Páginas

domingo, 2 de outubro de 2022

Sílvio Caldas: Sorris da Minha Dor

Sílvio Caldas
Sorris da minha dor (valsa, 1938) - Paulo Medeiros

Disco 78 rpm / Título da música: Sorris de minha dor / Autoria: Medeiros, Paulo (Compositor) / Sílvio Caldas (Intérprete) / Orquestra (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: RCA Victor, 18/08/1938 / Nº Álbum 34367 / Lado B / Lançamento: 10/1938 / Gênero musical: Valsa


------Am------------------------------- B7-- F7-- E7
Sorris da minha dor, mas eu te quero ainda,
--------------------------------------F ----E7
Sentindo-me feliz, sonhando-te mais linda
-------Am-------- Am6 ---------------Em---- B7
Escravo eterno teu farei o que quiseres
--------------------------------------------E7
Tens, para mim, a alma eterna das mulheres
--------Am -----------------------------B7 ---F7 ---E7
No meu jardim viceja a flor da esperança
-------------------------------------------Bb7---- A7
Meu pranto é meu amigo e a minha fé não cansa
------------------------Am6 ---------------Am
Na rima dos meus versos cheios de saudade
----------------------B7----- E7 --------A ---E7/5+---- A
És a flor, que se abriu para o meu amor


-----------------------Gb7 -------------B7------- E7
Aos teus braços, querida, ainda um dia
------------------------------------A
Terei o teu amor e os teus carinhos....
-----------------------------Bm
E os dois aureolados de alegria
-----------------E7 ------------ A----- E7/5+ ----A
Seremos um casal da passarinhos ....
------------------Gb7--------- B7 -------Db7
Tranqüilos e felizes, sonharemos
----------------------------------Gbm -------D
Uma porção de sonhos venturosos ...
---------------------Dm--------- A
E aos beijos de eternal felicidade
Gb7------------------ Bm
Há de ser a nossa vida
-----------E7------------- A--- F--- A
Um roseiral de ansiedades.

Sílvio Caldas: Serenata

Uma das primeiras composições da dupla Sílvio Caldas (foto) - Orestes Barbosa, "Serenata" foi adotada por Sílvio como marca musical de suas audições para o resto da carreira.

Pela beleza de sua letra, carregada de romantismo - "Dorme, fecha este olhar entardecente / não me escutes nostálgico a cantar / pois não sei se feliz ou infelizmente / não me é dado, beijando, te acordar" -, muito bem musicada por Sílvio, "Serenata" é exemplo de modinha do século XX, indispensável em qualquer seresta de bom gosto. Seu sucesso, em 1935, abriu a grande safra de canções de amor que imperaria nos anos seguintes.

Serenata (canção, 1935) - Sílvio Caldas e Orestes Barbosa

Disco 78 rpm / Título da música: Serenata / Autoria: Caldas, Silvio (Compositor) / Barbosa, Orestes (Compositor) / Caldas, Silvio (Intérprete) / Bandolim (Acompanhante) / dois violões (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1934 / Nº Álbum 33911 / Gênero musical: Canção


Am------------------------- F
Lá, rá, rá, rá, rá, rá,
----------------------------Am
Lá, rá, rá, rá, rá, rá
---------------------E7
Lá, rá, rá, rá, rá, ri
-------------Am -------E7
La, ri, ri, ri

---Am---------------- E7 ---------Am----- F7
Dorme fecha este olhar entardecente
----------------------------------Am------ F7
Não me escutes nostálgico a cantar
----------------------------------Am
Pois não sei se feliz ou infelizmente
B7 ---------------------------------E7
Não me é dado beijando te acordar
-----A7------------------------- Bb7 ------A7
Dorme deixa o meu canto delirante
---------------------------------------Dm
Dorme que eu olho o céu a contemplar
----------------Eb°-------- Am ---------F7
A lua que procura diamante
---------------------E7 -----------Am------ E7
Para o teu lindo sonho ornamentar
----------Am---------------------- G7
Na serpente de seda dos teus braços
---------------------------------F7
Alguém dorme ditoso sem saber
----------------------E7 ----------A7
Que eu vivo a padecer
Dm -------------Am---------------------- F7
E o meu coração feito em pedaços
Vai sorrindo ao teu amor
--------E7
Mascarado desta dor
Am----------------------------- G7
No teu quarto de sonho e perfume
--------------------------------F7
Onde vive a sorrir teu coração
----------------------E7------ A7
Que é teatro da ilusão
------Dm-------------- Am
Dorme junto a teus pés
--------------------F7
O meu ciúme
Enjeitado e faminto
--------------Am
Como um cão.



