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segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Gastão Formenti: Para os Fãs do Rádio


"Gastão Formenti é um artista que vive afastado da publicidade rumorosa e que pouca atenção dá ao meio radiofônico. Sua atuação é discreta, sem alardes.

Antes da radiofonia se ter desenvolvido no Rio, seu nome já era conhecido por todo o Brasil, como um excelente cantor, através dos discos que vem gravando.

Gastão Formenti não é apenas um cantor; é, também, um pintor de mérito, várias vezes premiado no Salão de Belas-Artes como paisagista. Tem atuado em várias emissoras."


Fonte: "Carioca", edição 79, de 24/4/1937.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Gastão Formenti: Maringá

É comum no mundo inteiro cidades emprestarem seus nomes a canções. Difícil é uma canção inspirar o nome de uma cidade, como foi o caso de "Maringá". O fato ocorreu em 1947, quando Elizabeth Thomas, esposa do presidente da Companhia de Melhoramentos do Norte do Paraná, sugeriu que a composição desse nome a uma cidade recém-construída pela empresa, e que em breve se tornaria uma das mais prósperas do estado.

O curioso é que a canção jamais teria existido se seu autor Joubert de Carvalho (foto ao lado) não fosse, quinze anos antes, um freqüentador assíduo do gabinete do então ministro da viação, José Américo de Almeida.

Joubert, formado em medicina, pleiteava uma nomeação para o serviço público. Numa dessas visitas, aconselhado pelo oficial de gabinete Rui Carneiro, o compositor resolveu agradar o ministro, que era paraibano, escrevendo uma canção sobre o flagelo da seca que na ocasião assolava o Nordeste.

Surgia assim a toada "Maringá", uma obra-prima que conta a tragédia de uma bela cabocla, obrigada a deixar sua terra numa leva de retirantes. Em tempo: alguns meses após o lançamento vitorioso de "Maringá", Joubert de Carvalho foi nomeado para o cargo de médico do Instituto dos Marítimos, onde fez carreira chegando a diretor do hospital da classe. (Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34).

Maringá (toada, 1932) - Joubert de Carvalho

Disco 78 rpm / Título da música: Maringá / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 13/06/1932 / Nº Álbum 33586 / Gênero musical: Canção


A                       Dm 
Foi numa leva que a cabocla Maringá 
               G7                            C    
Ficou sendo a retirante que mais dava o que falar 
        E7                         Am 
E junto dela veio alguém que suplicou 
         F           Dm           E7             A 
Pra que nunca se esquecesse de um caboclo que ficou 
  
   E7          A 
Maringá,  Maringá 
              A7+                           Bbº 
Depois que tu partiste tudo aqui ficou tão triste 
                       Bm 
Que eu "garrei" a imaginar 
               E7 
Maringá,  Maringá 
  
Para haver felicidade é preciso que a saudade 
                    A 
Vá bater noutro lugar 
    G7          Gb7 
Maringá,     Maringá 
                     Bm        B7          E7 
Volta aqui pro meu sertão pra de novo o coração 
                    A 
De um caboclo a sossegar 
  
                            Dm 
Antigamente uma alegria sem igual 
             G7                      C 
Dominava aquela gente na cidade de Pombal 
           E7                            Am 
Mas veio a seca, tudo a chuva foi-se embora 
      F               Dm 
Só restando então as águas 
          E7             A 
Dos meus "'óio" quando chora 
    E7          A 
Maringá,   Maringá 

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Gastão Formenti: Casa de Caboclo

Os versos desta canção "Numa casa de caboco / um é pouco / dois é bom / três é demais", consagraram-se como um verdadeiro dito popular. Este fato, por si só, comprova a grande popularidade alcançada pela composição, que tornou conhecido o seu lançador, o então jovem cantor Gastão Formenti.

Autores de "Casa de Caboclo", Hekel Tavares e Luiz Peixoto acabaram inspirando, juntamente com Joubert de Carvalho, uma onda de canções sobre motivos sertanejos, que proliferou no final dos anos vinte. Como acontece muitas vezes a músicas de sucesso, houve à época do lançamento quem considerasse "Casa de Caboclo" plágio de um tema de Chiquinha Gonzaga, levando a discussão aos jornais. Daí a informação que figura em algumas de suas regravações: "Canção baseada em motivos de Chiquinha Gonzaga".

