isso coitadinho / É que tem urucubaca // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Dudu tem uma casa / E com chave de ouro / Quem lhe deu foi o Conde / Com os cobres do Tesouro // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Se o Dudu sai a cavalo / O cavalo logo empaca / Só começa a andar / Ao ouvir o Corta-jaca // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Dudu tem uma casa / Que nada lhe custou / Porque nesse presente / Foi o povo que marchou // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Mas a rainha / Cavou o seu também / Dizendo no Senado / Tão somente "muito bem" // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Eu me arrependo / De ter ido ao Caju / E não ter vaiado / A saída do Dudu // Ai, Filomena / Se eu fosse como tu / Tirava a urucubaca / Da careca do Dudu

Bahiano: -Vocês estão falando, ele nem faz caso. Está comendo do bom e do melhor!



Fonte: Portal SESCSP - A MPB canta e conta nossa história

sábado, 1 de outubro de 2022

Diana Pequeno: Lua Branca

"Compondo incessantemente, e oferecendo periodicamente ao público músicas saborosíssimas de caráter brasileiríssimo, Chiquinha Gonzaga conservou em toda sua longa existência a faculdade inalterável de imprimir às suas melodias um som enfeitiçador que as levava sempre ao fundo da alma dos que as ouviam.

Por isso, cada nova música sua era um êxito seguro. Vale lembrar até como bom exemplo uma certa canção que apresentou numa revista de Luis Peixoto e Carlos Bittencourt chamada “Forrobodó”, e que foi a canção marcante de uma peça em que dezenas de outras músicas se destacavam de modo especial. Mas a que perdurou por anos e anos foi a “Lua Branca” de Chiquinha Gonzaga" (Fonte: Almirante em O Pessoal da Velha Guarda de 15/10/1947).

Lua branca (modinha, 1911) - Chiquinha Gonzaga - Interpretação: Diana Pequeno



(Am)------ E7------------------------ Am
Ó lua branca de fulgores e de encanto,
-----------A7--------------------------- Dm
Se é verdade que ao amor tu dás abrigo
-------------------------Dm6------- Am
vem tirar dos olhos meus, o pranto
---------------E7--------------------------- Am
Ai vem matar essa paixão que anda comigo,

------------------G7----------------------- C
Ai! Por quem és, desce do céu, ó lua branca
-------------A7------------------------------- Dm
Essa amargura do meu peito, ó vem e arranca
-----------------------Dm6------- Am
Dá-me o luar da tua compaixão
------------------E7--------------------- Am
Ó vem, por Deus, iluminar meu coração.

----------------E7----------------------- Am
E quantas vezes lá no céu me aparecias
----------A7-------------------------- Dm
A brilhar em noite calma e constelada,
---------------------Dm6------- Am
A sua luz então me surpreendia
-------------E7---------------------------- Am
Ajoelhado junto aos pés da minha amada

-------------G7----------------------- C
Ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo
--------------------A7------------------------- Dm
Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo...
-----------------------Dm6------ Am
Ela partiu, me abandonou assim
------------E7---------------------------- (Am) (E7) (Am)
Ó lua branca, por quem és, tem dó de mim!...