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terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Sucessos de 1913: Subindo Ao Céu

Chegando ao Brasil com a família real portuguesa, no início do século XIX, a valsa de salão popularizou-se, passando a ser um gênero de execução obrigatória em bailes, confeitarias e retretas. Na virada do século, adotada pelos conjuntos de choro, tornou-se seresteira, influenciando a tradicional modinha, que tomou ritmo ternário.

Um bom exemplo de valsa de nossa belle époque é a elegante "Subindo ao Céu", obra prima do pianista Aristides Manuel Borges (1884-1946), que resiste ao tempo permanecendo no repertório de nossos instrumentistas.

Uma prova disso é a sua discografia que, além de pianistas como Arthur Moreira Lima, Antônio Adolfo e Mário de Azevedo, inclui flautistas (Altamiro Carrilho, Dante Santoro), acordeonistas (Luiz Gonzaga), bandolinistas (Jacó) e violonistas (Dilermando Reis, Édson José Alves). Composta no formato A-B-A-C-A, "Subindo ao Céu" proporciona certa liberdade rítmica de interpretação, o que lhe acrescenta um especial encanto.

Algumas gravações deste tema:

Disco 78 rpm / Título da música: Subindo ao céu / Aristides Borges, 1884-1946 (Compositor) / Dante Santoro [Flauta] (Intérprete) / Pereira Filho, Luiz Bittencourt e Luperce Miranda (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº do Álbum: 33968-a / Nº da Matriz: 79950-1 / Gravação: 1/Julho/1935 / Lançamento: Agosto/1935 / Gênero musical: Valsa



Interpretação de Luiz Gonzaga em 1944:

Disco 78 rpm / Título da música: Subindo ao céu / Aristides Borges, Aristides, 1884-1946 (Compositor) / Luiz Gonzaga [Acordeon] (Intérprete) / Conjunto (Acomp.) / Gravadora: Victor / Nº Álbum 80-0171-a / Nº da Matriz: S-052924-1 / Gravação: 14/Fevereiro/1944 / Lançamento: Abril/1944 / Gênero musical: Valsa




Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Carlos Galhardo: Saudades de Matão

Raul Torres
Até 1920, quando Saudades de Matão já se tornara bem conhecida, pouco se sabia sobre sua autoria, sendo por alguns considerada tema popular. Então, através da revista A Lua, de São Paulo, Jorge Galati foi identificado como autor da composição (na foto: Raul Torres que fez a letra da valsa).

Nascido na província de Catanzaro (Itália) cm 1885, ele chegou ao Brasil cinco anos depois, quando a família transferiu-se da Europa para São Carlos do Pinhal (SP). Daí em diante, até sua morte em 1969, viveria em diversas cidades paulistas sempre levado por suas atividades musicais.

Assim, após estudar música em São José do Rio Pardo, já exercia com apenas 19 anos a função de mestre da Banda Ítalo-Brasileira de Araraquara. Foi aí, em 1904, que compôs a celebre valsa, originalmente intitulada Francana e que depois, à sua revelia, passou a chamar-se Saudades de Matão. A troca do título aconteceu por volta de 1912, sendo responsável pela mudança Pedro Perches de Aguiar, na época músico em Taquaritinga.

Em 1949, quando Saudades de Matão transformada em sucesso nacional já rendia bons dividendos artísticos e pecuniários, o mesmo Perches resolveu reivindicar sua autoria, estabelecendo-se grande polêmica na imprensa e no rádio.

O assunto mereceu de Almirante rigorosa pesquisa, havendo em seu arquivo variada documentação a favor de Jorge Galati. Há, por exemplo, uma declaração, registrada em cartório, do Sr. Pio Corrêa de Almeida Morais, prefeito de Araraquara em 1904, que afirma ter ouvido muitas vezes naquele ano Galati interpretar a valsa Francana.

Mas, segundo Galati, apareceram ainda no decorrer do tempo outros pretendentes à autoria da valsa, como Antonio Carreri, José Carlos Piedade, Protásio Tomás de Carvalho, José Stabile e Antenógenes Silva, sendo que este último registrou um arranjo sobre o tema popularizada como peça instrumental, Saudades de Matão recebeu letra de Raul Torres em 1938.

Saudades de Matão (valsa, 1904) - Jorge Galati, Antenógenes Silva e Raul Torres - Interpretação: Carlos Galhardo



-------------G--------------- D7--------------------------G
Neste mundo eu choro a dor / Por uma paixão sem fim
--------------------------D7------------------------------- G
Ninguém conhece a razão / Porque eu choro tanto assim
-------------------------D7-------------------- G
Quando lá no céu surgir / Uma peregrina flor
G7-------------------- C--------------------- D7---------------------- G
Pois todos devem saber / Que a sorte me tirou foi uma grande dor
---------D7--------- G---------- D7----------------------- G
Lá no céu junto a Deus / Em silêncio minh’alma descansa
--------D7------------- G
E na terra, todos cantam
---------C----------------- D7---------------------G ----- G7
Eu lamento minha desventura nesta grande dor
C---- G7------- C------------------------ G7
Ninguém me diz / Que sofreu tanto assim
------------------------------------------C------------------ C7
Esta dor que me consome / Não posso viver / Quero morrer
---------------------------------F
Vou partir prá bem longe daqui
------------------------C----- G7------- C
Já que a sorte não quis / Me fazer feliz.



