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sábado, 8 de outubro de 2022

Zé Ramalho: Banquete de Signos

Banquete de signos (1982) - Zé Ramalho

LP Força Verde / Título da música: Banquete de signos / Zé Ramalho (Compositor) / Zé Ramalho (Intérprete) / ? (Intérprete que acompanha o Zé não é citada no álbum) / Gravadora: Epic/CBS / Ano: 1982 / Álbum: 144461 / Lado A / Faixa 5.


Intr.: ( Dm  C )

Dm
Discutir o cangaço com liberdade
C           Am         Dm
É saber da viola, da violência

Descobrir nos cabelos inocência
C            Am        Dm
É saber da fatal fertilidade

F              E7           Am     Am/G
Descobrir a cidade na natureza
F              G              C     E7
Descobrir a beleza dessa mulher
D                A      Bm      Bm/A
Descobrir o que der boniteza
G            F#7          B7   A7      Dm   ( Dm  C )  
Na peleja do homem que vier,   quando vier        

Dm
Descobrir o bagaço dos engenhos
C             Am             Dm
No melaço da cana mais um beijo


Descobrir os desejos que não tem cura
C            Am          Dm
Saracura do brejo na novena

F             E7           Am     Am/G
Descobrir a serena  da natureza
F              G              C     E7
Descobrir a beleza dessa mulher
D                A      Bm      Bm/A
Descobrir o que der boniteza
G            F#7          B7   A7      Dm   ( Dm  C )  
Na peleja do homem que vier,   quando vier

Zé Ramalho: Avôhai


Avôhai (1977) - Zé Ramalho

LP Zé Ramalho / Título da música: Avôhai / Zé Ramalho (Compositor) / Zé Ramalho (Intérprete) / Patrick Moraz (Participação) / Gravadora: Epic/CBS / Ano: 1978 / Álbum: 144231 / Lado A / Faixa 1.


(intro) Em  G   D 
       D
Um velho cruza a soleira, de botas longas, 
de barbas longas de ouro o brilho do seu colar
G/B      A/C#          D               A/C#            D
Na laje fria onde quardava sua camisa e seu alforje de caçador
Em                  G        D
Oh, meu velho  invisível Avôhai
Em                  G        D
Oh, meu velho indivisível Avôhai
D                   Am           G          Am        D
Neblina turva e brilhante em meu cérebro, coágulos de sol
                            Am          G             Am        D
Amanita matutina e que transparente cortina ao meu redor
Em                              G                         D
   E se eu disser que é meio sabido você diz que é meio pior
Em                   G                        D
   E pior do que planeta quando perde o girassol
A                    G           Bm            A
   É o terço de brilhante nos dedos de minha avó
A                        G
   E nunca mais eu tive medo da porteira
                     Bm                     A
Nem também da companheira que nunca dormia só

(solo)
Em    G         D
                AVÔHAI,    avô e pai
Em  G       D
       AVÔHAI
      D
O brejo cruza a poeira, 
de fato existe um tom mais leve na palidez desse pessoal
G/B      A/C#               D               A/C#              D
Pares de olhos tão profundos que amargam as pessoas que fitar
Em                     G                              D
Mas que bebem sua vida, sua alma na altura que eu mandar
Em                    G                   D
São os olhos são as asas, cabelos de avôhai,
D                  Am             G        Am         D
Na pedra de turmalina e no terreiro da usina eu me criei
D                Am           G         Am          D
Voava de madrugada e na cratera condenada eu me calei
Em                        G                   D
Se eu calei foi de tristeza você cala por calar
Em                         G                D
E calado vai ficando só fala quando eu mandar
A                      G        Bm        A
Rebuscando a consciência com medo de viajar
A                            G                    
Até o meio da cabeça do cometa    
                Bm                    A
girando na carrapeta no jogo de improvisar
A                                       G                        
Entrecortando eu sigo dentro a linha reta 
                     Bm                       A
eu tenho a palavra certa pra "dotor" num "reclamá"
Avohai
Avohai
Avohai
Avohai

Zé Ramalho: Admirável Gado Novo


Autor de uma obra surrealista, que funde o rock com o repente nordestino, o paraibano Zé Ramalho atinge um de seus melhores momentos com “Admirável Gado Novo” que, gravado no elepê A peleja do diabo com o dono do céu, o tornou conhecido em todo o país. Inspirada no título Admirável mundo novo, de um livro de Aldous Huxley, a composição comenta a sina do povão, que se repete em cada geração, manejada pelos interesses dos poderosos.

