LP João Gilberto / Título da música: Coisa mais linda / Moraes, Vinícius de Moraes (Compositor) / Lyra, Carlos (Compositor) / Gilberto, João (Intérprete) / Gravadora: Odeon, 1961 / Álbum MOFB 3202 / Lado B / Faixa 3 / Gênero musical: Samba.
A7M A6 A° C#7/G# F#7/13 B7/9
Coisa mais bonita é você, assim
E7/9 A7/9 Am6
Justinho você, eu juro
G#m7(b5) Gm6 F#7 B7/13 B7(b13) Bm7 E7
Eu não sei por que você
A7M A6 A° C#7/G#
Você é mais bonita que a flor
F#7/13 B7/9 E7/9 A7/9
Quem dera a primavera da flor
Am6 G7/9 A7M F#m7 C#m7
Tivesse todo esse aroma de beleza Que é o amor
F#m7 B7/4 B7 E7/4 E7(#5)
Perfumando a natureza numa forma de mulher
A7M A6 A° C#7/G# F#7/13 B7/9
Porque tão linda assim Não existe a flor
E7/9 A7/9 Am6 G7/9
Nem mesmo a cor não existe E o amor
A7M Dm6 A6 G7/9
Nem mesmo o amor existe E eu fico um pouco triste
A7M Dm6
Um pouco sem saber
A6 G7/9 A7M
Se é tão lindo o amor que eu tenho por você
Embora considerada o marco zero da bossa nova, “Chega de Saudade” não é na opinião de Tom Jobim uma composição bossa nova. Em depoimento ao jornalista Tárik de Souza (para o livro Tons sobre Tom), ele esclareceu:
“Minha mãe criou uma menina, que também se chamava Nilza (nome da mãe do Tom) e me pediu para comprar um método de violão para ela, que tinha boa voz. Comprei o método do Canhoto que trazia (...) aquele sistema antigo (de acordes) primeira, segunda, terceira. (...)
Fui obrigado a explicar para ela naquele método (...) e acabei me envolvendo com aquela seqüência de acordes, completamente fáceis. Inventei uma sucessão de acordes, que é a coisa mais clássica do mundo, e botei ali uma melodia.
Mais tarde, Vinícius colocou a letra. De certa forma, sentindo a novidade da bossa nova, do João Gilberto e daquele meio em que a gente vivia, talvez Vinicius tenha sido levado a intitular a música ‘Chega de Saudade’. (...) Esse título é engraçado porque a música tem algo de saudade desde a introdução. Lembra aquelas introduções de conjuntos de violão e cavaquinho, tipo regional. (...).
Na segunda parte, passa para maior (modo maior). Acontecem todas aquelas modulações clássicas que você encontra na música antiga. Isso cria um absurdo: o ‘Chega de saudade’ já é uma saudade jogando fora a saudade!”.
Tom Jobim
Realmente, a bossa nova de “Chega de Saudade” está quase toda na harmonia, nos acordes alterados, pouco utilizados por nossos músicos da época, e na nova batida de violão executada por João Gilberto. A novidade rítmica fica muito clara, especialmente sob os versos “dentro dos meus braços os abraços / hão de ser milhões de abraços / apertado assim...”, com o violão indo na contramão da forma institucionalizada de se tocar samba. Aliás, a inovação já está presente na gravação de Elizeth Cardoso, a primeira de “Chega de Saudade”, feita para o elepê Canção do amor demais, que tem a participação de João Gilberto como violonista.
Esse disco, lançado pela pequena marca Festa, do produtor Irineu Garcia, é considerado por Tom Jobim (em depoimento a Zuza Homem de Mello, em outubro de 68) “um marco, um ponto de fissão, de quebra com o passado”. No dia 10.7.58, seis meses depois da gravação da Elizeth, aconteceu a do João, naturalmente repetindo a mesma batida de violão e apresentando o seu estilo bossa nova de cantar.
Este disco histórico, que traz na outra face o baiãozinho “Bim-Bom” (classificado no selo como samba), provocaria a pitoresca e mal-humorada reação de Álvaro Ramos, gerente das Lojas Assunção, quebrando o disco, indignado com o que o Rio lhe mandava. Atribuída no anedotário da bossa nova a Osvaldo Gurzoni, diretor de vendas da Odeon em São Paulo (que também não gostara do disco), a verdadeira identidade do autor da façanha (Ramos) seria revelada por Ruy Castro no livro Chega de saudade. Esse episódio aconteceu em São Paulo, em agosto de 58, às vésperas do lançamento do disco de 78 rotações, que precedeu em alguns meses o elepê homônimo.
LP Chega De Saudade / Título da música: Chega de Saudade / Tom Jobim (Compositor) / Vinícius de Moraes (Compositor) / João Gilberto (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1959 / Nº Álbum: MOFB 3073 / Lado A / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / Bossa Nova.