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

Alvarenga e Ranchinho: Romance de Uma Caveira

Romance de uma caveira (valsa humorística, 1940) - Alvarenga, Ranchinho e Chiquinho Sales

Gravação original: disco 78 rpm / Título da música: Romance de uma caveira / Autoria: Alvarenga (Compositor) / Ranchinho (Compositor) / Sales, Chiquinho (Compositor) / Alvarenga e Ranchinho (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1940 / Nº Álbum 11831 / Lado A / Lançamento: 1940 / Gênero: Valsa humorística

Tom: C  

Intro: Em

Em            B7            Em
Eram duas caveiras que se amava
E7                     Am
E a meia-noite se encontrava
           B7             Em
Pelo cemitério os dois passeava
  F#7                      C   B7
E juras de amor então trocava.
 
 Em               B7           Em
Sentado os dois em riba da lousa fria
     E7                      Am
A caveira apaixonada assim dizia
            B7              Em
Que pelo caveiro de amor morria
   F#7                    B7
E ele de amores por ela vivia.
 
 Em        B7          Em
Ao longe uma coruja cantava alegre
    E7                          Am
De ver os dois caveiro assim feliz
               B7             Em
E quando se beijavam em tom fúnebre
    F#7          B7          Em
A coruja batendo asas, pedia bis.
 
 D7               G
Mas um dia chegou de "pé junto"
     B7                  F   E7
Um cadáver novo de um defunto
      Am     Em               Em7
E a caveira p'ra ele se apaixonou
      F#7                 B7
E o caveiro antigo, abandonou.
 
 D7                    G
O caveiro tomou uma bebedeira
     B7                  F   E7
E matou-se de um modo romanesco
    Am             Em      Em7
Por causa dessa ingrata caveira
         F#7            B7     Em
Que trocou ele por um defunto fresco.

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Sílvio Caldas: Velho Realejo

Velho realejo (valsa, 1940) - Custódio Mesquita e Sadi Cabral

Disco 78 rpm / Título da música : Velho realejo / Autoria: Mesquita, Custódio, 1910-1945 (Compositor) / Cabral, Sadi (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1940 / Nº Álbum 34583 / Lado B / Gênero musical: Valsa


Dm-------------------- E7 -------A7 ---------------Dm
Naquele bairro afasta - do / Onde em criança vivi - as
D7--------------- G7 --------C7 ----------F ---A7
A remoer melodias / De uma ternura sem par,
------Dm ------------E7 ---------A7 ----------Dm
Passava todas as tar - des / Um realejo risonho . . .
-------D7--------------- Gm ---Dm ----A7----- Dm
Passava como num sonho / O realejo a cantar . . .


------D ----G7 --------D---- G7 -----------D---------- D0------- A7
Depois ------tu partiste / ----- Ficou triste------- a rua deserta
------------Em------------ A7 --Em ---- ----A7 ----------------D
Na tarde------fria e calma / ---------Ouço ainda o realejo a tocar.


-----B7------- Em------------- Gm------- D
Ficou a saudade--------- comigo a morar
----------------------------A7
Tu cantas alegre e o realejo
------G---------- D ------A7----- D---- Gm---- D
Parece que chora com pena de ti.

Dalva de Oliveira e Francisco Alves: Valsa da Despedida

Valsa da despedida (valsa, 1941) - Robert Burns (versão: Alberto Ribeiro e João de Barro) - Interpretações de Francisco Alves e Dalva de Oliveira

Disco 78 rpm / Título da música: Valsa da despedida (Farewall waltz) / Ribeiro, Alberto, 1902-1971 (Compositor) / João de Barro, 1907-2006 (Compositor) / Burns, Robert (Compositor) / Oliveira, Dalva de (Intérprete) / Alves, Francisco, 1898-1952 (Intérprete) / Orquestra de Salão (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 02/02/1941 / Nº Álbum: 15020 / Gênero musical: Valsa.


D     Bm      Em     A7
Adeus, amor, eu vou partir
D    D7     G    Ab0
Ouço ao longe um clarim
D        Bm  Em     A7
Mas onde eu for irei sentir
D        A7        D     A7
Os teus passos junto a mim

D       Bm      Em       A7
Estando em luta, estando a sós
D       A7  D   A7
Ouvirei a tua voz
D        Bm       Em    A7
A luz que brilha em teu olhar
D    D7    G    Ab0
A certeza me deu
D     Bm      Em    A7
De que ninguém pode afastar
D     A7     D     A7
O meu coração do teu
D      Bm     Em   A7
No céu na terra aonde for
D       A7     D
Viverá o nosso amor

Ângela Maria: Tardes de Lindoia

Tardes de Lindóia (valsa, 1930) - Zequinha de Abreu e Pinto Martins - Interpretação: Ângela Maria (Álbum "Angela De Todos Os Temas", Copacabana CLP-11600, 1970)


