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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Ciro Monteiro: Se Acaso Você Chegasse

Lupicínio Rodrigues - Utilizando com habilidade intuitiva os lugares-comuns da fala popular, de seus versos não está ausente um certo kitsch, sobre o qual, porém, construiu uma obra poético-musical que ocupa um lugar ímpar na música popular brasileira.

Boêmio e conquistador inveterado, Lupicínio Rodrigues (foto) várias vezes transformou em samba episódios de sua vida sentimental. Assim, por exemplo, "Se Acaso Você Chegasse" é uma espécie de mensagem / sondagem que dirige a um amigo, Heitor Barros, de quem havia tomado a namorada. Lupicínio sabia que agira mal e temia perder o amigo, que muito prezava.

Para evitar o rompimento, procurava convencê-lo de que a amizade dos dois era mais importante do que a mulher infiel ("Será que tinha coragem / de trocar a nossa amizade / por ela que já lhe abandonou..."), ao mesmo tempo em que lhe comunicava um fato consumado ( "eu falo porque essa dona / já mora no meu barraco...") e de difícil reversão ("de dia me lava roupa / de noite me beija a boca / e assim nós vamos vivendo de amor"). A verdade é que o poeta queria ficar com a mulher e o amigo, feito que acabou conseguindo, pois Heitor gostou do samba e perdoou a traição.

Composto em 1936, de improviso, na calçada do Café Colombo, em Porto Alegre, "Se Acaso Você Chegasse" é um dos melhores sambas de todos os tempos. Possui ainda o mérito de ter projetado nacionalmente Lupicínio e Ciro Monteiro, seu intérprete inicial, em 1938, e Elza Soares, em 1959.

Se acaso você chegasse (samba, 1938) - Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins

Disco 78 rpm / Título da música: Se acaso você chegasse / Autoria: Martins, Felisberto (Compositor) / Rodrigues, Lupicinio, 1914-1974 (Compositor) / Ciro Monteiro (Intérprete) / Conjunto Regional RCA Victor (Acompanhante) / Imprenta [S.l.]: Victor, 1938 / Nº Álbum 34360 / Lado A / Gênero musical: Samba

G7     C7M          F7 
   Se acaso você chegasse 
   C7M            F7 
No meu chatô encontrasse 
 Em7           A7 
Aquela mulher 
      Dm7        A7 
Que você gostou 
  Dm7            Dm/C 
Será que tinha coragem 
    G7/B           G7/F 
De trocar nossa amizade 
    Dm4/G       G7 
Por ela que já 
     C7M        Dm4/G   G7/13 
Lhe abandonou 
   C7M              Gm7 
Eu falo porque esta dona 
   C7/4           C7/13 
Já mora no meu barraco 
  Gm7/9         C7/13 
À beira de um regato 
     F7M/6          C7/13 
E um bosque em flor 
   F7M/6         Fm6 
De dia me lava a roupa 
   Em7              A7 
De noite me beija a boca 
    Dm7             G7        C6/9 
E assim nós vamos vivendo de amor 


Fonte: A Canção no Tempo - Vol. 1 - Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello - Editora 34.

Joanna: A Padroeira

A Padroeira (2001) - Sérgio Saraceni e Ronaldo Monteiro de Souza - Intérprete: Joanna

CD A Padroeira - Trilha Sonora da Novela / Título da música: A Padroeira / Sérgio Saraceni (Compositor) / Ronaldo Monteiro de Souza (Compositor) / Joanna (Intérprete) / Gravadora: Som Livre / Ano: 2001 / Nº Álbum: 3048 2 / Faixa 4.


Tom: Bb

Bb                                 Cm
Oh Virgem Santa Rogai, por nós pecadores.
F7                                    Bb    D#  F7
Junto a Deus Pai e livrai-nos, do mal e das dores.
Bb         Cm
Que todo homem caminhe, tocado pela Fé.
F7                               Bb     Bb7
Crendo na Graça divina, esteja como estiver.
D#                     Eº      Dm
Abençoai nossas casas, as águas, as matas e o pão nosso,
G7           Cm
A luz de toda manhã,
F7          Bb   Bb7
O amor sobre o ódio.
D#               Eº
Iluminai a cabeça dos homens
Dm
Te pedimos agora
G7        Cm
E que o bem aconteça
F7     Bb
Nossa Senhora.