A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Vol. 1 - Editora 34

Gastão Formenti: Se Ela Perguntar

Se ela perguntar (valsa, 1932) - Sivan Castelo Neto

Disco 78 rpm / Título: Se ela perguntar / Autoria: Castelo Branco, Sivan (Compositor) / Gastão Formenti (Intérprete) / Almirantes (Acompanhante) / Kosarin, Harry (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1932 / Álbum 33542 / Gênero: Valsa


Quando a deixei toda pálida a chorar
De amor / de amor / por mim
Nem sequer pensei que me fosse demorar
Assim / assim / tanto assim

Quando ela eu souber
Que eu estou triste / e que chorei

Decerto também vai sofrer / eu sei

Se ela perguntar
Você diga que vou bem
Que um dia eu hei de voltar
Desde que você a encontrar
De-lhe recomendações

Mas procure sempre lhe ocultar
As minhas desilusões
Não vá contar que me viu sofrer
Nem que me viu chorar
Diga que não a esquecerei
E que em breve voltarei

Se ela perguntar por mim...

Carlos Galhardo: Saudades de Matão

Raul Torres
Até 1920, quando Saudades de Matão já se tornara bem conhecida, pouco se sabia sobre sua autoria, sendo por alguns considerada tema popular. Então, através da revista A Lua, de São Paulo, Jorge Galati foi identificado como autor da composição (na foto: Raul Torres que fez a letra da valsa).

Nascido na província de Catanzaro (Itália) cm 1885, ele chegou ao Brasil cinco anos depois, quando a família transferiu-se da Europa para São Carlos do Pinhal (SP). Daí em diante, até sua morte em 1969, viveria em diversas cidades paulistas sempre levado por suas atividades musicais.

Assim, após estudar música em São José do Rio Pardo, já exercia com apenas 19 anos a função de mestre da Banda Ítalo-Brasileira de Araraquara. Foi aí, em 1904, que compôs a celebre valsa, originalmente intitulada Francana e que depois, à sua revelia, passou a chamar-se Saudades de Matão. A troca do título aconteceu por volta de 1912, sendo responsável pela mudança Pedro Perches de Aguiar, na época músico em Taquaritinga.

Em 1949, quando Saudades de Matão transformada em sucesso nacional já rendia bons dividendos artísticos e pecuniários, o mesmo Perches resolveu reivindicar sua autoria, estabelecendo-se grande polêmica na imprensa e no rádio.

O assunto mereceu de Almirante rigorosa pesquisa, havendo em seu arquivo variada documentação a favor de Jorge Galati. Há, por exemplo, uma declaração, registrada em cartório, do Sr. Pio Corrêa de Almeida Morais, prefeito de Araraquara em 1904, que afirma ter ouvido muitas vezes naquele ano Galati interpretar a valsa Francana.

Mas, segundo Galati, apareceram ainda no decorrer do tempo outros pretendentes à autoria da valsa, como Antonio Carreri, José Carlos Piedade, Protásio Tomás de Carvalho, José Stabile e Antenógenes Silva, sendo que este último registrou um arranjo sobre o tema popularizada como peça instrumental, Saudades de Matão recebeu letra de Raul Torres em 1938.

Saudades de Matão (valsa, 1904) - Jorge Galati, Antenógenes Silva e Raul Torres - Interpretação: Carlos Galhardo



-------------G--------------- D7--------------------------G
Neste mundo eu choro a dor / Por uma paixão sem fim
--------------------------D7------------------------------- G
Ninguém conhece a razão / Porque eu choro tanto assim
-------------------------D7-------------------- G
Quando lá no céu surgir / Uma peregrina flor
G7-------------------- C--------------------- D7---------------------- G
Pois todos devem saber / Que a sorte me tirou foi uma grande dor
---------D7--------- G---------- D7----------------------- G
Lá no céu junto a Deus / Em silêncio minh’alma descansa
--------D7------------- G
E na terra, todos cantam
---------C----------------- D7---------------------G ----- G7
Eu lamento minha desventura nesta grande dor
C---- G7------- C------------------------ G7
Ninguém me diz / Que sofreu tanto assim
------------------------------------------C------------------ C7
Esta dor que me consome / Não posso viver / Quero morrer
---------------------------------F
Vou partir prá bem longe daqui
------------------------C----- G7------- C
Já que a sorte não quis / Me fazer feliz.



Fonte: A Canção no Tempo - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34