----A ----------E7----------- A
Tardes silenciosas de Lindóia
-------------------------- Bm---- Gb7
Quando o sol morre tristonho
-----Bm------------------------ E7
Tardes em que toda a natureza
----------------------------A------ E7
Veste-se de véu, e de sonho


-----A -----------E7-------------- A
Baixo os arvoredos murmurantes
-----Gb7--------------- Bm
Da tênue brisa a soprar
D----------- Eb°--------- A------ Gb7
Anjinho dos sonhos meus
--------------------B7-------------- E7------- A---- Db7
Não sabes tu como é sublime contigo sonhar
------Gbm------------------ Bm
Longe lá no horizonte calmo
-------------------------Db7
As nuvens se incendeiam
---------------------Gbm----- Db7
Num incêndio de luz
-----Gbm -------------------Db7
Vibra e se exalta minh’alma
--------------------------Gbm----- Db7
Na sensação que a seduz
Gbm------------------ Bm
Um plangente sino toca
----------------------------Db7
Chamando à prece a todos
--------------------------Gbm------ Gb7
Os que ainda sabem crer
-----------------------Bm
Então eu sonho e creio
---------------------Gbm
Beijar tua linda boca
---------------------Ab7- Db7- Gbm
Para acalmar o meu sofrer.

Deo: Súplica

O cantor Deo
Homem de intensa atividade na imprensa e no rádio paulistanos dos anos trinta, Otávio Gabus Mendes (pai do telenovelista Cassiano Gabus Mendes) ainda arranjou tempo para uma vitoriosa incursão na música popular, compondo com José Marcílio e o cantor Deo a valsa "Súplica".

Sem demérito para os parceiros, o ponto alto desta valsa é a letra de Gabus Mendes, que, além de muito bem construída, não possui rimas, uma característica incomum nas canções da época: "Aço frio de um punhal / foi teu adeus pra mim/ não crendo na verdade / implorei, pedi / as súplicas morreram sem eco, em vão / batendo nas paredes frias do apartamento...".

O curioso é que esse detalhe não é percebido pela maioria dos ouvintes, graças, talvez, à integração perfeita entre letra e melodia. Composta em 1938, "Súplica" permanecia inédita em disco quase dois anos depois, quando foi descoberta e gravada por Orlando Silva.

Súplica (valsa, 1940) - Octávio Gabus Mendes, José Marcílio e Déo

Disco 78 rpm / Título: Súplica / Autoria: Déo (Compositor) / Marcílio, José (Compositor) / Mendes, Otávio G (Compositor) / Silva, Orlando (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 15/02/1940 / Álbum 34587 / Lado B / Lançamento: 04/1940 / Gênero: Valsa


Bm -----------------------------------Em
Aço frio de um punhal / Foi seu adeus para mim
-----------------------------------Bm--------- B7
Não crendo na verdade / Implorei, pedi
----------------------------------Em----- A7
As súplicas morreram / Sem eco, em vão
-----------------------D --------------Gb7
Batendo nas paredes frias do apartamento
Bm
Torpor tomou-me todo
------------------Em-------------- Gb7
E eu fiquei sem ser mais nada
---------------------Bm-------------- B7 ------Em
Envelhecido tenha / Talvez, quem sabe
------------------------Bm
Pela janela, aberta, a fria madrugada
-----------------------G7 ---------------Gb7---- Bm
Amortalhou-me a dor / Com o manto da garoa
----------Gb7------------------- Bm
Esperança morreste muito cedo
----------B7 -------------------Em
Saudade cedo demais chegaste
-----------------------------------------Bm
Uma quando chega / A outra sempre parte
-------Db7------------ G7--- Gb7
Chorar já lágrimas não tenho
-----------------------------Bm
Coração, porque é que tu não paras
---------B7-------------------- Em
As taças do meu sofrer findaste / É inútil prosseguir
-----------------------Bm
Se forças já não tenho
----------------------------------G7
Tu sabes bem que ela era minha vida
-----------------Gb7 -----Bm
Meu doce e grande amor.



Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Sílvio Caldas: Suburbana

Sílvio Caldas
Suburbana (valsa-canção, 1939) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa

Disco 78 rpm / Título da música: Suburbana / Autoria: Caldas, Silvio (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Caldas, Silvio (Intérprete) / Garoto, 1915-1955 (Acompanhante) / Regional (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Columbia, 1937 / Nº Álbum 55002 / Lado B / Lançamento: 1938 / Gênero musical: Valsa canção


-------Dm----------------- Gm
Olhando o céu me demoro
---------A7------------------- Dm
Num verso triste é que choro
-------------Bb7----------- A7--- D7-- Gm-- Gm6--------- Dm
Ninguém vê o pranto meu /------- Há muita lágrima triste
----------------------------E7-------------- A7 --------D7 -----Gm
Que em seu sorriso consiste / Como o poeta escreveu

-----------Gm6-------- Dm--------------------- E7

Minha linda suburbana / Por trás da veneziana
-------------A7 ----------D7--- Gm----- Gm6-------- Dm
Vem sorrir nesta canção / Com teus lábios de doçuras
---------------------------E7-------- A7 ----------Dm----- D7
Que são tâmaras maduras / Da flora do coração