Isso é exposto em três veementes estrofes, que são intercaladas por um refrão-aboio, seco e irônico: “Eh eh ô vida de gado / povo marcado, eh / povo feliz...”

Ramalho é o melhor intérprete de sua própria obra, com uma voz rude e cavernosa que complementa e dá convicção ao mundo contraditório, delirante e apocalíptico que a caracteriza. Dezesseis anos depois de seu lançamento, “Admirável Gado Novo” funcionaria como tema dos “sem terra”, na telenovela “O Rei do Gado”, da Rede Globo, puxando a vendagem do disco, recordista com quase dois milhões de cópias (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Admirável gado novo (1980) - Zé Ramalho

LP A Peleja Do Diabo Com O Dono Do Céu / Título da música: Admirável gado novo / Zé Ramalho (Compositor) / Zé Ramalho (Intérprete) / Gravadora: Epic/CBS / Ano: 1979 / Álbum: 235030 / Lado A / Faixa 2.

(intro) ( D  D5+  D6  D5+ )

   D            Bb5+        Bm Bb5+    
Vocês que fazem parte dessa massa 
D            Bb5+     Bm   Bb5+
que passa nos projetos do futuro
   D         Bb5+         Bm  Bb5+
É duro tanto ter que caminhar    
 D         Bb5+            Bm   Bb5+
e dar muito mais do que receber

  Em             F#7        Bm  A
E ter que demonstrar sua coragem 
   Em           F#7       Bm  A
à margem do que possa parecer
  Em           F#7        Bm  A
E ver que toda essa engrenagem 
    Em        F#7         Bm     A7
já sente a ferrugem lhe comer

(D   G)
Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz

   D            Bb5+       Bm Bb5+
Lá fora faz um tempo confortável, 
   D         Bb5+        Bm    Bb5+
a vigilância cuida do normal
   D          Bb5+       Bm Bb5+
Os automóveis ouvem a notícia, 
   D         Bb5+         Bm    Bb5+
os homens a publicam no jornal
  Em        F#7         Bm  A   Em      F#7           Bm  A
E correm através da madrugada a única velhice que chegou
  Em           F#7        Bm  A  Em         F#7           Bm  A
Demoram-se na beira da estrada e passam a contar o que sobrou

(D   G)
Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz

   D        Bb5+    Bm Bb5+
O povo foge da ignorância 
   D       Bb5+          Bm    Bb5+
apesar de viver tão perto dela
   D           Bb5+           Bm Bb5+ 
E sonham com melhores tempos idos, 
D           Bb5+      Bm    Bb5+
contemplam essa vida numa cela
  Em         F#7      Bm A    Em         F#7         Bm  A
Esperam nova possibilidade de verem esse mundo se acabar
  Em       F#7        Bm   A    Em           F#7     Bm  A
A arca de Noé, o dirigível, não voam nem se pode flutuar

(D   G)
Ê, ô ô, vida de gado, povo marcado, ê, povo feliz

Zé Ramalho: A Terceira Lâmina


A terceira lâmina ((1981) - Zé Ramalho

LP A Terceira Lâmina / Título da música: A terceira lâmina / Zé Ramalho (Compositor) / Zé Ramalho (Intérprete) / Gravadora: Epic/CBS / Ano: 1981 / Álbum: 235049 / Lado A / Faixa 3.


(intro) Bm C#m5-/7 D7+ Em Bm F#7 Bm

           C#m5-/7                   D7+
É aquela que fere, que virá mais tranqüila
              Em                   Bm
com a fome do povo, com pedaços da vida
              A                       G#°              F#7
com a dura semente, que se prende no fogo de toda multidão
                              Bm
acho bem mais do que pedras na mão
             C#m5-/7                  D7+
dos que vivem calados, pendurados no tempo
             Em                       Bm
esquecendo os momentos, na fundura do poço,
               F#7                      Bm
na garganta do fosso, na voz de um cantador

(intro)
             C#m5-/7              D7+
e virá como guerra, a terceira mensagem,
           Em                    Bm
na cabeça do homem, aflição e coragem
             A                   G#º                      F#7
afastado da terra, ele pensa na fera, que o  começa a devorar
                            Bm
acho que os anos irão se passar
               C#m5-/7           D7+
com aquela certeza, que teremos no olho
              Em                   Bm                  F#7
novamente a idéia , de sairmos do poço da garganta do fosso
                  Bm
{na voz de um cantador}(4x)