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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Jair Rodrigues: Tristeza

Último samba de estilo tradicional a vencer no carnaval, “Tristeza” foi também o último sucesso, aliás póstumo, de Haroldo Lobo (morto em julho de 65), um dos mais férteis e premiados compositores carnavalescos. Originalmente um extenso samba do então iniciante Niltinho (Nilton de Souza), “Tristeza” seria remontado por Haroldo, que lhe deu o toque profissional, reduzindo-lhe o tamanho e enxertando-lhe alguns compassos de uma antiga melodia de sua autoria.

Daí resultou um belo samba, ao mesmo tempo vibrante e sentimental, que o povo consagrou: “Tristeza / por favor vai embora / minha alma que chora / está vendo o meu fim...” Lançado por Ari Cordovil, teria a sua gravação marcante na interpretação registrada ao vivo por Jair Rodrigues, no já citado programa “O Fino da Bossa”. Essa gravação antecederia dezenas de outras, inclusive no exterior, onde “Tristeza” ganhou uma versão em inglês, de Norman Gimbel, com o título de “Goodbye Sadness”. Seu sucesso foi tão grande que Niltinho passou a ser chamado de Niltinho Tristeza (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Tristeza (samba, 1966) - Niltinho e Haroldo Lobo - Intérprete: Jair Rodrigues.

LP Dois Na Bossa Número 2 - Elis Regina e Jair Rodrigues / Título da música: Tristeza / Haroldo Lobo (Compositor) / Niltinho Tristeza (Compositor) / Jair Rodrigues (Intérprete) / Gravadora: Philips / Ano: 1966 / Álbum: P-632.792-L / Lado A / Faixa 3 / Gênero musical: Samba.


Introd.:  A6  D7+  Dm6  C#m7
                 F#7/9  B7/13  E7/9  A6

    A7+     A6
Tristeza
      A#°       Bm7
Por favor vai embora
             C#m7   Bm7
Minha alma que chora
     E7/9        A7+  A6
Está vendo o meu fim
A7                      D7+
   Fez do meu coração a sua moradia
Dm6       G7/9         C#7/13  C#5+/7
   Já é demais o meu penar
F#7/9        F#7/b9     B7/13      B5+/7
    Quero voltar aquela vida de alegria
E7/9     E7/b9   A7+  A6
Quero de novo cantar
        D7+
Lá, rá, lá, rá
Dm6                    C#m7
   Lá, rá, lá, rá, lá, rá, rá
F#7/9                  B7/13
   Lá, rá, lá, rá, lá, rá, rá
E7/9                A6
   Quero de novo cantar

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Carlos Galhardo: Allah-La-Ô

A história de "Alá-lá-ô" começou no carnaval de 1940, quando um bloco do bairro da Gávea cantou nas ruas a marcha "Caravana", de autoria de seu patrono Haroldo Lobo, que tinha apenas estes versos: "Chegou, chegou a nossa caravana / viemos do deserto / sem pão e sem banana pra comer / o sol estava de amargar / queimava a nossa cara / fazia a gente suar".

Meses depois, preparando o repertório para o carnaval de 41, Haroldo pediu a Antônio Nássara para completar a composição. Achando a idéia (a caravana, o deserto, o calor...) bem melhor do que os versos, ele logo faria esta segunda parte: "Viemos do Egito / e muitas vezes nós tivemos que rezar / Alá, Alá, Alá, meu bom Alá / mande água pra Ioiô / mande água pra Iaiá / Alá, meu bom Alá".

Conta Nássara - em depoimento realizado para o Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, em 1983 - que, quando Haroldo tomou conhecimento dos versos, com a palavra "Alá" repetida várias vezes, entusiasmou-se: "Mas que palavra você me arranjou, rapaz!". E ali, na hora, criou o refrão "Alá-lá-ô, ô-ô-ô ô-ô-ô / mas que calor, ô-ô-ô ô-ô-ô", ponto alto da composição.

Ainda no mesmo depoimento, Nássara ressalta a atuação de Pixinguinha, como arranjador, na gravação inicial: "Era a última sessão de gravação para o carnaval de 41. Se não fosse gravado naquela sessão, só sairia no ano seguinte. Então, corri à casa de Pixinguinha, na rua do Chichorro, no Catumbi. Era um sábado de verão e o maestro, cheio de serviço, estava trabalhando sem camisa, encharcado de suor. Mesmo assim, ele teve a boa vontade de dar prioridade à minha música, começando a fazer imediatamente o arranjo, que ficou uma beleza, com uns três ou quatro enxertos de sua autoria".

Além da criativa introdução, Pixinguinha soube vestir "Allah-lá-ô" com uma orquestração exemplar, em que mais uma vez utilizou o recurso da modulação na sessão instrumental, que começa e termina com duas brilhantes passagens, primeiro subindo a lá maior e depois retornando a sol maior, tonalidade do cantor. Em 1980, num artigo em Manchete, David Nasser declarou-se autor da letra de "Caravana", embrião de "Allah-la-ô".

Allah-la-ô (marcha/carnaval, 1941) - Haroldo Lobo e Nássara

Disco 78 rpm / Título da música: Alá-lá-ô / Autoria: Lobo, Haroldo (Compositor) / Nássara, 1910-1996 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1940 / Nº Álbum 34697 / Lado A / Gênero musical: Marcha


Tom: D
     
          A7                 D
Allah-la-ô,  ô ô ô,  ô ô ô ô
          A7               D
Mas que calor, ô ô ô,  ô ô ô    (bis)
       A7                    D
Atravessamos o deserto do Sahara
              A7                      D
O sol estava quente, queimou a nossa cara  (ESTRIB.)

  D7        G                  A7                       D
Viemos do Egito    /  e muitas vezes nós tivemos que rezar
                             A7
Allah-Allah-Allah, meu bom Allah
 D               A7       D                
Mande água pra Ioiô    / Mande água pra Iaiá
  A7              D
Allah, meu bom Allah


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.