----Gm--- Gm6----- Dm----------------------- A7
Zona norte da cidade / Residência da saudade
---------------------------Dm--- D7-- Gm -----Gm6------- Dm
Onde nasceu o teu cantor / -------No teu cantor comovido
----------------------------Bb7 ------------------------A7-------- D7
Que sonha com teu vestido / Que morre por teu amor

-----Gm----- Gm6 ------Dm ---------------------------A7
Olho as estrelas cansadas / Que são lágrimas doiradas
----------------------Dm--- D7 ----Gm ---Gm6----- Dm
No lenço azul do céu /--------- Estrelas são reticências
----------------------E7
Estrelas são confidências
---------------A7 ---------Dm
Do meu romance e do teu

domingo, 2 de outubro de 2022

Sílvio Caldas: Sorris da Minha Dor

Sílvio Caldas
Sorris da minha dor (valsa, 1938) - Paulo Medeiros

Disco 78 rpm / Título da música: Sorris de minha dor / Autoria: Medeiros, Paulo (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 18/08/1938 / Nº Álbum 34367 / Lado B / Lançamento: 10/1938 / Gênero musical: Valsa


------Am------------------------------- B7-- F7-- E7
Sorris da minha dor, mas eu te quero ainda,
--------------------------------------F ----E7
Sentindo-me feliz, sonhando-te mais linda
-------Am-------- Am6 ---------------Em---- B7
Escravo eterno teu farei o que quiseres
--------------------------------------------E7
Tens, para mim, a alma eterna das mulheres
--------Am -----------------------------B7 ---F7 ---E7
No meu jardim viceja a flor da esperança
-------------------------------------------Bb7---- A7
Meu pranto é meu amigo e a minha fé não cansa
------------------------Am6 ---------------Am
Na rima dos meus versos cheios de saudade
----------------------B7----- E7 --------A ---E7/5+---- A
És a flor, que se abriu para o meu amor


-----------------------Gb7 -------------B7------- E7
Aos teus braços, querida, ainda um dia
------------------------------------A
Terei o teu amor e os teus carinhos....
-----------------------------Bm
E os dois aureolados de alegria
-----------------E7 ------------ A----- E7/5+ ----A
Seremos um casal da passarinhos ....
------------------Gb7--------- B7 -------Db7
Tranqüilos e felizes, sonharemos
----------------------------------Gbm -------D
Uma porção de sonhos venturosos ...
---------------------Dm--------- A
E aos beijos de eternal felicidade
Gb7------------------ Bm
Há de ser a nossa vida
-----------E7------------- A--- F--- A
Um roseiral de ansiedades.

Sílvio Caldas: Serenata

Uma das primeiras composições da dupla Sílvio Caldas (foto) - Orestes Barbosa, "Serenata" foi adotada por Sílvio como marca musical de suas audições para o resto da carreira.

Pela beleza de sua letra, carregada de romantismo - "Dorme, fecha este olhar entardecente / não me escutes nostálgico a cantar / pois não sei se feliz ou infelizmente / não me é dado, beijando, te acordar" -, muito bem musicada por Sílvio, "Serenata" é exemplo de modinha do século XX, indispensável em qualquer seresta de bom gosto. Seu sucesso, em 1935, abriu a grande safra de canções de amor que imperaria nos anos seguintes.

Serenata (canção, 1935) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa

Disco 78 rpm / Título da música: Serenata / Autoria: Caldas, Silvio (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Caldas, Silvio (Intérprete) / Bandolim (Acompanhante) / dois violões (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1934 / Nº Álbum 33911 / Gênero musical: Canção


Am------------------------- F
Lá, rá, rá, rá, rá, rá,
----------------------------Am
Lá, rá, rá, rá, rá, rá
---------------------E7
Lá, rá, rá, rá, rá, ri
-------------Am -------E7
La, ri, ri, ri

---Am---------------- E7 ---------Am----- F7
Dorme fecha este olhar entardecente
----------------------------------Am------ F7
Não me escutes nostálgico a cantar
----------------------------------Am
Pois não sei se feliz ou infelizmente
B7 ---------------------------------E7
Não me é dado beijando te acordar
-----A7------------------------- Bb7 ------A7
Dorme deixa o meu canto delirante
---------------------------------------Dm
Dorme que eu olho o céu a contemplar
----------------Eb°-------- Am ---------F7
A lua que procura diamante
---------------------E7 -----------Am------ E7
Para o teu lindo sonho ornamentar
----------Am---------------------- G7
Na serpente de seda dos teus braços
---------------------------------F7
Alguém dorme ditoso sem saber
----------------------E7 ----------A7
Que eu vivo a padecer
Dm -------------Am---------------------- F7
E o meu coração feito em pedaços
Vai sorrindo ao teu amor
--------E7
Mascarado desta dor
Am----------------------------- G7
No teu quarto de sonho e perfume
--------------------------------F7
Onde vive a sorrir teu coração
----------------------E7------ A7
Que é teatro da ilusão
------Dm-------------- Am
Dorme junto a teus pés
--------------------F7
O meu ciúme
Enjeitado e faminto
--------------Am
Como um cão.



