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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

MPB Fabulosa: Trio de Ouro

Trio de Ouro: Nilo Chagas, Dalva e Herivelto - Coleção Herivelto Martins, Acervo MIS.

O conjunto vocal Trio de Ouro originou-se da Dupla Preto e Branco, formada em 1934 por Herivelto Martins e Francisco Sena (? - Rio de Janeiro RJ 1935), depois substituído por Nilo Chagas (Barra do Piraí RJ 1917 - Rio de Janeiro RJ 1973). Em 1936 conheceram a cantora Dalva de Oliveira, quando ensaiavam para se apresentar no Cine Pátria, em São Cristóvão. Passaram, então, a se apresentar como Dupla Preto e Branco com a cantora Dalva de Oliveira, embora mantendo o nome da dupla.

Depois foram batizados por César Ladeira de Trio de Ouro, que lançou, em 1937, o primeiro sucesso, com o batuque Itaquari e a marchinha Ceci e Peri (ambas de Príncipe Pretinho), gravadas na Victor. Nesse ano, contratado pela Radio Mayrink Veiga, o trio atuou no programa de César Ladeira.

Em 1938, cantou na Rádio Tupi, do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, casavam-se Dalva e Herivelto. Em 1940, o conjunto transferiu se para a Rádio Clube do Brasil, atingindo nessa década o auge do sucesso, com o lançamento de músicas como Ave Maria do morro (Herivelto Martins), em 1942, na Odeon, e Praça Onze (Herivelto Marfins e Grande Otelo), gravada para o Carnaval de 1942, na Columbia, com o cantor Castro Barbosa.

Em 1950, com o desquite do casal, o trio se desfez. Herivelto refez o trio com a cantora Noemi Cavalcanti (Cachoeiro de Itapemirim-ES-1926), mas no ano de 1952 Noemi e Nilo Chagas passaram a atuar em dupla. Nesse ano, o Trio de Ouro reapareceu com nova formação: Herivelto, Raul Sampaio (Raul Coco, Cachoeiro de Itapemirim 1928—) e Lourdinha Bittencourt (Lourdes Bittencourt, Campinas SP 1928—Rio de Janeiro RJ 1979).
Em 1950 Herivelto (na direita) refez o trio com a cantora Noemi Cavalcanti.
Sua estreia foi marcada pela regravação de antigo sucesso, Ave Maria no morro, na Victor. Assinou contrato com a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, onde permaneceu por dois anos. Excursionou pelo Norte do país, Minas Gerais e São Paulo. Fez temporadas na Argentina, Chile, Uruguai e Peru.

O trio atuou também, por longo tempo, como atração da Rádio Clube de Pernambuco e lançou, na Victor, musicas carnavalescas, como os sambas Noite enluarada (Herivelto Martins e Heitor dos Prazeres) e Sereno (Herivelto Martins e Nelson Gonçalves), gravado na Victor, em 1952, ao lado do cantor Nelson Gonçalves.

Gravou ainda a guarânia Índia (J. A. Flores e M. O Guerrero, versão de José Fortuna); o baião Caboclo abandonado (Herivelto Martins e Benedito Lacerda), a catira História cabocla (Herivelto Martins e Jose Messias), a rancheira Festa no Sul (Raul Sampaio e Rubens Silva), Negro telefone (Herivelto Martins e David Nasser), todos na Victor, em 1953; Saudades de Mangueira (Nelson Trigueiro e Bartolomeu Silva), Me deixa em paz (Jovelino Marques), ambas na Victor, para o Carnaval de 1954, e Boca fechada (Lupicínio Rodrigues), também na Victor em 1954.

Em 1957 o trio foi novamente dissolvido, por problemas de saúde da cantora.

CD Trio de Ouro, 1994, Revivendo RVCD 054.


Fonte: Enciclopédia da Música Brasileira - Art Editora e Publifolha, SP, 1998.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Elvira Ríos: Flores Negras

Cecilio López Arritola, mais conhecido como Sergio de Karlo, nasceu em Havana, Cuba, em 15/12/1911 e faleceu em Los Angeles em 10/01/2010. Aos quatorze anos já trabalhava em produções de Ernesto Lecuona e em 1927 organizou sua própria orquestra.

"Flores negras" é uma canção de bolero escrita e composta pelo músico cubano Sergio De Karlo e publicada em 1937. Foi introduzido pelo tenor mexicano Pedro Vargas no filme Los chicos de la prensa de 1937. Vargas gravou para RCA Victor.

Também é um dos maiores sucessos da cantora mexicana Elvira Ríos, que popularizou esta canção nos Estados Unidos e na América do Sul. Ela gravou pela primeira vez "Flores negras" em 21 de maio de 1940 em Nova York para a Decca Records. Cantou em 1942 no filme argentino Ven... mi corazón te llama, e mais tarde regravou a canção no México para RCA Victor em 1963 e Orfeón em 1974.

A canção também foi gravada por Lydia Mendoza (1937), Bing Crosby (1941), Eydie Gormé com Los Panchos (1965), Elvira Quintana (1965), Irma Serrano (1973), Julio Jaramillo e Ana Gabriel (2000).

Flores Negras (bolero, 1937) - Sergio de Karlo (Cecilio López Arritola - Cuba) - Boleros inesquecíveis - Canta: Elvira Ríos


       D                                           Bdim
Aunque viva prisionero, en mi soledad mi alma te dirá:
   A7
te quiero,
         Em             A7
nuestros labios guardan flama, 
de un beso voraz que no
            D    A7
olvidarás mañana.