D#                     Eº      Dm
Abençoai nossas casas, as águas, as matas e o pão nosso,
G7           Cm
A luz de toda manhã,
F7          Bb   Bb7
O amor sobre o ódio.
D#               Eº
Iluminai a cabeça dos homens
Dm
Te pedimos agora
G7        Cm
E que o bem aconteça
F7     Bb
Nossa Senhora.

G7

Aumentar o Tom

 C                                Dm
Oh Virgem Santa Rogai, por nós pecadores.
G7          C     F G7
Junto a Deus Pai e livrai-nos, do mal e das dores.
C        Dm
Que todo homem caminhe, tocado pela Fé.
G7                                 C  C7
Crendo na Graça divina, esteja como estiver.
F      F#º      Em
Abençoai nossas casas, as águas, as matas e o pão nosso,
A7       Dm
A luz de toda manhã,
G7         C    C7
O amor sobre o ódio.
F            F#º
Iluminai a cabeça dos homens
Em
Te pedimos agora
A7        Dm
E que o bem aconteça
G7     C    C7
Nossa Senhora.

Milton Nascimento e Roupa Nova: Nos Bailes da Vida

Os “causos” vividos por Milton Nascimento na época em que foi crooner e contrabaixista dos conjuntos W’s Boys, Tempo Trio, Berimbau de Ouro, Evolussamba e Quarteto Sambacana, ao lado de músicos como Wagner Tiso, Helvius Vilela, Pascoal Meireles e outros, sempre estiveram entre os assuntos preferidos de suas conversas com Fernando Brant.

São peripécias, as mais diversas, um manacial de histórias de músicos do interior e das boates das capitais. Animados pela verve peculiar da classe, esses papos aconteciam na Avenida Afonso Pena, ponto em que os músicos se reuniam em Belo Horizonte, onde, tal como na Praça Tiradentes, no Rio, e Praça da Sé, em São Paulo, eram contratados os “bicos”.

Um dia, ao receber uma fita de Milton para letrar nova composição, Brant achou que “seria uma boa” transformar o assunto em música, criando os primorosos versos de “Nos Bailes da Vida”: “Foi nos bailes da vida / ou num bar em troca de pão / que muita gente boa pôs o pé na profissão / de tocar um instrumento e de cantar / não importando se quem pagou quis ouvir / (...) / todo artista tem de ir / aonde o povo está / se foi assim, assim será / cantando me desfaço / e não me canso de viver / nem de cantar...”

Com algumas modificações, a música foi destinada a Ney Matogrosso, que não a gravou. Mas, ao tomar conhecimento da letra, vários artistas interessaram-se pela canção, cabendo à cantora Joanna lançá-la no elepê Chama, em julho de 81, quase ao mesmo tempo que o grupo 14 Bis (disco Espelho das águas). Então, Milton Nascimento, coadjuvado pelo Roupa Nova, deu-lhe versão definitiva em seu LP Caçador de mim, em setembro de 81.

Nesta gravação ele faz uma confissão emocionada do seu início de carreira, valorizando as pausas (em “foi assim...”, “era assim...” e “nem de cantar...”) e transformando a composição numa espécie de hino aos músicos (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Nos Bailes da Vida (1981) - Milton Nascimento e Fernando Brant - Intérprete: Milton Nascimento

LP Caçador De Mim / Título da música: Nos Bailes da Vida / Milton Nascimento (Compositor) / Fernando Brant (Compositor) / Milton Nascimento (Intérprete) / Roupa Nova (Partic.) / Gravadora: Ariola / Ano: 1981 / Nº Álbum: 201.632 / Lado B / Faixa 3 / Gênero musical: Canção.


Tom: D

Intro: (D D9 D4 D D9)

(D  D9)
Foi nos bailes da vida ou num bar em troca de pão
C/D                              C
Que muita gente boa pôs o pé na profissão
                          Em
De tocar um instrumento e de cantar
A4/7           A7                     D
Não importando se quem pagou quis ouvir

Foi assim

D                               D7+
Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol
D6          Am9
Tenho comigo as lembranças do que eu era 
C7+                         Em
Para cantar nada era longe, tudo tão bom
A4/7             A7         G/D
'Té a estrada de terra na boléia de caminhão
D           D G/D D
Era assim