A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Gastão Formenti: Se Ela Perguntar

Se ela perguntar (valsa, 1932) - Sivan Castelo Neto

Disco 78 rpm / Título: Se ela perguntar / Autoria: Castelo Branco, Sivan (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Almirantes (Acompanhante) / Kosarin, Harry (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1932 / Álbum 33542 / Gênero: Valsa


Quando a deixei toda pálida a chorar
De amor / de amor / por mim
Nem sequer pensei que me fosse demorar
Assim / assim / tanto assim

Quando ela eu souber
Que eu estou triste / e que chorei

Decerto também vai sofrer / eu sei

Se ela perguntar
Você diga que vou bem
Que um dia eu hei de voltar
Desde que você a encontrar
De-lhe recomendações

Mas procure sempre lhe ocultar
As minhas desilusões
Não vá contar que me viu sofrer
Nem que me viu chorar
Diga que não a esquecerei
E que em breve voltarei

Se ela perguntar por mim...

Carlos Galhardo: Saudades de Matão

Raul Torres
Até 1920, quando Saudades de Matão já se tornara bem conhecida, pouco se sabia sobre sua autoria, sendo por alguns considerada tema popular. Então, através da revista A Lua, de São Paulo, Jorge Galati foi identificado como autor da composição (na foto: Raul Torres que fez a letra da valsa).

Nascido na província de Catanzaro (Itália) cm 1885, ele chegou ao Brasil cinco anos depois, quando a família transferiu-se da Europa para São Carlos do Pinhal (SP). Daí em diante, até sua morte em 1969, viveria em diversas cidades paulistas sempre levado por suas atividades musicais.

Assim, após estudar música em São José do Rio Pardo, já exercia com apenas 19 anos a função de mestre da Banda Ítalo-Brasileira de Araraquara. Foi aí, em 1904, que compôs a celebre valsa, originalmente intitulada Francana e que depois, à sua revelia, passou a chamar-se Saudades de Matão. A troca do título aconteceu por volta de 1912, sendo responsável pela mudança Pedro Perches de Aguiar, na época músico em Taquaritinga.

Em 1949, quando Saudades de Matão transformada em sucesso nacional já rendia bons dividendos artísticos e pecuniários, o mesmo Perches resolveu reivindicar sua autoria, estabelecendo-se grande polêmica na imprensa e no rádio.

O assunto mereceu de Almirante rigorosa pesquisa, havendo em seu arquivo variada documentação a favor de Jorge Galati. Há, por exemplo, uma declaração, registrada em cartório, do Sr. Pio Corrêa de Almeida Morais, prefeito de Araraquara em 1904, que afirma ter ouvido muitas vezes naquele ano Galati interpretar a valsa Francana.

Mas, segundo Galati, apareceram ainda no decorrer do tempo outros pretendentes à autoria da valsa, como Antonio Carreri, José Carlos Piedade, Protásio Tomás de Carvalho, José Stabile e Antenógenes Silva, sendo que este último registrou um arranjo sobre o tema popularizada como peça instrumental, Saudades de Matão recebeu letra de Raul Torres em 1938.

Saudades de Matão (valsa, 1904) - Jorge Galati, Antenógenes Silva e Raul Torres - Interpretação: Carlos Galhardo



-------------G--------------- D7--------------------------G
Neste mundo eu choro a dor / Por uma paixão sem fim
--------------------------D7------------------------------- G
Ninguém conhece a razão / Porque eu choro tanto assim
-------------------------D7-------------------- G
Quando lá no céu surgir / Uma peregrina flor
G7-------------------- C--------------------- D7---------------------- G
Pois todos devem saber / Que a sorte me tirou foi uma grande dor
---------D7--------- G---------- D7----------------------- G
Lá no céu junto a Deus / Em silêncio minh’alma descansa
--------D7------------- G
E na terra, todos cantam
---------C----------------- D7---------------------G ----- G7
Eu lamento minha desventura nesta grande dor
C---- G7------- C------------------------ G7
Ninguém me diz / Que sofreu tanto assim
------------------------------------------C------------------ C7
Esta dor que me consome / Não posso viver / Quero morrer
---------------------------------F
Vou partir prá bem longe daqui
------------------------C----- G7------- C
Já que a sorte não quis / Me fazer feliz.



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

Carlos Galhardo: Salão Grenat

Carlos Galhardo
Salão grenat (valsa, 1939) - Francisco Célio e Paulo Barbosa

Disco 78 rpm / Título da música: Salão grená / Autoria: Célio, Francisco (Compositor) / Barbosa, Paulo, 1900-1955 (Compositor) / Carlos Galhardo, 1913-1985 (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1939 / Nº Álbum 34433 / Lado B / Gênero musical: Valsa


E7/5+ ---A--- E7/5+ -------A -------Gb7 ---------Bm
Q u e r o negar-te a saudade/ Chamando curiosidade
------------B7 ------E7 -----------Bm------- E7
O que estou a sentir / Abro a porta temeroso
-------------Bm----------- E7---- Gbm-- B7----- E7
Do impossível e esperançoso / E te rever a sorrir