Dm7 Bº Bbm6
Vai minha tristeza e diz a ela
Dm7 A7
Que sem ela não pode ser
Dm7 E7 Am7 Bb7
Diz-lhe numa prece que ela regresse
A7 A7/5+
Porque eu não posso mais sofrer
Dm7 Bº
Chega de saudade,
Bbm6 Am6 D7/9-
A realidade é que sem ela não há paz,
Gm7 A7 Dm7
Não há beleza, é só tristeza
Bº
e a melancolia que não sai de mim
Bbm6 Dm7 Em7 A7
Não sai de mim, não sai
D7+ E7
Mas se ela voltar, se ela voltar,
G/A A7 D7+
Qua coisa linda, que coisa louca
Fº Em7
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
E7 Bbm6 A7
Do que os beijinhos que eu darei na sua bo .. ca
D7+ E7 F#7
Dentro dos meus braços os abraços
Bm7 Bbm7 Am7
hão de ser milhões de abraços
D9 G7+ Gm7 F#m7
Apertado assim, calado assim, colado assim
Fº E7 A7 F#7
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
B7/5+ E7
Que é prá acabar com esse negócio
A7 D7+/9
de você viver sem mim
Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol.2 - 1958-1985.
LP Rita Lee E Roberto de Carvalho / Título da música: Brazil Com S / Roberto de Carvalho (Compositor) / Rita Lee (Compositora) / Rita Lee (Intérprete) / João Gilberto (Partic.) / Gravadora: Som Livre / Ano: 1982 / Nº Álbum: 403.6266 / Lado B / Faixa 2 / Gênero musical: Samba / Bossa Nova.
Tom: AAG7/5-F#7Bm7
Quando Cabral descobriu no Brasil
E7/13A7+
o caminho das Índias
EmA7D6/9
Falou ao Pero Vaz para Caminha escrever para o rei
Dm7/9Dm7/9C#m7F#7
Que terra linda assim não há com tico-ticos no fubá
Bm7E7A7+
Quem te conhece não esquece meu Brazil é com S.
G7/5-F#7Bm7E7A7+
O caçador de esmeraldas achou uma mina de ouro
Em7A7D7/9+
Caramuru deu chabu e casou com a filha do Pajé
Dm7/9
Terra de encanto, amor e sol,
C#m7F#7
não fala inglês nem espanhol
Bm7E7A7+
Quem te conhece não esquece meu Brazil é com S.
G7/5-F#7Bm7E7A7+
E pra quem gosta de boa comida aqui é um prato cheio
Em7A7D6/9
Até Dom Pedro abusou do tempero e não se segurou
Dm7/9C#m7F#7
Oh, natureza generosa, está com tudo e não está prosa
Bm7E7A7+
Quem te conhece não esquece meu Brazil é com S.
G7/5-F#7Bm7E7A7+
Na minha terra onde tudo na vida se dá um jeitinho
Em7A7D6/9
Ainda hoje invasores namoram a tua beleza
Dm7/9C#m7F#7
Que confusão veja você, no mapa-múndi está com Z
Bm7E7A7+
Quem te conhece não esquece meu Brazil é com S.
“Bim bom” está no lado B do disco Odeon 78 rpm de 1958, lançado por João Gilberto, que traz “Chega de Saudade”. João apresenta uma interpretação vocal intimista e uma nova batida de violão, tornando-se um marco para a Bossa Nova.
A letra é um mantra de dois versos: “É só isso o meu baião/ E não tem mais nada não”, como se o cantor reduzisse ao grau zero o manifesto “Baião”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, de 1946. É o cantor no auge de sua cintilância e tônus rítmico. (Fontes: Revista Época - "Bim bom, bim mau" - 07/06/2011; Dicionário da MPB).
Bim Bom (samba-bossa, baião, 1958) - João Gilberto - Interpretação: João Gilberto.
LP Chega De Saudade / Título da música: Bim Bom / João Gilberto (Compositor) / João Gilberto (Intérprete) / Gravadora: Odeon / Ano: 1959 / Nº Álbum: MOFB 3073 / Lado B / Faixa 4 / Gênero musical: Samba / Bossa Nova.
Dm7 G7 Dm7 G7
Bim bom bim bim bom bom
Dm7 G7 Dm7 G7 C6/9
Bim bom bim bim bom bim bom
Dm7 G7 Dm7 G7
Bim bom bim bim bom bom
Dm7 G7 Dm7 G7 Bm7 E7/9-
Bim bom bim bim bom bim bim
Am7 Bm7 E7/9-
É só isso o meu baião
Am7 Bm7 E7/9-
E não tem mais nada não
Am7 A7 Dm7 G7
O meu coração pediu assim, só