Casa de caboclo (canção, 1929) - Chiquinha Gonzaga, Luiz Peixoto e Heckel Tavares - Intérprete: Gastão Formenti - Disco 78 rpm - Piano (Acompanhante) - Violão (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Parlophon, 21/09/1928 - Nº Álbum 12883 - Gênero musical: Canção



(A)--------- Gb7--------- Bm--------- E7
Você tá vendo essa casinha simplesinha
-----------------------A-- E7-- A
Toda branca de sapê
-------------------------------E---------------- B7
Diz que ela véve no abandono não tem dono
---------------------------E7---- A
E se tem ninguém não vê
-------------Gb7--------- Bm--------------- E7
Uma roseira cobre a banda da varanda
------------------------A----- D
E num pé de cambuçá
-------------------------A--------------- E7
Quando o dia se alevanta Virge Santa
---------------------(A) (E) (A) (Db7) Gbm
Fica assim de sabiá
--------------------------Db7----------------- D7
Deixa falá toda essa gente maldizente
---------------------------Db7------ Gb7
Bem que tem um moradô
------------------------------B7 ----------------E7
Sabe quem mora dentro dela Zé Gazela
----------------------(A) (E) (A) (E) A
O maió dos cantadô
----------------Gb7------- Bm --------------E7
Quando Gazela viu siá Rita tão bonita
-----------------------A---- E7---- A
Pôs a mão no coração
---------------------------E------------------ B7
Ela pegou não disse nada deu risada
--------------------------E7----- A
Pondo os oinho no chão
------------Gb7----------- Bm --------------E7
E se casaram, mas um dia, que agonia
-----------------------------A ----------D
Quando em casa ele voltou
-----------------------A---------------- E7
Zé Gazela via siá Rita muito aflita
----------------------A (E) (A) (Db7) Gbm
Tava lá Mané Sinhô
---------------------------Db7-------------------- Gbm
Tem duas cruz entrelaçada bem na estrada
-----------------------Db7---- Gb7
Escrevero por detrás:
-----------------------B7----------------- E7
“Numa casa de caboclo um é pouco
--------------------------(A) (E) (A)
Dois é bom, três é demais”


Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

domingo, 2 de outubro de 2022

Gastão Formenti: Se Ela Perguntar

Se ela perguntar (valsa, 1932) - Sivan Castelo Neto

Disco 78 rpm / Título: Se ela perguntar / Autoria: Castelo Branco, Sivan (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Almirantes (Acompanhante) / Kosarin, Harry (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1932 / Álbum 33542 / Gênero: Valsa


Quando a deixei toda pálida a chorar
De amor / de amor / por mim
Nem sequer pensei que me fosse demorar
Assim / assim / tanto assim

Quando ela eu souber
Que eu estou triste / e que chorei

Decerto também vai sofrer / eu sei

Se ela perguntar
Você diga que vou bem
Que um dia eu hei de voltar
Desde que você a encontrar
De-lhe recomendações

Mas procure sempre lhe ocultar
As minhas desilusões
Não vá contar que me viu sofrer
Nem que me viu chorar
Diga que não a esquecerei
E que em breve voltarei

Se ela perguntar por mim...

Gastão Formenti: Hula

Joubert de Carvalho
Hula (valsa, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Hula / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Mariano, Olegário, 1889-1958 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1929 / Nº Álbum 12982 / Gênero musical: Valsa


Ao teu olhar meu coração se incendeia
Abrindo em luz as candeias do amor
Mas quem sabe se o tempo faz apagar
A maldição da minha dor ...

Hula, Hula
Fala baixinho
E deixa seguir meu caminho
Hula, Hula
Como padeço
Humilhado porque não te esqueço
Tudo na vida eu farei
Para dar-te um dia
Um beijo que nunca te dei ...

O meu perdão
Tu não terás nessa vida
Porque malvada és, fingida demais
O que punge mais fundo
É a recordação de um tempo bom
Que não vem mais ...

Hula, Hula
Tenho desfeito teu sonho
Cá dentro do peito
Hula, Hula
Quanta saudade
Meus olhos parados invade
Como eu seria feliz se esquecer pudesse
O bem que na vida te quis ...

Gastão Formenti: Maringá

É comum no mundo inteiro cidades emprestarem seus nomes a canções. Difícil é uma canção inspirar o nome de uma cidade, como foi o caso de "Maringá". O fato ocorreu em 1947, quando Elizabeth Thomas, esposa do presidente da Companhia de Melhoramentos do Norte do Paraná, sugeriu que a composição desse nome a uma cidade recém-construída pela empresa, e que em breve se tornaria uma das mais prósperas do estado.

O curioso é que a canção jamais teria existido se seu autor Joubert de Carvalho (foto ao lado) não fosse, quinze anos antes, um freqüentador assíduo do gabinete do então ministro da viação, José Américo de Almeida.

Joubert, formado em medicina, pleiteava uma nomeação para o serviço público. Numa dessas visitas, aconselhado pelo oficial de gabinete Rui Carneiro, o compositor resolveu agradar o ministro, que era paraibano, escrevendo uma canção sobre o flagelo da seca que na ocasião assolava o Nordeste.

Surgia assim a toada "Maringá", uma obra-prima que conta a tragédia de uma bela cabocla, obrigada a deixar sua terra numa leva de retirantes. Em tempo: alguns meses após o lançamento vitorioso de "Maringá", Joubert de Carvalho foi nomeado para o cargo de médico do Instituto dos Marítimos, onde fez carreira chegando a diretor do hospital da classe. (Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34).