-------------------A---------------
Num salão Grenat / Paira pelo ar
----------------Bm---- E7----------------- Bm
Nota esmaecida /-------- Um perfume teu
------------------E7 ----------------A--- E7/5+ -----------------A
Resto da canção que foi minha vida /------- --Triste em solidão
----------------------------Bm------------------ B7
Teu piano está como eu estou / Sentindo aumentar
-----------------------------------------E7
Da saudade a dor / De quem me abandonou

----------------------A-----------------
Sei que hás de voltar / Ao salão Grenat
--------------------Bm ---E7 --------------Bm------------- E7
Que era nosso ninho / ------Tornarás a ter todo meu amor
--------------------Em6 -----Gb7 ----------------Bm
Todo o meu carinho /----------- Sei que voltarás
---------------------E7 -------------A--------
Pois hás de lembrar / Que foste feliz
----------------------B7 -------------------E7
Nunca houve alguém / Que quisesse o bem
---------------------A----- F----- A
Que sempre te quis.

Orlando Silva: Rosa

Francisco Alves e Carlos Galhardo deixaram de lançar "Rosa" porque rejeitaram Carinhoso, destinado ao lado "A" do mesmo disco. Sobrou, então, a valsa para Orlando Silva, que lhe deu interpretação magistral. Segundo Pixinguinha, "Rosa" é de 1917 e chamou-se originalmente "Evocação", só recebendo letra muito mais tarde. "O autor dessa letra" - esclarece ainda Pixinguinha - "é Otávio de Souza, um mecânico do Engenho de Dentro (bairro carioca) muito inteligente e que morreu novo". Sobre a gravação original, há um erro de concordância de Orlando, que canta "sândalos dolente".

Aliás, o cantor abandonou esta música após a morte de sua mãe, dona Balbina, em 1968. Era sua canção favorita, e o sensível Orlando jamais conseguiu voltar a cantá-la sem chorar. "Rosa" é uma linda valsa "de breque", mas de difícil interpretação vocal, especialmente para o uso de legatos, já que as pausas naturais são preenchidas por segmentos que restringem os espaços para o cantor tomar fôlego.

Quanto à letra, é também um exemplo do estilo poético rebuscado em moda na época: "Tu és divina e graciosa, estátua majestosa / do amor, por Deus esculturada e formada com o ardor / da alma da mais linda flor, de mais ativo olor / que na vida é preferida pelo beija-flor... '. O desafio de regravar "Rosa" foi tentado por alguns intérpretes, sendo talvez o melhor resultado o obtido por Marisa Monte; em 1990, com pequenas alterações melódicas.

Rosa (valsa, 1917) - Pixinguinha

Disco 78 rpm - Título: Rosa - Autoria: Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho), 1897-1973 (Compositor) - Silva, Orlando (Intérprete) - Regional RCA Victor (Acompanhante) - Imprenta [S.l.]: Victor, 1937 - Álbum 34181 - Gênero musical: Valsa


D7--G----------------D7----------------------------G
Tu és / Divina e graciosa / Estátua majestosa /Do amor
------------------D7---- B7
Por Deus esculturada / E tomada com ardor / Da alma
---------------Em ----------------- E7----------- Am
Da mais linda flor / De mais ativo olor / Que na vida
---------- A7---------- D7/4 ----- D7
É preferida pelo beija-flor
------- G ------------------- D7----------------------------- G7
Se Deus / Me fora tão clemente / Aqui neste ambiente / De luz
------------------ C--------------------Cm7 ------------------------G
Formada numa tela deslumbrante e bela /O teu coração junto ao meu
------- E7-------- Am--------- D7 --------------------- G
Lanceado, pregado e crucificado / Sobre a rósea cruz / Do arfante peito teu
B7 Em Em7----------Gb7 -------------- Gbm7/-5--------- B7
Tu és / A forma ideal / Estátua magistral / Ò alma perenal
------------------- Em --------------E7--------------------------Am
Do meu primeiro amor/ Sublime amor /Tu és de Deus a soberana
------------ Gb7 -----------------B7
Flor / Tu és / De Deus a criação que em todo o coração
---------------Em ---Em7 --------Gb7------------------ Gbm7/-5
Sepultas o amor / O riso, a fé e a dor / Em sândalos olentes
-------------- B7---------------------E7
Cheios de sabor / Em vozes tão dolentes como um sonho flor
Am ---------------------Em --------------- B7
É láctea estrela / És mãe da realeza / És tudo enfim que tem de
------------------------ Em
belo / Em todo o resplendor / Da santa natureza
D7 -- G --------------- D7
Perdão / Se ouso confessar / Que hei de sempre amar-te
-------- G-------------------- D7-------------------------B7
Oh, flor / Meu peito não resiste / Oh, meu Deus como é triste
------------------Em ------------------------- Em7--------- Am
A incerteza de um amor / Que mais me faz penar / Em esperar
------------- A7-------------------- D7/4 D7-- G
Em conduzir-te um dia ao pé do altar / Jurar/ Aos pés do Oni-
----- D7 ---------------------------- G7------------------C
potente / Em prece comovente / De dor / E receber a unção da
----------Cm7 -------------------- G ----------- E7-------- Am
gratidão / Depois de remir meus desejos / Em nuvens de beijos
--------------- D7------------------ G
Hei de te envolver / Até meu padecer / De todo fenecer . . .