       D                        B7            Em
Flores negras del destino, nos apartan sin piedad,
        G      Gm         D   B7 
pero el dia vendrá en que seas,  
               Em  A7  D
    para mi nomás,  nomás.

Dm        A7            
Me hacen daño tus ojos,
       Dm
me hacen daño tus manos,
                  D7                   Gm
me hacen daño tus labios, que saben fingir,
                 A7                         Dm
y a mi sombra pregunto, si esos labios que adoro,
             E7      A7      D   A7
en un beso sagrado podrán fingir.


Fonte: Wikipédia.

Dona Inah: Como É Que Eu Posso?

Como É Que Eu Posso? (samba, 1938) - Cartola e Noel Rosa - Intérprete: Dona Inah

CD Divino Samba Meu / Título da música: Como É Que Eu Posso? / Cartola (Compositor) / Noel Rosa (Compositor) / Dona Inah (Intérprete) / Gravadora: CPC-UMES / Ano: 2004 / Nº Álbum: CPC 052 / Faixa 7 / Gênero musical: Samba.


Tom: C  

C                  G7/13             C
Como é que eu posso, cozinhar sem banha,
  G7/13        C        G7/13         Dm
Sem cebola e alho, sem vinagre e cheiro,
               Dm                 G7     Dm
Como é que eu posso, ter bom paladar,
     G7       Dm       G7          C
Sem você deixar, a grana pros temperos.

            C               G7/13    C
Pois fique sabendo, que o feijão bichado,
  C7                                 F
E o arroz quebrado, que alguém lhe vendeu,
 Dm          G7            C            A7       Dm 
Já despejei tudinho no terreiro, veja bem o dinheiro,
   G7       C
Que você perdeu.

C          G7/13             C
Ou você acaba com essa economia,
  G7/13        C        G7/13          Dm
Ou então acaba-se nossa amizade,
       Dm                 G7     Dm
Já reclamo isso quase todo dia,
   G7       Dm       G7        C
Você me responde com simplicidade.

         C               G7/13    C
É que a cebola minha filha, está soberba,
  C7                                 F
O alho e o vinagre cada vez subindo mais,
  Dm                G7           C         A7     Dm 
Peça emprestado cada dia a uma vizinha,
              G7                     C
Ou continua fazendo, sempre como você faz.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Cartola: Alvorada

A dupla de patriarcas do samba Cartola (Angenor de Oliveira) e Carlos Cachaça (Carlos Moreira de Souza) foi fundamental para a formação das escolas e fixação dos padrões rítmicos do próprio samba. Grandes amigos, casados com duas irmãs, estes pioneiros, além de contribuírem para que o samba se livrasse da herança do maxixe, são responsáveis pela incorporação ao gênero de um texto que não existia nas letras primitivas de seus contemporâneos. Isso, para não falar da importância dos dois na formação e desenvolvimento da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, à qual seus nomes e suas músicas estão intrinsecamente ligados.

A história de “Alvorada” começou numa madrugada, quando Cartola e Cachaça, descendo o morro do Pendura a Saia, sentiram-se impressionados com os primeiros raios de sol que iluminavam o cenário, contrastando a beleza da cena com o sofrimento dos moradores do lugar. Fizeram, então, a primeira parte do samba: “Alvorada lá no morro que beleza / ninguém chora, não há tristeza / ninguém sente dissabor / o sol colorindo é tão lindo, é tão lindo / e a natureza sorrindo / tingindo, tingindo a alvorada.”

A segunda parte surgiu na casa de Hermínio Bello de Carvalho, onde tinham ido para completar a composição. Hermínio fez a letra, enquanto Cartola compunha a melodia na hora. Em suas primeiras gravações, com Odete Amaral e Clara Nunes, o samba saiu com o título de “Alvorada no Morro”. Depois, inclusive nas gravações de Cartola e Carlos Cachaça, o nome foi simplificado para “Alvorada”. Detalhe curioso é que essas duas figuras fariam os seus primeiros elepês na velhice, Cartola aos 65 anos e Cachaça aos 74, sendo ambos os discos realizados por iniciativa de um mesmo produtor, J. C. Botezeli, o Pelão (A Canção no Tempo – Vol. 2 – Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello – Editora 34).

Alvorada (samba, 1968) - Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho

LP Cartola / Título da música: Alvorada / Cartola (Compositor) / Carlos Cachaça (Compositor) / Hermínio Bello de Carvalho (Compositor) / Cartola (Intérprete) / Gravadora: Marcus Pereira / Ano: 1974 / Nº Álbum: MPL 9302 / Lado B / Faixa 1 / Gênero musical: Samba / MPB.


Gm          C7           F
Alvorada lá no morro que beleza
    Ab°                   Gm
Ninguém chora, não há tristeza
     C7             F
Ninguém sente dissabor
          Cm
O sol colorindo
        D7           G7
É tão lindo, é tão lindo
                Bbm       C7        F   (D7)
E a natureza sorrindo tingindo tingindo
  E7                        Am
Você também me lembra a alvorada
        F7         Bb
Quando chega iluminando
        F7            Bb
Meus caminhos tão sem vida
            Gm          C7
E o que me resta é bem pouco
      Cm          D7
Quase nada de que ir assim
  Gm    C7                 F
Vagando    numa estrada perdida
    D7
Alvorada ..... (voltar ao estribilho)