Maringá (toada, 1932) - Joubert de Carvalho

Disco 78 rpm / Título da música: Maringá / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra Victor Brasileira (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 13/06/1932 / Nº Álbum 33586 / Gênero musical: Canção


A                       Dm 
Foi numa leva que a cabocla Maringá 
               G7                            C    
Ficou sendo a retirante que mais dava o que falar 
        E7                         Am 
E junto dela veio alguém que suplicou 
         F           Dm           E7             A 
Pra que nunca se esquecesse de um caboclo que ficou 
  
   E7          A 
Maringá,  Maringá 
              A7+                           Bbº 
Depois que tu partiste tudo aqui ficou tão triste 
                       Bm 
Que eu "garrei" a imaginar 
               E7 
Maringá,  Maringá 
  
Para haver felicidade é preciso que a saudade 
                    A 
Vá bater noutro lugar 
    G7          Gb7 
Maringá,     Maringá 
                     Bm        B7          E7 
Volta aqui pro meu sertão pra de novo o coração 
                    A 
De um caboclo a sossegar 
  
                            Dm 
Antigamente uma alegria sem igual 
             G7                      C 
Dominava aquela gente na cidade de Pombal 
           E7                            Am 
Mas veio a seca, tudo a chuva foi-se embora 
      F               Dm 
Só restando então as águas 
          E7             A 
Dos meus "'óio" quando chora 
    E7          A 
Maringá,   Maringá 

Recebi hoje, dia 3 de fevereiro, um e-mail comentando o artigo acima que coloquei faz alguns anos no site de músicas antigas da MPB “cifrantiga” e que reproduzo abaixo: “O seu artigo sobre a ligação entre a música e a cidade de Maringá-PR., está muito próximo do correto.

Realmente, José Américo (Ministro da Viação e Obras), tinha como chefe de gabinete o senhor Ruy Carneiro , que mais tarde viria a governador e senador do seu Estado (a Paraíba).

Joubert de Carvalho gostava da boemia e naquele ambiente veio a conhecer e se tornar amigo do senhor Alcides Carneiro (irmão de Ruy Carneiro e também funcionário do Ministério da Viação e Obras), que solteiro e apaixonado por uma namorada chamada Maria, residente na cidade do Ingá (60 km de João Pessoa - PB), compôs a música “Maringá”, narrando o flagelo da seca no nordeste, principalmente na cidade de Pombal, localizada na alto sertão paraibano.

Gostaria de cumprimentá-lo pela narrativa, eis que mesmo na cidade de Maringá, poucas pessoas conhecem a origem do nome da cidade."

Silvano Almeida - Londrina-PR

(um grande abraço pra ti Silvano!)

Gastão Formenti: Zíngara

Gastão Formenti
Zíngara (canção-rumba, 1931) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Zíngara / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Mariano, Olegário (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1931 / Nº Álbum 33469 / Lado B / Gênero musical: Canção



Vem, ó cigana bonita / Ver o meu destino
Que mistérios tem / Tu com os olhos
De quem vê no acaso / O amor da gente
Põe nas minhas mãos / O teu olhar ardente
E procura desvendar / No meu segredo a dor,
Cigana, do meu amor.


Mas nunca digas, / Ó zíngara,
Que ilusão me espera, / Qual o meu futuro.
Só àquela por quem / Vou vivendo assim à toa
Tu dirás se a sorte / Será má ou boa
Para que ela venha / Consolar-me um dia a dor
Cigana, do meu amor.

Gastão Formenti: Tutu Marambá

Em 1929 Joubert de Carvalho mostrou para Olegário Mariano as melodias para dois poemas seus, o Cai, cai, balão e Tutu Marambá, gravadas por Gastão Formenti, dando início a uma parceria de 24 composições.

Tutu Marambá (canção, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Tutu Marambá / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Mariano, Olegário, 1889-1958 (Compositor) / Formenti, Gastão (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1929 / Álbum número 10333 / Lançamento: 1929 / Lado A / Gênero musical: Canção


Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...

No seu berço de renda
Com brocardo de oiro
Os olhinhos redondos
De espanto e alegria!
Ele olha a vida
Como quem olha um tesoiro
Meu filho
É o mais lindo dessa freguesia!

O filho da coruja
A boquinha em rosa
A mãozinha suja
Com os dedinhos gordos
Já dá adeus!

Fala uma língua que ninguém compreende
Toda a gente que o vê se surpreende
Tão bonitinho
Benza Deus!

É redondo
Como uma bola
O seu polichinelo
Como um grande riso
É a única cousa que o consola:
Meu filho é o meu melhor sorriso...

De noite clara
Anda lá fora
O luar entra no quarto mais lindo
Com a expressão angélica de beijar
Roça o berço
O menino está dormindo
Então a voz de maldizente
Vai cantando maquinalmente:

Tutu Marambá não venhas mais cá
Que o pai do menino te manda matar...