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Carlos Galhardo: Rapaziada do Brás

Largo do Tesouro – 1915 - São Paulo - Fotografia de Guilherme Gaensly

Nenhuma música evoca melhor a velha São Paulo provinciana do início do século do que a valsa "Rapaziada do Brás". Composta em 1917 pelo futuro maestro Alberto Marino, então um menino de quinze anos, "Rapaziada do Brás" se tornaria conhecida no final da década seguinte, quando teve seu primeiro disco. Somente em 1960, a melodia recebeu letra de autoria do filho de Marino, Alberto Marino Júnior, gravada por Carlos Galhardo no mesmo ano.

Muito bem estruturada no gênero em que foi concebida nem parece obra de um principiante -, a composição é essencialmente instrumental, forma em que aparece na maioria das gravações, embora possua letra. Uma homenagem à rapaziada do bairro de infância e adolescência do autor, serviu ainda de inspiração a outras valsas bairristas, como "Rapaziada da Moóca" e "Rapaziada do Bom Retiro". Somente em 1960, a melodia recebeu letra de autoria do filho de Marino, Alberto Marino Jr, gravada por Carlos Galhardo no mesmo ano.

Rapaziada do Brás (valsa - 1917) - Alberto Marino - Interpretação de Carlos Galhardo



-----Em---------- B7--------- Em------------------------------- B7
Lembrar, deixem-me lembrar / meus tempos de rapaz no Brás
das noites de serestas / casais de namorados, e as cordas de um violão
----------------------------------------------------------Em
cantando em tom plangente, / Aqueles ternos madrigais.
------------B7 -------------Em -------------------------E7---- Am
Sonhar, deixem-me sonhar, / lembrando aquele amor fugaz.
------------------------------------B7--------------------- Em
Uma sombra em volta da penumbra / por trás da vidraça
-----------------------------------------B7
faz um gesto lânguido, / cheio de graça
----------------------------------------------Em
imagem de um passado / que não volta mais.

------------B7-------------------------------------------- Em
Tão somente uma recordação / restou daquele grande amor
-------------------B7---------------------- Em
daquela noite de luar / daquela juventude em flor
----------------B7----------------------------------------- Em
E hoje os anos correm muito mais / e a vida já não tem valor

Vicente Celestino: Ontem Ao Luar (Choro e Poesia)

Ontem ao luar - Por sua semelhança com a canção "Love Story", do filme homônimo, a polca "Choro e Poesia" voltou a ser sucesso na década de 1970. Esse retorno rendeu-lhe mais de dez gravações, só que com um detalhe: todas traziam apenas o título "Ontem ao Luar", que recebeu de Catulo da Paixão Cearense quando, em 1913, o poeta lhe pôs uma letra, à revelia do autor.

E o que é pior, várias dessas gravações tal como edições da partitura, somente registravam o nome de Catulo, omitindo o de Pedro de Alcântara.

Em 1976, graças aos esforços de uma neta de Alcântara, sua autoria foi restabelecida através de uma decisão judicial. "Choro e Poesia" tem duas partes, ambas construídas com variações de um mesmo motivo, usado com muita engenhosidade especialmente na segunda parte, em tom maior.

Ontem ao Luar (Choro e Poesia) (polca, 1907) - Pedro de Alcântara e Catulo da P. Cearense - Interpretação: Vicente Celestino



----Am-------------------------- B7
Ontem ao luar / Nós dois em plena solidão
E7
Tu me perguntaste
-----------------Am
O que era a dor de uma paixão
A7 -------------------Dm
Nada respondi, calmo assim fiquei
B7 -----------------------------------(E7)
Mas fitando o azul / Do azul do céu a lua azul
-------------Am---------------------------- B7
Eu te mostrei, mostrando a ti os olhos meus
------------------------E7--------------- Am
Correr sem ti uma nívea lágrima e assim te respondi
A7----------------- Dm-------------------- Am
Fiquei a sorrir por ter o prazer de ver a lágrima
---(B7)-- (E7)--- Am--- E7
Dos olhos a sofrer

A--------------------- B7
A dor da paixão, não tem explicação
E7------------------ A
Como definir o que só sei sentir
Dm ------------A ------------Gbm
É mister sofrer, para se saber
---------------Bm------ E7 ------A -----E7
O que no peito o coração não quer dizer
A---------------------- B7
Pergunta ao luar, travesso e tão taful
E7 -----------------------A
De noite a chorar na onda toda azul
-------Dm-------------- A-------- Gbm
Pergunta ao luar, do mar a canção
--------------B7------- E7---------- (A) (E7) (A) (E7)
Qual o mistério que há na dor de uma paixão
-----A----------- Gb7------------ Bm
Se tu desejas saber o que é o amor e sentir
----------E7------------------ A------------ Dbm7
O seu calor o amaríssimo travor do seu dulçor
------------------ E7
Sobe o monte a beira mar ao luar
------------E7-------- A
Ouve a onda sobre a areia lacrimar
--------------A------Gb7------ Bm------------------ E7
Ouve o silêncio a falar na solidão do calado coração
----------------A -----------A7
A pena a derramar os prantos seus
D ----------Dm -----A -----------Gb7------- Bm
Ouve o choro perenal / A dor silente universal
-------------E7---------------- A F A
E a dor maior que é a dor de Deus