D      D7+
Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão
Am9          C7+
Todo artista tem de ir aonde o povo está
   Em           A4/7      A7
Se foi assim, assim será
Em             A7              G/D
Cantando me desfaço e não me canso de viver
D  D G/D D D9 D
Nem de cantar

solo: F F7+ Eb D Gm
      Bb Bb/C A4/7 A7

D                               D7+
Cantar era buscar o caminho que vai dar no sol
D6          Am9
Tenho comigo as lembranças do que eu era 
C7+                         Em
Para cantar nada era longe, tudo tão bom
A4/7             A7         G/D
'Té a estrada de terra na boléia de caminhão
D           D G/D D
Era assim

D      D7+
Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão
Am9          C7+
Todo artista tem de ir aonde o povo está
   Em           A4/7      A7
Se foi assim, assim será
Em             A7              G/D
Cantando me desfaço e não me canso de viver
D  D G/D D F
Nem de cantar..

MPB Fabulosa: Trio de Ouro

Trio de Ouro: Nilo Chagas, Dalva e Herivelto - Coleção Herivelto Martins, Acervo MIS.

O conjunto vocal Trio de Ouro originou-se da Dupla Preto e Branco, formada em 1934 por Herivelto Martins e Francisco Sena (? - Rio de Janeiro RJ 1935), depois substituído por Nilo Chagas (Barra do Piraí RJ 1917 - Rio de Janeiro RJ 1973). Em 1936 conheceram a cantora Dalva de Oliveira, quando ensaiavam para se apresentar no Cine Pátria, em São Cristóvão. Passaram, então, a se apresentar como Dupla Preto e Branco com a cantora Dalva de Oliveira, embora mantendo o nome da dupla.

Depois foram batizados por César Ladeira de Trio de Ouro, que lançou, em 1937, o primeiro sucesso, com o batuque Itaquari e a marchinha Ceci e Peri (ambas de Príncipe Pretinho), gravadas na Victor. Nesse ano, contratado pela Radio Mayrink Veiga, o trio atuou no programa de César Ladeira.

Em 1938, cantou na Rádio Tupi, do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, casavam-se Dalva e Herivelto. Em 1940, o conjunto transferiu se para a Rádio Clube do Brasil, atingindo nessa década o auge do sucesso, com o lançamento de músicas como Ave Maria do morro (Herivelto Martins), em 1942, na Odeon, e Praça Onze (Herivelto Marfins e Grande Otelo), gravada para o Carnaval de 1942, na Columbia, com o cantor Castro Barbosa.

Em 1950, com o desquite do casal, o trio se desfez. Herivelto refez o trio com a cantora Noemi Cavalcanti (Cachoeiro de Itapemirim-ES-1926), mas no ano de 1952 Noemi e Nilo Chagas passaram a atuar em dupla. Nesse ano, o Trio de Ouro reapareceu com nova formação: Herivelto, Raul Sampaio (Raul Coco, Cachoeiro de Itapemirim 1928—) e Lourdinha Bittencourt (Lourdes Bittencourt, Campinas SP 1928—Rio de Janeiro RJ 1979).
Em 1950 Herivelto (na direita) refez o trio com a cantora Noemi Cavalcanti.
Sua estreia foi marcada pela regravação de antigo sucesso, Ave Maria no morro, na Victor. Assinou contrato com a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos. Excursionou pelo Norte do país, Minas Gerais e São Paulo. Fez temporadas na Argentina, Chile, Uruguai e Peru.

O trio atuou também, por longo tempo, como atração da Rádio Clube de Pernambuco e lançou, na Victor, musicas carnavalescas, como os sambas Noite enluarada (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres) e Sereno (Herivelto Martins e Nelson Gonçalves), gravado na Victor, em 1952, ao lado do cantor Nelson Gonçalves.

Gravou ainda a guarânia Índia (J. A. Flores e M. O Guerrero, versão de José Fortuna); o baião Caboclo abandonado (Herivelto Martins e Benedito Lacerda), a catira História cabocla (Herivelto Martins e Jose Messias), a rancheira Festa no Sul (Raul Sampaio e Rubens Silva), Negro telefone (Herivelto Martins e David Nasser), todos na Victor, em 1953; Saudades de Mangueira (Nelson Trigueiro e Bartolomeu Silva), Me deixa em paz (Jovelino Marques), ambas na Victor, para o Carnaval de 1954, e Boca fechada (Lupicínio Rodrigues), também na Victor em 1954.

Em 1957 o trio foi novamente dissolvido, por problemas de saúde da cantora.

CD Trio de Ouro, 1994, Revivendo RVCD 054.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.