Fontes: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora Publifolha; A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34

Francisco Alves: Nancy

Francisco Alves
Nancy (valsa, 1933) - Luiz Lacerda e Bruno Arelli

Disco 78 rpm / Título da música: Nancy / Autoria: Arelli, Bruno (Compositor) / Lacerda, Luiz (Compositor) / Francisco Alves (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Odeon, 1945 / Nº Álbum 12626 / Gênero musical: Valsa


(D)
Busquei ansioso um pensamento
-----------Em
Que pudesse traduzir
----------------A7
O que minh’alma fez por ti
-----------------D
Dentro em meu peito assim senti
Tudo que pode oferecer
-----------D7 ------------G
A alma que vibra em mim
--------------Ab°--------- D
É uma canção que idealizei
----------E7 -----A7----- D---- A7/5+
Para poder cantar assim
------D --------------------Em
Ouve esta canção que eu fiz
----------------A7

Pensando em ti

------Em-------- A7--------- D
É uma veneração, Nancy
---------------Em------ A7
Somente poderia a musa traduzir
---------Em----------- A7
Um nome que é poesia
-------D ------D7
Nancy
G------- Ab°--------- D
É a mais linda história de amor
-------------D7
Que conheci
------G---------- Ab°--- D ---------B7
Quando o teu nome assim eu repeti
---Em----- A7 ------D----- A7
Nancy, Nancy, Nancy

------D
Ouve esta canção
------------------Em------------- A7
Que eu mesmo fiz pensando em ti
------Em --------A7 -----D Gm D
É uma veneração, Nancy

Gastão Formenti: Hula

Joubert de Carvalho
Hula (valsa, 1929) - Joubert de Carvalho e Olegário Mariano

Disco 78 rpm / Título da música: Hula / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Mariano, Olegário, 1889-1958 (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Parlophon, 1929 / Nº Álbum 12982 / Gênero musical: Valsa


Ao teu olhar meu coração se incendeia
Abrindo em luz as candeias do amor
Mas quem sabe se o tempo faz apagar
A maldição da minha dor ...

Hula, Hula
Fala baixinho
E deixa seguir meu caminho
Hula, Hula
Como padeço
Humilhado porque não te esqueço
Tudo na vida eu farei
Para dar-te um dia
Um beijo que nunca te dei ...

O meu perdão
Tu não terás nessa vida
Porque malvada és, fingida demais
O que punge mais fundo
É a recordação de um tempo bom
Que não vem mais ...

Hula, Hula
Tenho desfeito teu sonho
Cá dentro do peito
Hula, Hula
Quanta saudade
Meus olhos parados invade
Como eu seria feliz se esquecer pudesse
O bem que na vida te quis ...

Sílvio Caldas: Nunca Soubeste Amar

Joubert - 1930
Nunca Soubeste Amar (valsa, 1946) - Joubert de Carvalho - Intérprete: Sílvio Caldas

Disco 78 rpm / Título da música: Nunca soubeste amar / Joubert de Carvalho (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Continental, 1946 / Nº Álbum 15712 / Lado B / Gênero musical: Seresta / Valsa.



Não vejo a minha luz
o meu luar amigo de sempre
Não queria ver na vida
um céu sem estrelas

Meu amor não me compreende
porque as noites que se escoam
são longas, são noites de pranto
Ah! Eu Lamento tanto...
na tristeza dos céus
carregados de nuvens,
que são um presságio
erguidas na imensidão sem destino


Mas oh! meu grande amor
eu preciso, entretanto, dizer-te:
nunca soubeste amar
um beijo iluminar
que me mostrasse um céu eterno
Nunca soubeste amar
sem nuvens pelo azul
vivo a esperar a noite de luar.

Orlando Silva: Por Quanto Tempo Ainda...

Joubert de Carvalho
Por quanto tempo ainda (valsa, 1939) - Joubert de Carvalho

Disco 78 rpm / Título: Por quanto tempo ainda... / Autoria: Carvalho, Joubert de (Compositor) / Orlando Silva (Intérprete) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1939 / Nº Álbum 34431 / Lado A / Gênero musical: Valsa


Não sei
Por quanto tempo ainda
Esperarei
Por ti, pelos carinhos teus
Por tudo que me vem bailando
Tecendo os sonhos meus.

Talvez
Só por viver à sombra da ilusão
Envolto no silencio frio

Direi
Por quanto tempo ainda
Esperarei, o teu amor, em vão.

Nunca animaste com a fé
Aos que sofrem do mal de amor
Há no teu corpo gelado
A perfídia, do teu encanto
Nunca terás aos teus pés
A ventura da minha dor
Os teus joelhos dobrados um dia
Em pranto, hás de implorar
o Amor...